141 - No presente capítulo apresentam-se as principais acções da responsabilidade dos diversos sectores da Administração que em 1991 irão dar corpo à estratégia e às opções atrás enunciadas.
A estruturação do capítulo obedece às três Grandes Opções do Plano para 1991:
Afirmação de Portugal no Mundo;
Modernização e crescimento sustentado da economia;
Dimensão social e qualidade de vida do cidadão.
Afirmação de Portugal no Mundo
Defesa Nacional
142 - A política de Defesa Nacional tem um carácter interdepartamental com duas vertentes distintas, concorrentes e complementares - a interna e a externa; em ambas contribuem de forma adequada e nas áreas de actuação específicas, as componentes militar e não militar da defesa, numa perspectiva de valorização do potencial estratégico nacional mobilizável que amplie, quanto possível, no contexto das relações internacionais o nosso poder negocial. No âmbito da segurança europeia e da defesa nacional, a afirmação de Portugal passa pela assumpção de objectivos políticos a nível do Estado que encontrem correspondência credível com a vontade nacional, com os meios disponíveis para a sua execução e ainda, pela existência de um potencial e uma preparação militar adequados á consecussão desses objectivos.
A nova situação internacional e nacional justifica a reavaliação do enquadramento legal e conceptual da Defesa Nacional designadamente, a Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas, o Conceito Estratégico de Defesa Nacional e o Conceito Estratégico Militar. De igual modo torna-se necessário dinamizar e acelerar o esforço de reestruturação e modernização das Forças Armadas iniciado nos últimos anos.
Portugal valoriza os mecanismos de segurança colectiva e terá um papel activo nas estruturas de comando e planeamento da NATO e da UEO e em todos os organismos que a institucionalização da Conferência Sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) venha a constituir.
Por outro lado, importa reforçar e racionalizar a prática da cooperação técnico-militar com os PALOP visando equilibrar as acções de formação em estabelecimentos militares portugueses com a deslocação de equipas técnicas aos territórios dos PALOP.
As principais linhas de actuação a prosseguir no âmbito da política de Defesa são as seguintes:
No Quadro das Componentes não Militares:
Promover o reforço da vontade de defesa, pelo aprofundamento do conhecimento dos interesses permanentes nacionais, pelo alargamento do consenso nacional em matéria de defesa e ainda por um relacionamento activo da sociedade portuguesa no debate, clarificação e aceitação desses mesmos valores. Para isso serão levadas a cabo as seguintes medidas:
Prosseguimento do Grande Debate Público sobre Defesa Nacional - «Defesa Nacional: Anos 90»;
Actuação de forma continuada do Grupo de Reflexão Estratégica;
Publicação das Comunicações e Textos de Apoio resultantes do Debate Nacional e das Jornadas de Defesa a realizar no final de 1990;
Apoio à criação de Estudos Estratégicos nas Universidades;
Prosseguir o esforço de modernização e reconversão das indústrias de defesa e estabelecer incentivos e apoios à investigação científica e ao correspondente desenvolvimento tecnológico. Essa actividade será levada a cabo através de:
Apoio à investigação e desenvolvimento de projectos de interesse militar, valorizando sempre que possível, a transferência de tecnologia derivada para a indústria nacional e sua utilização na área civil;
Estudo e eventual recolocação de indústrias de defesa, tirando partido da aptidão industrial disponível a nível regional e exercendo uma articulação harmónica entre aquelas indústrias e o desenvolvimento económico nacional;
Procedimento adequado que permita estabelecer incentivos para o fornecimento de bens e serviços às Forças Armadas pela indústria nacional;
No âmbito da cooperação com os PALOP, facilitar às indústrias de defesa e outras indústrias nacionais, a supressão de carências daqueles Estados, em condições mutuamente vantajosas e impulsionando a articulação interministerial, quando necessário;
Dinamização das acções de planeamento e reforço de meios, no domínio do Planeamento Civil de Emergência;
Lançamento de acções no âmbito da Cooperação Civil-Militar, tendo em vista a obtenção da adequada articulação e centralização das entidades e dos meios destinados a Missões de Interesse Público.
No Quadro das Forças Armadas:
Prosseguir a reestruturação e redimensionamento das Forças Armadas através da:
Concretização das acções de implementação da estrutura orgânica do Ministério da Defesa Nacional em paralelo com a redefinição da estrutura superior das Forças Armadas e com a elaboração de um projecto da Lei de Bases da Organização das Forças Armadas;
Redefinição do sistema de forças e do dispostivo, numa primeira fase, através da concentração de instalações fora dos centros urbanos e consequente alienação do património, designadamente de Lisboa;
Definição do sistema logístico e de instrução das Forças Armadas, prevendo inclusive a integração de órgãos e serviços afins de ramos diferentes;
Implementação de um novo conceito de SMO, articulado com a indispensável reestruturação das Forças Armadas;
Concretização de acções no âmbito do redimensionamento e adequada gestão na área do pessoal pela execução plena do EMFA, do diploma dos Quadros Permanentes dos Ramos para o período de 1990-1992 e pelo diploma que cria o Fundo de Pensões dos Militares das Forças Armadas;
Definição das forças e meios para participação nas estruturas e forças de defesa colectiva, designadamente em forças multinacionais, bem como para eventual participação em acções de paz no quadro da ONU;
Continuar o esforço de reequipamento e modernização do instrumento militar, através do lançamento das bases para a segunda Lei de Programação Militar com vista a:
Atingir os padrões de eficiência e eficácia que garantam a capacidade dissuasora, autónoma, credível, através da modernidade dos meios postos à disposição das Forças Armadas, do treino e das possibilidades tácticas adequadas e da tecnologia acessível;
Constituir, pela sua modernidade e tecnologia utilizada, factor de motivação e atracção para a juventude portuguesa, como forma de contribuir para a sua valorização e facilitar a implementação do novo conceito do Serviço Militar Obrigatório (SMO);
Apoiar e incentivar a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico, envolvendo o sistema científico e a indústria nacional, deforma a aumentar a participação nacional na satisfação das necessidades das Forças Armadas;
Apoiar a indústria nacional no acesso aos mercados de defesa europeia e americana, bem como a cooperação industrial com os PALOP no domínio da defesa;
Optimizar os recursos orçamentais através do aperfeiçoamento da composição interna do orçamento, do reequilíbrio das despesas militares em pessoal, equipamento, infra-estruturas, manutenção e operação e, ainda, de acções no campo da racionalização de despesas e economia nas aquisições, implementando um regime de compras conjuntas para a Defesa Nacional;
Desenvolver um Sistema de Convocação, Mobilização e Requisição que garanta a ampliação do Sistema de Forças, tendo em conta a redução do SMO, a par da constituição de reservas estratégicas e de um sistema de sustentação de Forças que assegurem em caso de crise ou guerra, o seu equipamento, armamento e funcionamento de forma contínua, durante um período considerado mínimo indispensável.
