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Ato Original
Despacho n.º 10 009/2006 (2.ª série). - Louvo, por proposta do comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, o coronel de infantaria (1710233) Fernando Narciso dos Santos pelas excepcionais qualidades e virtudes, militares e pessoais, demonstradas no brilhante contributo que deu à causa da segurança pública ao longo dos cerca de 35 anos em que serviu na Guarda Nacional Republicana.
Oficial que marcou nesta instituição uma presença meritória, logrou-a, em boa parte, pela forma como serviu em praticamente todas as funções que um oficial pode desempenhar na Guarda, desde chefe de estado-maior de uma grande unidade, passando pelo comando de todas as subunidades, do destacamento ao grupo territorial, até ao comando de uma unidade da Guarda como a Brigada Territorial n.º 2, função que desempenhou de forma relevante nos últimos dois anos.
Servir foi o seu lema, sem compromissos, sem hesitações prejudiciais nem concessões à rotina acomodatícia. Da sua forma de estar e agir como oficial da Guarda, colheu-se noção de uma presença de espírito inquebrantável, do estoicismo, da elevada força moral, do camarada excepcional e do grande humanismo como traços de personalidade mais vincados de um homem de grande carácter. Imagem de quem não enjeitando responsabilidades, antes as aceitando com empenho e desembaraço de um chefe, na plenitude de significados que tal condição abarca.
A firmeza de carácter, o senso e a ponderação avultam nele como características marcantes, permitindo-lhe o desassombro com que sempre soube enfrentar o desafio das situações mais complexas e de maior melindre, em que a capacidade de decisão, aliada à sensatez e prudência, constituem requisitos essenciais. A sua visão eminentemente ética da profissão que abraçou sustenta e justifica a atitude de sólida lealdade para com todos os que com ele privaram, de que são testemunhas os seus comandantes e os milhares de homens e mulheres que com ele serviram, todos contando com a sua opinião abalizada, o conselho medido e exacto e a mais plena e leal adesão às orientações e decisões adoptadas.
A sua permanência no comando, durante os últimos dois anos, de uma das maiores e mais complexas unidades da Guarda, a Brigada Territorial n.º 2, sedeada em Lisboa, comprovou à saciedade as suas excepcionais qualidades profissionais e pessoais. São referências do seu comando o significativo lote de iniciativas de sentido inovador que incrementou, promovendo-as de forma criativa, diligenciando na normalização de procedimentos e adequada gestão de recursos. Concertou de forma hábil, realista e imaginativa a consolidação da investigação criminal e dos pelotões de intervenção rápida em todo o dispositivo da Brigada, conjugando-a com oportunas medidas de avaliação e controlo, no mesmo modo que atendia ao seu primeiro suporte, a instrução. Os resultados foram surpreendentes, conseguindo uma resposta sustentada e eficaz à criminalidade registada na área de responsabilidade da sua Brigada, projectando ensinamentos para outras unidades da Guarda.
O prestígio da instituição que serviu esteve sempre no seu horizonte, ao empenhar-se no estreitamento de relações privilegiadas com autoridades judiciárias e autárquicas, ao seu nível e ao dos escalões subordinados, implementando métodos e procedimentos tendentes à motivação profissional dos militares sob o seu comando e sensibilizando-os para o imperativo da valorização permanente da imagem pública da Guarda. Criterioso e absolutamente inabalável na defesa dos princípios da estrita legalidade, da isenção e da imparcialidade, que se vincam na forma como julga e age, sempre privilegiou a obtenção de soluções pela via do consenso, sem abdicar da necessária firmeza, quando constituída a decisão e se lhe colocava o imperativo de dar-lhe execução célere e enérgica. Dele se colhe a imagem de comandante, que não enjeita responsabilidades, antes as aceita com o denodo e a desenvoltura de quem se coloca perante as implicações de comandar de modo inteiramente assumido. A ponderação que evidenciou, a sua postura técnico-profissional irrepreensível, a constância e a força do seu exemplo, de par com o seu sentido humano e trato fácil que lhe são próprios, permitiram-lhe que conquistasse a mais alta consideração e o apreço dos seus subordinados, galvanizando-os para o cumprimento da missão, com amplos reflexos na proficiência que generalizadamente se reconhece à Brigada Territorial n.º 2.
Radicam no coronel de infantaria Narciso dos Santos atributos ímpares de determinação, clarividência, abnegação, humanismo, patriotismo, camaradagem, coragem moral e lealdade, qualidades que, agora como sempre, cingiu à defesa intransigente dos interesses da Guarda Nacional Republicana. A sua longa carreira fica assinalada pela excelência da forma como, sem limites, se lhe dedicou, guiado pelo objectivo único de dar o melhor de si, servindo Portugal e os Portugueses, devendo, por isso, ser referência e exemplo para todos os que servem a causa pública. Tal objectivo logrou-o em pleno, ao longo dos últimos 35 anos, através da prestação de serviços que se consideram extraordinários, relevantes e muito distintos.
20 de Abril de 2006. - O Ministro de Estado e da Administração Interna, António Luís Santos Costa.