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Ato Original
Portaria n.º 107/2001 (2.ª série). - Ao abrigo do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 464/74, de 18 de Setembro, manda o Chefe do Estado-Maior da Armada:
1.º De harmonia com o preceituado no artigo 187.º do Regulamento da Escola Naval (Portaria n.º 471/86, de 28 de Agosto), admitir, em 13 de Outubro de 2000, como cadetes do curso vice-almirante Avelino Teixeira da Mota os cadetes candidatos a seguir mencionados, os quais foram classificados conforme o estabelecido no artigo 188.º do regulamento acima referido pela ordem seguinte:
Classe de marinha:
21000 - André Mateus de Carvalho Monteiro Faro Santana.
21100 - Isabel Maria Morris Gonçalves Bué.
21300 - Ana Laura Pacheco Queirós Cardoso.
21400 - Luís Alberto Henriques Constantino.
21500 - David Fernando Castelo Cardoso Pereira.
21700 - Hugo Filipe Bravo da Guia.
21800 - Vítor Bruno Campos Cavaleiro.
21900 - Nádia Sofia Oliveira Rijo.
22000 - Ricardo Beirão Cortez Saraiva da Rocha.
22100 - Sofia Vitoriano Saldanha Junceiro.
22200 - Ana Vanessa Santos Bernardes.
22400 - Ricardo Miguel Alves Teixeira.
22500 - Rui Pedro Robalo Franco.
804796 - Vítor Monteiro Teixeira - 1.º MAR FZ QP.
23200 - João Nuno Ferreira Fernandes.
23700 - Tiago Henriques Carinhas.
23800 - Ricardo Filipe de Oliveira Martins.
23900 - Rui Pedro Hipólito Martins.
24000 - Vera Barreiros Rocha Fernandes.
24200 - Fernando Nuno Vargas Baptista e Alves Jeremias.
24300 - Ricardo Jorge Martins Colaço.
24400 - Rita João Ribeiro de Carvalho.
402898 - Pedro Miguel Cavaca Neves - 2.º MAR L RC.
24600 - Tomé Gonçalo Fonseca Cordeiro.
24700 - Luís Filipe das Neves Cunha.
24900 - Henrique Manuel Leite Miranda.
9322998 - Luís Filipe Cardoso Nunes dos Santos - 2.º MAR L RC.
25000 - Bruno Miguel Meixedo Venâncio.
21500 - João Tiago Salvado Fialho.
25200 - Ivone Manuela de Campos Oliveira.
25400 - Ana Sofia Alface dos Reis.
25500 - Hélder Miguel Marques Araújo.
25600 - Bruno Miguel Lopes Simões.
25700 - Filipe Alexandre Reis Vieira.
26100 - Vítor dos Santos Morais Rodrigues.
26200 - Nélson Tiago dos Santos Marques.
26400 - Ester Eunice da Costa Pereira.
26500 - Bruno Miguel Caldeira Ribeiro.
26600 - Luís Carlos do Vale Alves Velho.
Engenheiros navais:
21200 - Paulo Alexandre Rosado Gaspar (ENAEL).
21600 - Miguel Mendonça de Matos (ENMEC).
22600 - João Luís Pacheco Raimundo (ENAEL).
23000 - Ricardo José Santos Veloso (ENAEL).
23300 - Filipe dos Santos Abreu Gomes (ENAEL).
23500 - Bruno Manuel Correia Canha (ENAEL).
24100 - Dinis Marques Belo (ENMEC).
24500 - Tiago Rodrigues Quitério (ENAEL).
24800 - Tito Fernandes Vieira (ENMEC).
25800 - Ricardo Januário de Sousa (ENAEL).
25900 - Rui Miguel Guilherme Marques Farinha Pereira (ENAEL).
26000 - Pedro Miguel Frazão Cabral (ENMEC).
26300 - Rui Manuel de Almeida Valverde (ENMEC).
26700 - Milton Modesto Rocha (ENMEC).
Administração naval:
20300 - Ana Maria Vardasca Barbosa Queirós.
20900 - António Joaquim Nunes Cardoso.
22300 - Sílvia de Jesus Martins Seno.
22700 - Ana Filipa de Jesus Simões Feijão.
22900 - Sandra Marisa da Silva Cruz.
23100 - Nélson Ricardo Martins Pereira.
Fuzileiros:
22800 - Paulo Alexandre Neiva Gomes.
23400 - Philippe Dias.
Médicos navais:
20100 - Sónia Lopes Pereira.
20200 - Diana Catarina Pinheiro Fernandes.
20400 - Jaime Novais de Magalhães Santos.
20500 - Cátia Eliana Lopes Magro.
20600 - Jorge Carlos da Costa Lourenço.
20700 - Sérgio Miguel Fernandes Teresinho de Sá.
20800 - Tânia Maria Meira Carvalho.
26800 - Isabel Maria de Mendonça Rosa.