Relações externas
143 - A acção externa de Portugal vai ser profundamente marcada, em 1991, pelo envolvimento no processo de Construção Europeia, quer no que respeita à fase final do Mercado Interno, quer através da participação das duas Conferências Intergovernamentais, sobre a União Económica e Monetária e sobre a União Política, quer ainda pela preparação da Presidência Portuguesa em 1992.
Uma segunda vertente chave diz respeito ao aprofundamento da política de cooperação e de, um modo geral, da dimensão africana da política externa portuguesa, como elemento fundamental para o reforço da nossa identidade político-diplomática.
A acção das Comunidades Portuguesas permitirá, por sua vez, multiplicar a presença e influência portuguesa no Mundo.
144 - A dois anos da data prevista para a completa realização do Mercado Interno, pode afirmar-se que se trata de um processo claramente irreversível.
O claro empenhamento político com que os Estados membros anunciaram a concretização deste objectivo, essencial para o aprofundamento do processo de integração, permitiu a aprovação de cerca de 70% dos actos previstos no livro branco, alguns de grande impacte na actividade económica como é o caso daqueles que se referem à harmonização técnica dos produtos industriais. No entanto, perspectivam-se ainda negociações num conjunto de matérias que vão desde o domínio veterinário e fitossanitário até à fiscalidade.
Em particular quanto a este último, de grande sensibilidade dadas as implicações directas sobre os orçamentos nacionais, prevê a adopção de propostas: ao nível da fiscalidade directa, tendentes a facilitar e promover a cooperação entre empresas e ao nível da fiscalidade indirecta, através da aproximação das taxas do IVA e dos impostos específicos.
Nesta caminhada final para a abolição das fronteiras no interior da Comunidade, deverão também merecer especial atenção os actos que permitem concretizar a completa liberdade de circulação de pessoas.
Apesar de estarem em discussão matérias importantes, como a segurança das fronteiras, o direito de asilo ou as políticas nacionais de vistos, a Comunidade tem de encontrar a vontade política necessária para adoptar decisões, evitando que o mercado interno se circunscreva a uma mera relação de carácter mercantil.
O Mercado Interno, entendido como grande espaço de liberdade e de progresso, tem de fazer também apelo à mobilização e participação dos trabalhadores.
É neste contexto que a Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais e o seu programa de acção constituem passos decisivos em direcção a uma política social mais coordenada que permita a melhoria substancial das condições de trabalho dos cidadãos comunitários.
145 - O objectivo da criação da UEM corresponde a mais um passo na caminhada da integração europeia iniciada nos anos 50. A UEM permitirá consolidar as vantagens decorrentes do mercado interno, podendo contribuir também para melhorar a eficiência económica e o bem-estar no espaço comunitário e para reforçar a posição da Comunidade no Mundo. O reforço da coesão económica e social constitui um elemento decisivo para a estabilidade da UEM.
A Conferência Intergovernamental relativa à UEM foi convocada, no Conselho Europeu de Estrasburgo, para Dezembro próximo.
Indiscutivelmente um poderoso facto de integração, a UEM é um passo que, a ser dado, elevará a níveis até agora não alcançados a unidade e coesão das políticas dos Estados membros, na perspectiva de uma gestão posta em comum dos instrumentos económicos e monetários. A conferência deveria, portanto, implantar os mecanismos institucionais adequados a uma administração daquelas competências, independente e isenta, mas democraticamente responsável. Por outro lado, haveria de introduzir os mecanismos correctores que assegurem o respeito por uma justa hierarquia de objectivos no âmbito da UEM.
Não tendo o progresso na via da UEM sido considerado suficiente em diversos sectores, aumentou a pressão no sentido que se procedesse também a uma reforma dos Tratados Comunitários com directa incidência no sistema institucional, por forma a aumentar a sua eficiência, a sua democraticidade e a reforçar a coerência das diversas vertentes da acção externa da Comunidade e dos seus 12 Estados membros. Sob a designação de União Política, esta problemática foi objecto de análise pelos Chefes de Estado e do Governo que, em Dublin, tomaram a decisão de convocar uma segunda conferência intergovernamental para Dezembro próximo.
No âmbito desta eventual revisão do Tratado, a matéria a tratar subdivide-se em quatro grandes capítulos: aspectos gerais da União Política (incluindo nomeadamente as questões do alargamento das competências e responsabilidades comunitárias, a aplicação do princípio da subsidiariedade ou o estatuto da cidadania comum); a legitimidade democrática da União; o reforço da eficácia interna na resposta comunitária às novas solicitações, e o aumento da coerência da acção externa da Comunidade (porventura definindo-se para tanto novos mecanismos de decisão ou de articulação institucional).
Será do conjunto das respostas que sejam dadas aos problemas identificados que se poderá apurar no final o resultado que na conferência se alcançou, na direcção do objectivo último da União Europeia.
146 - A condução da Presidência Portuguesa - processo complexo e difícil, que requer um conhecimento profundo de uma realidade comunitária em permanente transformação, em todas as suas variáveis e com exigência de resposta pronta à pressão dos desafios externos - constituirá uma prioridade absoluta da política externa portuguesa e um facto de inegável prestigio para Portugal, designadamente no plano internacional.
