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Ato Original
Louvor n.º 505/2003. - As Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE) têm em sua origem na Oficina de Alfaiate para as Praças, que, por Decreto de 25 de Agosto de 1903, foi transformada na Oficina e Depósito de Fardamento da Grande Circunscrição Militar do Sul, tendo cumprido em 1 de Setembro o seu 100.º aniversário.
Ao longo de toda a sua história, nomeadamente ao ser sentida a necessidade de se constituírem grandes reservas de fardamento para responder a grandes necessidades de mobilização, em caso de guerra, pelo Decreto de 11 de Abril de 1907, foi organizado o Depósito Central de Fardamentos, que viria a permitir um maior rigor, em tempo útil, na aquisição das matérias-primas, assim se respeitando os requisitos dos cadernos de encargos e o cumprimento dos prazos das dotações do vestuário das praças, em obediência ao objectivo de reduzir despesas e incentivar a qualidade, também contribuindo para o incremento da indústria têxtil nacional.
Independentemente das designações adoptadas ao longo do seu trajecto centenário, como órgão de apoio às Forças Armadas, de incontestada importância, com especial importância para o Exército, as OGFE souberam sempre corresponder aos requisitos e às expectativas das tropas portuguesas nos múltiplos e sucessivos teatros de operações, suprindo as suas necessidades, desde a Primeira Grande Guerra (1914-1918), apoiando o Corpo Expedicionário Português, assim como no decorrer da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), no apoio dado às forças expedicionárias das ilhas adjacentes e ultramar, e, no início da década de 60, com o deflagrar da guerra em África (1961-1974), no inestimável apoio logístico prestado às tropas combatentes nas antigas províncias ultramarinas.
Conscientes do seu papel no apoio à família militar, em terras de África, as OGFE accionaram, simultaneamente, a abertura de sucursais e delegações em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, enquanto em Portugal, em 1963, iniciava a sua actividade a Delegação do Entroncamento, dando apoio às OGFE, na região do Centro.
O desempenho das OGFE, durante o período da guerra, viria a torná-las num valioso instrumento na gestão do esforço de guerra, com um papel decisivo nas campanhas de África, sem o qual dificilmente teria sido possível a Portugal sustentar o conflito por um período tão longo, tendo em conta o isolamento político do País e o seu reduzido potencial económico.
Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, que pôs termo a 13 anos de guerra, as OGFE foram redimensionadas, intensificando o desenvolvimento de contactos comerciais internacionais, tendo o esforço e qualidade dos seus produtos sido reconhecido pela atribuição de prémios internacionais como o "Trofeo al mejor servicio" (8 de Maio de 1982) e o "Arab prestige trophy" (5 de Novembro de 1984).
Mais recentemente, as OGFE têm-se distinguido no apoio às forças nacionais destacadas em missões internacionais das Nações Unidas e da OTAN, desde Angola e Moçambique ao Sara Ocidental, passando pela Bósnia-Herzegovina e Kosovo, até Timor-Leste e Afeganistão.
Do cumprimento de todas as missões de apoio resultou o reconhecimento manifestado por diversas entidades militares e civis do extraordinário serviço, destacado nível de empenho e elevado profissionalismo de todos quantos têm trabalhado, o que muito tem dignificado e prestigiado a instituição militar e o País.
Um século de vivência constitui um momento oportuno e adequado para dar justo e público testemunho do que tem sido a excepcional e altamente dignificante acção das OGFE e do seu valiosíssimo contributo para o cumprimento das missões do Exército e das Forças Armadas no âmbito da Defesa Nacional e dos compromissos internacionais assumidos, o que sucessivas gerações de militares e civis souberam devotada e abnegadamente garantir.
Assim, considerando o exposto e a tão vasta, honrosa e eficaz actividade desenvolvida nas OGFE, que, ao longo de um século, têm vindo a prestar serviços extraordinários, relevantes e distintíssimos, de que, manifestamente, resultou honra e lustre para a instituição militar e para o País:
Entende-se por de mais evidente distinguir e exaltar de forma inequívoca em pública homenagem o valor da divisa "Nobis honor servire".
8 de Setembro de 2003. - O Ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Sacadura Cabral Portas.
