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Ato Original
Portaria n.º 920/2001 (2.ª série). - Em 1958, a Marinha de Guerra Portuguesa incorporou nos seus quadros os primeiros oficiais da reserva naval, dando início a um ciclo que se prolongaria por dezenas de anos ao longo da 2.ª metade do século XX.
Cerca de 3000 universitários ombrearam desde então com os oficiais do quadro permanente, ocupando os mais variados cargos, incluindo comandos de unidades navais, nos cenários do continente Europeu, em teatros de guerra do ultramar ou em missões de soberania em Macau e Timor.
No mar ou em terra, frequentemente afastados dos seus interesses mais directos e até isolados em longas comissões, os oficiais da reserva naval integraram-se na melhor e mais viva das tradições navais, dominando dificuldades, em áreas científicas e técnicas, em teatros de paz e guerra.
A actuação destes oficiais foi destacada em centenas de louvores e de condecorações que lhes foram outorgados, muitos em consequência de acções em combate, mas igualmente em áreas técnicas onde mais se fazia sentir a carência da Marinha em meios humanos.
Tendo-lhes sido confiados cargos e missões da mais alta responsabilidade militar, souberam elevar bem alto as mais nobres qualidades do marinheiro, mantendo desde a primeira hora um espírito de camaradagem, lealdade e vontade de bem servir, que, no plano dos princípios, continua a inspirar referências e a ocupar um destacado lugar no imaginário de muitos oficiais da Armada.
Passados que foram 37 anos desde que o primeiro curso franqueou as portas da Escola Naval, os oficiais da reserva naval tornaram a decisão de se reunir de novo, fundado a sua associação, num movimento de cidadãos livres que constitui um acto espontâneo de respeito pelo mar, de devoção à Marinha e ao País e de luta pela preservação de valores.
Criaram então a AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval e a partir de 14 de Julho de 1995 a sua actividade tem sido reveladora do elevadíssimo nível moral, cultural e cívico dos seus membros, na linha de actuação do tempo em que envergaram e enobreceram a farda do botão de âncora.
O levantamento da sua história, com a recolha constante e criteriosa de documentos que virão a curto prazo a constituir um valioso museu evocativo da própria história naval na 2.ª metade do século XX; a permanente divulgação das questões relativas ao mar, promovendo debates e conferências com a intervenção de elementos da Marinha e da sociedade civil, privilegiando o meio estudantil universitário; os estudos e projectos que permitem à Marinha o apoio na recuperação e preservação de alguns dos seus mais emblemáticos edifícios; as missões de contacto com as marinhas de guerra de Angola, de Moçambique e da Guiné, elevando o nome da Marinha Portuguesa naqueles novos países; a colaboração com a Escola Naval em actos de formação dos futuros oficiais e a defesa constante da Marinha junto da sociedade civil, para além do cumprimento dos seus próprios deveres estatutários fazem da AORN um corpo civil com raízes profundas na Marinha de Guerra que honra esta instituição e constitui motivo de grande orgulho merecedor do reconhecimento público e oficial da Armada, pelo que, nos termos do artigo 3.º do Decreto n.º 49052, de 11 de Junho de 1969, concedo a medalha naval de Vasco da Gama à Associação dos Oficiais da Reserva Naval.
3 de Maio de 2001. - O Chefe do Estado-Maior da Armada, Nuno Gonçalo Vieira Matias, almirante.