Independentemente das inevitáveis adaptações que continuamente haverá que introduzir relativamente às opções políticas de fundo que marcarão o estilo da nossa presidência, há um conjunto de iniciativas e de balizas que podem ab initio constituir-se como orientadoras da Presidência Portuguesa:
A exigência de um rigor técnico muito cuidado na condução dos trabalhos do Conselho, designadamente na formação de decisões (rigor ainda mais exigido a um pequeno país que enfrenta pela primeira vez essa tarefa);
A conveniência de uma articulação muito estreita e atempada com a Comissão e com o Secretariado-Geral do Conselho, entidades determinantes neste exercício;
A imperiosidade de fazer desse período de seis meses uma época de afirmação do nosso país na Europa comunitária, e em todo o Mundo, na linha da vocação universalista que tem sido nosso timbre, fazendo da Presidência veículo e instrumento de prestígio de Portugal, especialmente nas áreas prioritárias da nossa acção externa;
A vantagem de assumir postura claramente favorável ao aprofundamento da integração europeia;
A conveniência de fazer desses seis meses um período de busca de consensos, evitando a marginalização ou isolamento de qualquer Estado membro;
A exigência de cuidado e prévia concertação com a Holanda que antecede e o Reino Unido que segue a nossa presidência;
A necessidade de dispor de uma «programação» muito pormenorizada da gestão dos diversos dossiers, sem prejuízo em assegurar a capacidade mínima de resposta ao imprevisto sempre emergente no curso de qualquer presidência;
A importância dos aspectos logísticos, emblemáticos e protocolares, que, só por si, podem ser causa do sucesso, ou do fracasso, de uma presidência.
Em 1991 ir-se-á intensificar a preparação da Presidência, estando identificadas ou em curso várias acções, das quais cumpre destacar:
O aperfeiçoamento do edifício institucional através de uma coordenação mais eficaz dos assuntos comunitários, tanto a nível político como a nível técnico, sem esquecer que a participação portuguesa na vida comunitária deve ser perspectivada à luz, não só das duas múltiplas incidências específicas e sectoriais, mas também da orientação global que prevaleça sobre a integração europeia.
A coordenação e a tomada de decisões em matéria de integração europeia faz-se nas instâncias governamentais e técnicas próprias, ou seja: Conselho de Ministros para os Assuntos Comunitários, cuja intervenção no plano da presidência se desenvolve no âmbito da definição das linhas de orientação política e de coordenação e acompanhamento, a nível político, das matérias relevantes de integração europeia; Comissão Governamental para os Assuntos Comunitários, a qual assegure a coordenação intergovernamental, a nível político, no respeito das deliberações e orientações do Conselho de Ministros; e Comissão Interministerial das Comunidades Europeias, entidade principal da coordenação interdepartamental, concertação e definição das orientações que, a nível técnico, devem presidir à posição portuguesa face aos diversos dossiers comunitários.
Finalmente, em termos de iniciativa e de acompanhamento das diversas acções da preparação da Presidência Portuguesa, cabe uma especial responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros;
Um plano intensivo de formação de funcionários da administração pública (envolvendo cerca de 1500 elementos) que parte da convicção de que é da qualidade dos recursos humanos que depende o rigor e a eficácia que se imprime à presidência, bem como o cabal e completo desempenho de todas as tarefas directa ou indirectamente relacionadas com o exercício da mesma.
O plano em curso reflecte um duplo conceito de acção de formação, valorizando quer a transmissão de conhecimentos sobre matérias específicas, com vista a uma melhoria qualitativa do desempenho de funções, quer a divulgação de informação de natureza mais genérica, com o objectivo de sensibilizar para a importância da primeira Presidência Portuguesa, todos os funcionários nacionais envolvidos;
Um plano logístico, envolvendo todos os meios materiais, preparatórios ou ao serviço da presidência que suportam o seu exercício e que, juntamente com os aspectos políticos e técnicos de carácter substancial, projectam a presidência interna e externamente com o objectivo de criar uma imagem que constitua fonte de orgulho nacional e de prestígio internacional.
Cabe destacar, para além de um grande número de acções correntes envolvidas nesta temática, aquelas que, pela sua importância e envergadura merecem realce: o Projecto do Centro Cultural de Belém, concebido para encontros ao mais alto nível, a optimização do sistema de telecomunicações, o estabelecimento de uma rede informática e o plano de iniciativas de carácter social, cultural e de promoção turística a desenvolver interna e externamente.
147 - A imagem tradicional da Cooperação como acção num só sentido não corresponde já à realidade. Com efeito, e necessário encontrar o ponto de equilíbrio que permita o seu desenvolvimento através de acções mutuamente vantajosas para as entidades receptoras, bem como para as doadoras. Esse desenvolvimento só é porém possível pela manutenção e aprofundamento de um profícuo diálogo, a todos os níveis, entre os interessados, de forma a possibilitar a racionalização das nossas disponibilidades e a sua adaptação ao quadro de desenvolvimento global soberanamente definido pelos países beneficiários da ajuda. É esse caminho que Portugal tem trilhado, através da definição de «programas-quadro» de cooperação, cujo objectivo é justamente o de fornecer a necessária visão de conjunto e permitir a indispensável articulação das actuações.
A política portuguesa de cooperação continuar-se-á a desenvolver, como tradicionalmente sucede, em dois planos paralelos: o sócio-cultural e o técnico-económico.
No domínio sócio-cultural a cooperação constitui elemento essencial para a definição de uma estratégia de defesa da cultura portuguesa. Nessa perspectiva continuar-se-á a empreender um esforço particular no domínio da língua portuguesa, património comum e elo de ligação entre milhões de seres humanos espalhados por todo o Mundo. Serão assim privilegiados programas de cooperação centrados na língua, os quais poderão servir de base para outras acções noutras áreas sócio-culturais e mesmo de outra natureza.
Mas, no plano sócio-cultural outras áreas merecerão atenção e empenho através da dinamização de novas acções e da implementação global das que estão já em curso, nelas se incluindo domínios como os da saúde, da justiça, da juventude, das Forças Armadas e da Administração Pública.
No domínio técnico-económico temos como objectivo contribuir para a interpenetração entre os agentes económicos portugueses e dos países beneficiários, de forma a promover o investimento directo produtivo e a contribuir para a concretização dos objectivos de desenvolvimento fixados soberanamente por cada país.
Nesse sentido, Portugal continuará a apoiar, dentro das suas possibilidades, as acções em áreas cuja expansão é indispensável para atingir um estádio de desenvolvimento económico auto-sustentado, como as infra-estruturas básicas ou a aposta na formação técnico-profissional de recursos humanos.
Para atingir todos os objectivos fixados apostar-se-á decididamente na exploração de alguns factores nos quais gozamos de alguma vantagem comparativa relativamente a outros países, como o conhecimento profundo das áreas onde as acções se desenvolvem ou o facto de dispormos de um nível tecnológico intermédio, adequado, por isso, a mais rapidamente suprir as necessidades com que os países beneficiários se defrontam.