2.º Adoptar como patrono para os referidos cursos, de acordo com o disposto no artigo 178.º do Regulamento da Escola Naval, o vice-almirante Avelino Teixeira da Mota.
Avelino Teixeira da Mota nasceu em Lisboa, a 22 de Setembro de 1920, efectuando os estudos secundários no Liceu Passos Manuel e ingressando na Escola Naval em 1939 como cadete da classe de Marinha. Em 1942 foi promovido a guarda-marinha e o seu estudo-memória do tirocínio para segundo-tenente versou sobre um tema de história marítima, que viria a merecer um rasgado elogio do então almirante Gago Coutinho e uma recomendação para que fosse publicado a expensas da própria Marinha. Tratava-se de um critério e inédito trabalho histórico sobre a possibilidade de cálculo da longitude terrestre segundo um processo aventado no século XVI pelo português Francisco Faleiro, um dos acompanhantes de Fernão de Magalhães na sua viagem de circum-navegação. O estudo viria a constituir a primeira obra publicada de uma extensa bibliografia que Teixeira da Mota viria a acumular ao longo de uma vida dedicada ao estudo da história da náutica e da cartografia, do processo dos descobrimentos e da expansão portuguesa nos séculos XV e XVI e da história de África, com especial relevo para a parte ocidental desse continente.
Em Outubro de 1943, frequentou na Escócia um curso de defesa anti-submarina e nos anos que se seguiram foi oficial de guarnição da canhoneira Lagos e dos contratorpedeiros Dão e Lima. Em 1946, ao serviço do Ministério do Ultramar, estava na então Guiné portuguesa, de que era governador o comandante Sarmento Rodrigues, devendo-se à iniciativa e esforço destes dois oficiais a criação do Centro Cultural da Guiné portuguesa que, de imediato, iniciou a publicação de um boletim trimestral e de memóris esparsas, algumas delas assinadas pelo próprio Teixeira da Mota. A Guiné, aliás, viria a constituir uma paixão deste notável oficial de marinha, que a ela dedicou alguns dos seus mais brilhantes estudos publicados, como sejam O Descobrimento da Guiné e A Guiné Portuguesa, este último um trabalho de investigação histórica e antropológica sem par. Até 1957, desempenhando missões de diversa ordem, sempre a sua carreira esteve ligada à Guiné e a ela se deve a organização e realização em Bissau da 2.ª Conferência Internacional de Africanos Ocidentais, onde se reuniram peritos e estudiosos de todo o mundo. A par com a carreira de um brilhante oficial de marinha, desenhava-se o perfil do investigador, estudioso, historiador e humanista, discreto no próprio brilhantismo e cimentando um prestígio nacional e internacional expresso nos inúmeros convites, participações e colaborações em instituições científicas nacionais e estrangeiras. Teixeira da Mota foi membro da Academia Portuguesa de História, da Academia das Ciências de Lisboa, membro do Conselho Superior Científico do Institut Français d'Afrique Noir, representante português e conselheiro da Comission Internationale d'Histoire Maritime, membro correspondente da Real Academia de la História de Madrid, membro da Comissão Internacional de História da Náutica e da Hidrografia, sócio da Society of Discouveries, e integrou muitas outras instituições nacionais e internacionais que seria fastidioso enunciar exaustivamente. Em 1969 integrou o Grupo de Estudos de História Marítima, estrutura que viria a dar origem, em 1970, ao Centro de Estudos de Marinha e, em 1978, à actual Academia de Marinha, de que foi presidente de 1978 a 1980.
A estima e consideração que mereceu em Portugal e no estrangeiro fizeram com que fosse incessantemente convidado para conferências, colóquios e congressos sobre temas relacionados com a História Africana, História da Cartografia Antiga e História da Expansão Marítima Europeia dos séculos XV, XVI e XVII, a ele se devendo a colaboração em prestigiosas obras. Em Portugal, para além dos trabalhos já citados, é de referir a organização da grande Portugaliae Monumenta Cartographica, obra em cinco volumes publicada em 1960 (aquando das comemorações do quinto centenário da morte do Infante D. Henrique) em parceria com o professor Armando Cortesão.
O vice-almirante Teixeira da Mota desempenhou funções docentes na Escola Naval entre 1959 e 1964, acompanhando a reforma que a mesma efectuou na altura, e foi regente da cadeira de História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Em 1976, com o posto de capitão-de-mar-e-guerra, passou à situação de reserva, ficando na efectividade de serviço, mas os seus méritos não viriam a ser esquecidos, e em Setembro de 1981 foi promovido por distinção ao posto de vice-almirante.
Avelino Teixeira da Mota morreu a 1 de Abril de 1982, legando à Biblioteca Central de Marinha um imenso e valioso espólio de Cerca de 15 mil livros, que constituíam a sua biblioteca privada e que hoje estão disponíveis para consulta pública.
18 de Janeiro de 2001. - O Chefe do Estado-Maior da Armada, Nuno Gonçalo Vieira Matias, almirante.