Igualmente será concedida acrescida importância à nossa participação nos organismos multilaterais vocacionados para o auxílio ao desenvolvimento, de cujos financiamentos para o apoio a projectos concretos poderão e deverão beneficiar os agentes económicos nacionais. Tanto mais que o processo de integração económica mundial que sofre a todo o momento evoluções surpreendentes, bem como a criação de novos e abertos espaços económicos que se perspectivam, exigem o envolvimento de todos os países de um modo integrado e eficaz, o qual é grandemente facilitado pela acção concertada daqueles organismos internacionais.
No contexto dos princípios e objectivos assim definidos as acções a empreender situar-se-ão nos seguintes domínios:
Plano sócio-cultural:
Concessão de um contingente de 1050 bolsas para frequência de estabelecimentos de ensino e 170 para formação profissional;
Continuação do apoio ao funcionamento do Hospital Agostinho Neto em São Tomé e Príncipe;
Intensificação da Cooperação Técnico-Militar, nomeadamente através da concessão de bolsas para formação de oficiais e sargentos;
Apoio ao funcionamento da Escola de Direito de Bissau;
Conclusão das acções preparatórias do lançamento da Telescola em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe;
Apoio ao funcionamento do Centro de Formação de Professores do Ensino Secundário na Praia;
Início do funcionamento e equipamento do Centro Cultural de Luanda;
Auxílio às estações emissoras de TV da Guiné-Bissau São Tomé e Príncipe e Cabo Verde;
Continuação do apoio à recuperação da Cidade Velha em Cabo Verde;
Intensificação do Programa África de apoio prioritário ao ensino da língua portuguesa;
Continuação do envio de professores cooperantes para o ensino da língua portuguesa;
Apoio aos projectos de reforma curricular na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe;
Continuação do apoio ao funcionamento do Centro de Medicina Tropical em Bissau.
Plano técnico-económico:
Concessão de bolsas de formação técnico-profissional;
Apoio ao funcionamento do Centro de Estudos de Estatística para o desenvolvimento e à criação de Centros de Formação em Estatística de nível médio em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau;
Continuação da elaboração dos relatórios sectoriais e dos trabalhos de natureza macroeconómica destinados ao Plano de Recuperação Económica de Angola;
Prosseguimento dos estudos sobre as potencialidades hidroeléctricas da Bacia do Rio Zambeze;
Continuação dos trabalhos relativos à Bacia do Rio Cunene;
Continuação do apoio ao projecto do Centro Experimental e Fomento Frutícola do Quebo na Guiné-Bissau;
Apoio aos trabalhos de reabilitação dos caminhos de ferro de Nacala e Lobito;
Apoio às obras de arranque das pistas do Príncipe e de São Tomé;
Implementação do arranjo monetário com a Guiné-Bissau;
Apoio aos projectos de cooperação regional no âmbito da Convenção do Lomé;
Estruturação definitiva do sistema financeiro de apoio à Cooperação, através da institucionalização do Fundo para a Cooperação.
148 - Em relação às Comunidades Portuguesas a grande aposta que, no limiar do século XXI, se coloca a Portugal é de afirmar a importância daquelas Comunidades no Mundo, o que passa, necessariamente, por uma significativa sensibilização da opinião pública nacional e das próprias comunidades.
Este desafio comporta uma dupla vertente: a preservação e a divulgação da língua e da cultura portuguesas e o reforço do peso social, político e económico nas sociedades de acolhimento.
É imperioso reconhecer que a informação sobre Portugal é de primordial importância para os portugueses residentes no estrangeiro, com vista ao estreitamento da sua ligação à Pátria.
Por outro lado, os portugueses que residem em Portugal têm de conhecer as suas comunidades, sabendo concretizar o que melhor as define e enriquece e ajudando a aproximá-las entre si.
É ainda indispensável que se possa dialogar com estruturas verdadeiramente representativas das Comunidades Portuguesas, onde tenham assento todas as categorias sociais, todos os grupos sócio-profissionais e cujos membros sejam periodicamente renovados. A força económica e financeira que detêm tantos dos portugueses espalhados pelo Mundo deve ser institucionalizada como grupo de interesse, lobby que verdadeiramente representa essa força.
Finalmente, importará também atender à particular situação dos luso-descendentes. Como é sabido, o decorrer do tempo e a fixação dos portugueses no estrangeiro criaram uma nova realidade sociológica. Em muitos casos, o distanciamento desses portugueses em relação às suas próprias comunidades e a Portugal é preocupante. Mas, qualquer acção neste domínio deverá ser precedida por um aturado estudo da realidade, por forma a proporcionar uma actuação fundamentada em bases sólidas.
Para tanto, são os seguintes os objectivos e acções da política nacional para as Comunidades Portuguesas, a atingir e implementar:
No âmbito da defesa e divulgação da língua e cultura portuguesas:
Realizar a Exposição das Comunidades Portuguesas «Portugal-Portugal» que visa dar a conhecer, aos portugueses residentes no continente e nas regiões autónomas, o papel das Comunidades Portuguesas como agentes culturais, como elementos difusores da língua e cultura portuguesas e a sua obra nos domínios da economia, da tecnologia, da solidariedade social e do desporto;
Apoiar e divulgar os trabalhos elaborados ao abrigo do Programa de Apoio à Investigação na área das migrações e das Comunidades Portuguesas, criado com o objectivo de estimular a reflexão e a investigação científica de carácter universitário sobre temas relativos às migrações e às Comunidades Portuguesas;
Lançar uma campanha de sensibilização e motivação dos portugueses residentes no estrangeiro, para o desempenho do papel que lhes cabe como importantes agentes culturais (e não apenas agentes económicos), quer em relação às próprias comunidades, quer relativamente às sociedades de acolhimento;
Encorajar e apoiar a iniciativa das associações de portugueses na realização de projectos de índole cultural que se revelem de especial interesse para a divulgação da nossa língua e cultura, bem como o ensino do português junto das Comunidades;
Diligenciar junto dos países de acolhimento a integração do ensino do português nos respectivos sistemas educativos.
No âmbito da salvaguarda do princípio da igualdade entre todos os portugueses e da defesa e exercício dos direitos daqueles que vivem no estrangeiro:
Melhorar as condições de recenseamento eleitoral no estrangeiro e propor as medidas legislativas e administrativas adequadas a uma efectiva igualdade de direitos políticos entre residentes e não residentes;
Aprofundar o projecto de «Informação Triangular», desenvolvendo a circulação das notícias entre Portugal e as Comunidades Portuguesas, destas entre si e para Portugal;
Criar condições favoráveis à reinserção sócio-cultural dos que decidam regressar;
Criar uma Confederação Mundial dos Empresários das Comunidades Portuguesas;
Dotar as estruturas representativas das Comunidades Portuguesas das características indispensáveis para que possam funcionar como grupo de pressão para negociar com as autoridades dos países de acolhimento;
Revitalizar as estruturas que, no estrangeiro nos locais onde estão implantadas as mais numerosas e expressivas Comunidades de Portugueses intervêm na defesa dos seus interesses junto das autoridades locais e prestam o apoio necessário à resolução de problemas vários com que aquelas se confrontam.
A sua prossecução envolve a concretização das seguintes acções a nível intermédio:
Redefinição da rede consular e reequipamento dos postos consulares e modernização das respectivas instalações;
Revisão da legislação vigente em matéria consular e uniformização das práticas e actos consulares;
Recrutamento e formação profissional dos funcionários consulares, dignificação dos respectivos estatutos e integração dos postos consulares onorários na rede consular activa.
No que respeita aos luso-descendentes:
Proceder ao levantamento exaustivo das questões e problemas a eles referentes, definindo e iniciando a execução de um plano de acção mobilizador e cativador dos mesmos;
Desenvolver uma campanha de sensibilização de todos os portugueses, designadamente dos radicados no estrangeiro, fomentando a sua colaboração e participação activa naquele plano de acção.
Cultura, língua, património e descobrimentos
149 - No actual contexto de mudanças profundas urge reafirmar a identidade cultural de cada povo, valorizando as suas formas tradicionais de cultura, não esquecendo todavia o seu apego à modernidade e às exigências do desenvolvimento, defendendo e projectando a língua portuguesa e conservando e valorizando o património nacional. Destaca-se ainda a comemoração dos descobrimentos, factor determinante da nossa herança cultural e elemento de afirmação dos valores histórico-culturais.
Neste pressuposto é fundamental levar a cabo nos planos interno e externo uma série de acções que contribuam para a reafirmação da identidade cultural de Portugal, e que promovam a simbiose entre a preocupação da afirmação das nossas raízes culturais e a projecção da vivência e produção artística, como vector de progresso e desenvolvimento. Continuará a ser dada particular atenção à criação das infra-estruturas culturais e à melhoria do acesso aos bens culturais por todos os portugueses, a par de um esforço de projecção internacional da cultura portuguesa, valorizando-se, assim, os laços que nos unem a outros espaços geográficos, em particular aos países lusófonos, numa política de projecção da nossa imagem junto dos nossos parceiros comunitários.
Nestes termos, as medidas a lançar no próximo ano terão em vista promover:
A conservação e salvaguarda do património arquitectónico para o que contribuirá decisivamente o Programa de Infra-Estruturas Turísticas e Equipamentos Culturais (PRODIATEC), co-financiado pela CEE, o qual traduz uma experiência-piloto a nível comunitário no apoio ao sector da cultura. Serão assim desencadeadas acções relativas à construção e adaptação de um conjunto de importantes monumentos, museus e castelos. De entre estas serão de destacar as obras no Mosteiro de Tibães e Convento de Cristo, a melhoria da rede de museus e as obras de melhoramento do Teatro Nacional D. Maria;
A protecção ao património móvel, estimulando as formas tradicionais de produção artística em todo o país e revitalizando as regiões através da disseminação de centro de restauro, que funcionarão em permanente contacto com os Institutos Politécnicos;
A inventariação, tão exaustiva quanto possível, do património cultural móvel nacional de forma a poder salvaguardá-lo;
A inventariação do património móvel da igreja e das misericórdias que será objecto de um protocolo a assinar com a Conferência Episcopal, cujo projecto decorre presentemente para apreciação das entidades eclesiásticas. Em caso de manifesta necessidade será facultada à Igreja assistência financeira com vista à conservação e divulgação do referido património;
A recuperação de espaços cénicos em localidades de província, por forma a permitir a itinerância de companhias da capital e dinamizar a actividade teatral no País, através de manifestações da «Cidade Capital do Teatro»;
A construção de bibliotecas no País, por forma a consolidar uma rede básica de leitura;
A instalação de arquivos distritais em instalações adequadas afim de contribuir para a modernização da rede nacional de arquivos;
A projecção da cultura nacional através de:
Definição da cultura como um dos principais vectores da Presidência Portuguesa das Comunidades em 1992;
Participação na Europália/91, a realizar na Bélgica e dedicada a Portugal;
Participação na exposição CIRCA/92, em Washington, uma manifestação em que se realce a contribuição dos portugueses para a descoberta do Novo Mundo e para a interpenetração de culturas e povos;
Realização de acções como a Feira de Artes Plásticas (Porto, Junho de 1991) e o Festival Internacional de Teatro (Lisboa, Março de 1991);
Realização do Grande Congresso da Imaginação (Abril de 1991), que deve constituir um estímulo à produção e criação nacionais, congregando a capacidade criativa dos sectores artísticos, científico e académico portugueses;
A cooperação cultural com os países de expressão portuguesa, utilizando, para tanto, instrumentos de natureza diversa, tais como o audiovisual, feiras de livro e o Acordo Ortográfico;
A participação activa de Portugal no Programa MÉDIA/1991-1995, que se crê de grande utilidade para a expansão das actividades audiovisuais.
150 - As Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, para além do seu programa de acções próprias, incluirão actividades diversificadas que venham a ocorrer no quadro dos vários departamentos govenamentais.
O Programa das Comemorações prevê a colaboração com as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, lugares fundamentais da aventura atlântica e de todo o processo das viagens marítimas. Estas linhas de acção serão desenvolvidas em estreito contacto com os governos regionais, as autarquias locais, as instituições sediadas naqueles arquipélagos e as personalidades neles residentes, que possam dar o seu contributo para um sentido pleno destas Comemorações.
Por outro lado, a experiência colhida junto das autarquias locais revela a enorme disponibilidade destas estruturas para um envolvimento crescente nas acções comemorativas, por corresponderem a um real interesse cultural da própria autarquia e por tornarem possível e muito mais eficaz uma articulação entre a autarquia e as escolas da sua área.
As grandes áreas de acção são as seguintes:
Criação e aperfeiçoamento de estruturas destinadas a programar e executar iniciativas no quadro das Comemorações, com o Brasil e com os PALOP. Desenvolvimento dos pontos previstos nos protocolos já celebrados (Guiné e Cabo Verde) e de preparação da celeberação de idênticos instrumentos com os restantes PALOP;
Preparação das Comemorações do envio da primeira missão de cooperação ao Congo (Gonçalo de Sousa), bem como a colaboração da Comissão na EUROPÁLIA;
Em Portugal prevêem-se como grandes iniciativas as exposições sobre marfins de influência portuguesa, o neomanuelino e «a véspera do mundo moderno» e a preparação da grande exposição consagrada à obra pictórica de Grão Vasco;
Preparação da presença portuguesa na Exposição Universal de Sevilha, nomeadamente a construção do pavilhão nacional e a preparação do seu conteúdo expositivo e da animação cultural necessária. Também se iniciarão os trabalhos preparatórios da presença portuguesa na exposição internacional especializada de Génova (1992). Continuarão os estudos com vista à exposição internacional a realizar em Lisboa em 1998;
Prosseguirão, por outro lado, importantes acções no plano universitário e da investigação científica. Iniciar-se-á a cátedra Vasco da Gama, no Instituto Universitário de Florença; começarão também os cursos internacionais de verão, sobre história e cultura portuguesas do período dos descobrimentos, no convento da Arrábida; prosseguirão as actividades de investigação e preparação de textos, de acordo com os contratos de investigação entretanto elaborados e que envolvem já mais de sete dezenas de especialistas e investigadores; continuarão as políticas de envolvimento de universidades estrangeiras em iniciativas respeitantes aos descobrimentos portugueses (colóquios, conferências, seminários, programs de investigação);
Melhoraria do esquema de incentivos às edições de cultura, em Portugal e no estrangeiro, na área da história da expansão europeia e dos descobrimentos portugueses;
Circulação, por vários países, de variadas exposições itinerantes sobre os descobrimentos portugueses, com a animação cultural correspondente;
Início à negociação de co-produções televisivas de séries ficcionais sobre a temática dos descobrimentos.
Comunicação Social
151 - Na área da Comunicação Social e com o intuito de dar continuidade ao esforço que vem sendo desenvolvido para a sua modernização, serão promovidas:
Acções de formação profissional, tornando-as extensivas a profissionais de comunicação social dos países africanos de expressão oficial portuguesa, relativamente aos quais a cooperação tem tido particular importância no âmbito da rádio, da televisão e da imprensa, contribuindo para acelerar as reformas sociais, políticas e económicas naqueles países;
No sector audiovisual acções de acompanhamento das inicitivas que a Comunidade vem desenvolvendo no âmbito do Programa Eureka, bem como de todos os projectos a realizar no âmbito da televisão de alta definição;
A atribuição das licenças necessárias à exploração de dois canais privados de televisão em cobertura de âmbito geral, na prossecução da política de liberalização do sector.
Modernização e crescimento sustentado da economia
Recursos humanos
152 - O capital humano constitui indiscutivelmente o bem mais valioso da sociedade, sendo a base do processo de modernização e adaptação contínua da economia portuguesa aos novos padrões de desenvolvimento.
Por esta razão e no seguimento das prioridades traçadas nas Grandes Opções do Plano de Médio Prazo, continuarão a merecer especial atenção e uma afectação relevante de recursos públicos o desenvolvimento e a valorização dos recursos humanos, nas suas diversas componentes:
A educação, enquanto elemento valorizador do homem e criador das condições para o ingresso e adaptação na vida activa;
O emprego, enquanto factor de realização e de contribuição para o desenvolvimento do País;
A formação profissional, propiciadora de um ajustamento inicial e contínuo à evolução do mercado do emprego e das tecnologias da produção;
A juventude, na sua dupla vertente de crescente participação e afirmação na sociedade e de atenção aos problemas daqueles que são já hoje, o futuro do País.
153 - A educação é considerada uma das prioridades nacionais que importa prosseguir com determinação e coerência para alcançar os objectivos de desenvolvimento do País.
O ano 1991 será o segundo ano de aplicação do PRODEP, que visa aproximar o desenvolvimento da educação em Portugal dos níveis já atingidos em países da Comunidade Económica Europeia.
No âmbito da implementação da Reforma do Sistema Educativo, dar-se-á prioridade aos investimentos necessários ao aperfeiçoamento do sistema educativo, que inclui os seguintes vectores fundamentais:
Generalizar o acesso à educação a todos os níveis do ensino e modernizar das infra-estruturas educativas;
Melhorar a qualidade do ensino;
Modernizar a administração escolar;
Melhorar as infra-estruturas desportivas;
Fortalecer o ensino e incentivar a difusão da língua e cultura portuguesas.
Neste enquadramento serão prosseguidas as seguintes acções:
Construção de novas salas de aulas com capacidade para acolher o acréscimo de alunos resultante do alargamento da escolaridade obrigatória e melhoria do apetrechamento das escolas, incluindo a modernização dos equipamentos destinados ao ensino experimental das ciências, ao ensino artístico e das escolas do ensino técnico-profissional;
Intensificar a iniciação dos alunos na informática (Projecto Minerva e Informática para a Vida Activa);
Mobilizar a iniciativa privada, através de incentivos destinados aos investimentos no ensino particular e cooperativo, nomeadamente nas áreas do básico, secundário e profissional;
Intensificar o investimento destinado ao desenvolvimento das escolas profissionais, como alternativa de ensino que visa prioritariamente a formação de profissionais qualificados de nível intermédio, com a canalização de recursos resultantes da iniciativa de diversas instituições - autarquias, empresas, associações empresariais, sindicatos, etc.;
Prosseguir com a formação contínua de professores, por forma o melhorar a qualidade de ensino e valorizar profissionalmente os professores, continuando a política de construção de centros de formação adaptados à formação inicial e contínua dos professores;
No âmbito da Acção Social Escolar, a prioridade é para os investimentos destinados ao alojamento dos alunos do 3.º ciclo ou do secundário, adaptando e reabilitando imóveis que as autarquias vem disponibilizando e que se destinam à instalação de residências em regiões onde não existam meios de transporte suficientes;
Implementar no ensino superior uma política de investimentos que permita criar as condições necessárias para a melhoria do ensino ministrado, bem como aumentar a oferta do ensino universitário e politécnico. No âmbito da Acção Social do Ensino Superior, serão realizados investimentos sociais destinados aos alunos dos ensinos universitário e politécnico, com relevo para residências, cantinas e espaços desportivos;
A modernização da administração escolar será prosseguida com a adequada agregação dos serviços dependentes daquelas direcções regionais de educação, bem como a introdução de meios informáticos adaptados aos processamentos administrativos das escolas;
A intensificação do Programa RIID - Rede Integrada de Infra-Estruturas Desportivas - tendo em vista dotar as escolas carenciadas de infra-estruturas desportivas modernas;
Incentivar o processo de criação de instituições de valorização da língua e cultura portuguesas, no quadro da reestruturação do ICALP.
154 - Para a realização dos objectivos de modernização e desenvolvimento definidos nas GOP/1989-1992 foi reconhecido que a estratégia a adoptar na área do emprego deveria ser selectiva, multiforme, em termos de sectores e de espaço, implicando uma coordenação intersectorial e uma compatibilização e integração dos objectivos de desenvolvimento regional.
Nesse contexto, apontam-se como principais tipos de medidas a desenvolver, as seguintes:
Melhoria da eficácia da intervenção das estruturas de emprego e formação;
Apoio à criação de empregos numa óptica local e a criação do próprio emprego;
Desenvolvimento de programas de emprego e formação para grupos sociais específicos com maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho;
Intervenção nos processos de reestruturação sectorial, através do desenvolvimento de apoios específicos de política de emprego, nomeadamente na área da formação e reconversão profissional e dos apoios ao emprego a nível local.
Em termos concretos estão previstas acções no âmbito de dois programas, de importância especial, os quais procuram reforçar a eficácia da actuação do serviço público de emprego e privilegiam medidas destinadas aos grupos mais desfavorecidos dentro do mercado de trabalho:
Programa de Desenvolvimento e Apoio às Estruturas do Emprego e Formação - dirigido à criação de emprego, numa óptica local, à reestruturação e criação de centros de emprego e de novas formas de intervenção e à formação de formadores, envolvendo cerca de 35000 pessoas;
Programas de emprego para desempregados de longa duração (d. l. d.) e jovens, assim como programas de emprego e formação para deficientes, mulheres e emigrantes, destacando-se designadamente para os jovens o desenvolvimento dos Programas IJOVIP e FIQ.
155 - A estratégia de valorização dos recursos humanos e de desenvolvimento da formação profissional engloba os seguintes objectivos fundamentais:
Aumento da componente profissionalizante a fornecer aos jovens dentro do sistema de ensino ou em articulação com outros esquemas;
Melhoria da qualificação dos activos existentes, quer ao nível dos activos empregados, incentivando em particular a formação pós-laboral, quer dando formação aos estratos populacionais desempregados;
Articulação e complementariedade entre a formação inicial e a formação contínua;
Instituição de um sistema oficial de certificação profissional que permita comprovar as competências adquiridas e responder às exigências da mobilidade profissional e de livre circulação de pessoas no seio da Comunidade Europeia;
Institucionalização de um sistema eficaz e tempestivo de informação profissional que permita pôr à disposição nos centros de emprego e em outras instituições a situação do mercado de emprego por sectores e por profissões, seja em termos actuais, seja em termos prospectivos.
Com vista à prossecução desta estratégia de valorização dos recursos humanos definiu-se um conjunto de programas operacionais, incluídos no Quadro Comunitário de Apoio, que começaram a ser desenvolvidos em 1990, com os quais se prevê conseguir uma subida generalizada dos níveis de formação e uma melhoria signitificativa das qualificações da mão-de-obra.
As acções específicas a desenvolver são as seguintes:
Programa de formação profissional de activos - dirigido à qualificação, actualização, reciclagem e aperfeiçoamento profissional de activos já empregados, pretendendo-se abranger cerca de 70000 pessoas, das quais 23000 serão quadros intermédios e superiores;
Programa de formação profissional para adultos desempregados de longa duração e para jovens desempregados - dirigido à qualificação, actualização, reciclagem e aperfeiçoamento de cerca de 7000 adultos desempregados há mais de um ano e cerca de 16000 jovens sem qualificação profissional ou com qualificação inadequada;
Programa de aprendizagem - dirigido a cerca de 16000 jovens entre os 14 anos e os 25 anos, com vista a dar-lhes formação em regime de alternância (empresa/centro de formação), que facilite a transição da escola para a vida activa. Será também desenvolvido um novo programa de pré-aprendizagem, destinado aos jovens com insucesso escolar e que servirá de patamar para o programa de aprendizagem;
Programa de formação avançada em novas tecnologias de informação - com vista à formação, a nível superior, de formadores, neste tipo de tecnologias e ao desenvolvimento de acções de formação de quadros médios, assim como, à realização de acções de actualização e sensibilização, abrangendo cerca de 16000 pessoas.
156 - Importa propiciar à juventude as condições que facilitem a sua afirmação na sociedade, nas múltiplas vertentes - cultural, social e económica. Para tanto, será acrescido o esforço de informação e de formação, tendo em conta que é essencial ao jovem dispor dos instrumentos que o habilitem, de forma autónoma, a proceder às suas opções de vida e de integração na sociedade.
Reconhecendo-se a interdependência das diversas políticas necessárias à prossecução daquele objectivo, importa acentuar o carácter interdepartamental da política de juventude, reforçando a coordenação política em todas as áreas relevantes para os jovens.
Porque se entende importante a participação dos jovens na definição das políticas, acções e programas a empreender, serão reforçados e alargados os instrumentos de participação juvenil, designadamente no âmbito do Conselho Consultivo de Juventude.
Assim, serão prosseguidas as acções seguintes:
Continuar-se-ão a desenvolver condições - nomeadamente através do apoio técnico e de divulgação - para a plena participação dos jovens portugueses nos diversos programas comunitários que lhes são destinados; por outro lado, será exercida, em articulação com os restantes países comunitários, uma atenção constante sobre a Comissão das Comunidades no sentido de aproveitar cabalmente as oportunidades que podem ser oferecidas aos jovens ao abrigo dos programas já existentes, será apoiada a criação de outros programas que se destinem a estreitar os laços de cooperação e conhecimento mútuo entre os jovens europeus;
No seguimento das acções já encetadas, continuar-se-á a promover a dinamização da criação de associações juvenis nas Comunidades Portuguesas;
Continuar-se-ão a apoiar, entre outras, as acções: Concurso Europeu de Jovens Cientistas, Registo de Patentes para Jovens Inventores e o Programa Inforjovem;
Apoiar-se-ão iniciativas no âmbito do FAIJE e da instalação de jovens agricultores, da criação de Ninhos de Empresa e do Programa Cultura e Desenvolvimento, bem como serão definidas bolsas para jovens criadores;
Continuar-se-ão a apoiar os programas de sensibilização dos jovens para a problemática ambiental e de participação destes, através de programas ocupacionais de tempos livres, em actividades de defesa do ambiente.
Infra-estruturas de comunicações
157 - As infra-estruturas de transportes e de telecomunicações constituem cada vez mais, num mundo de especialização, comercialização e informação crescentes, um factor indispensável e indissociável do desenvolvimento económico e social.
A internacionalização da economia portuguesa e a sua participação na construção do mercado interno europeu realçam esta realidade e exigem que, a par da melhoria das acessibilidades internas e das ligações com o interior menos desenvolvido, seja prosseguido um esforço de investimento significativo com vista à cabal inserção das vias de comunicação nacionais nas grandes redes transeuropeias.
158 - Ao nível das telecomunicações manter-se-ão as orientações fundamentais, numa perspectiva de mais fácil acesso por todos os cidadãos aos serviços e no sentido da sua continuada melhoria:
Com esta finalidade continuar-se-á a privilegiar a eliminação das assimetrias regionais, quer no nosso país, quer com a restante Comunidade. Prosseguirá, pois, a implementação e desenvolvimento do Programa Operacional de Telecomunicações Rurais, num esforço de criação e estabelecimento das infra-estruturas necessárias à cobertura telefónica das zonas rurais mais isoladas do interior do País, visando diminuir os custos nomeadamente nos equipamentos terminais. Do mesmo modo, continuar-se-á com a modernização da rede nacional de telecomunicações e com o alargamento dos serviços avançados, no âmbito do Programa STAR;
Na sequência da Lei de Bases das Telecomunicações e da regulamentação do acesso e exercício das actividades de prestação de serviços de telecomunicações complementares e de valor acrescentado, prosseguir-se-á com a implementação de um mercado livre e concorrencial, abrindo à iniciativa privada um conjunto de novos serviços que alarga o leque de opções do utilizador e incentiva a melhoria das redes básicas em que assentam;
Continuar-se-á também a reestruturação sectorial, com a organização dos novos operadores de correios e de telecomunicações, abrindo-se caminho à possibilidade de participação de capitais privados numa repartição mais justa dos encargos com os serviços fundamentais.
159 - No que respeita à política de transportes prosseguir-se-á a dinamização e flexibilização da oferta de serviços de transporte de passageiros e de mercadorias.
Assim:
Relativamente ao transporte público rodoviário ocasional de mercadorias, a implementação do novo quadro jurídico permitirá a gradual adaptação do sector às regras da concorrência, à semelhança do que já ocorre com o transporte de passageiros, caso das carreiras «Expresso» e «Alta Qualidade»;
No que concerne aos transportes urbanos prevêem-se investimentos para o aumento da capacidade de transporte quer nas empresas em que o Estado é accionista, quer ainda, através de comparticipações, em outras empresas, designadamente para o reforço das respectivas frotas;
Quanto ao transporte ferroviário continuará o dar-se prioridade à modernização das linhas intercidades, assim como à linha de Sintra. Será implementada a exploração da linha de Cintura de Lisboa e a adjudicação da travessia ferroviária do Tejo. Por outro lado, está em preparação o estudo da transformação da linha Lisboa-Porto, o que associado à conclusão da ponte ferroviária sobre o Rio Douro prevista para 1991, permitirá reduzir a duas horas o tempo de percurso entre as duas cidades;
No tocante ao transporte aéreo, prevê-se a liberalização do transporte internacional regular, o que permitirá o reforço da ligação entre aeroportos nacionais e outros aeroportos estrangeiros com interesse económico para a extensão da rede;
No que respeita aos transportes marítimos, a privatização operada no sector permitirá aos armadores nacionais um maior dinamismo na sua actividade, o que propiciará a abertura de novos mercados.
160 - No âmbito da melhoria das acessibilidades será prosseguido o esforço de investimentos já em curso nas vias de comunicação, nomeadamente através do Programa de Desenvolvimento das Acessibilidades (PRODAC), melhorando em simultâneo as infra-estruturas portuárias e aeroportuárias.
No domínio rodoviário, dar-se-á continuidade à implementação dos planos a médio e a longo prazos da JAE e da Brisa, mantendo a prioridade dos IP de ligação internacional e com funções de descongestionamento de tráfego ou de desenvolvimento regional. Estes factores continuarão também a ser determinantes nas intervenções nos IC e outras EN.
Assim:
Serão concluídas as obras da Ponte Internacional do Guadiana, assim como das pontes sobre o Rio Arade e Ribeira de Boina - variante de Portimão e da ponte de Viana do Castelo e acessos;
Serão igualmente concluídas as seguintes estradas: ICI - Loures-Malveira, IP3; Raiva-Trouxemil, IP5; estrada nacional n.º 332 - Vilar Formoso, IP4; auto-estrada Campo-Paredes e Paredes-Penafiel; IP5 - Aveiro-Albergaria; IC19 - Queluz-Cacém; auto-estrada Porto-Lisboa, e auto-estrada Lisboa-Cascais;
Proceder-se-á, simultaneamente, à reabilização e conservação periódica da rede nacional e à melhoria da segurança rodoviária;
Nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto prosseguirá o esforço de investimento em curso, designadamente na construção das circulares regionais, interiores e exteriores, variantes, radiais e beneficiação de troços de estrada;
Na área metropolitana de Lisboa terá início a construção da terceira via do sublanço de Sacavém- Vila Franca de Xira da auto-estrada Lisboa-Porto;
Nos portos continuará o esforço de melhoria da utilização das infra-estruturas existentes, promovendo-se o aumento da sua competitividade comercial. Prosseguirão igualmente as obras relativas à reabilitação do molhe oeste do Porto de Sines;
De referir igualmente a modernização do Aeroporto de Lisboa, a ampliação das infra-estruturas do Aeroporto do Porto, o desenvolvimento do sistema de controle oceânico e o lançamento de algumas acções relativas aos aerodromos secundários de Cascais (2.ª fase) e Évora.
Organização institucional e empresarial
161 - O processo de modernização das estruturas produtivas tem o seu elemento motor nas empresas, no seu dinamismo e na diversidade da estrutura empresarial portuguesa.
O Estado, por sua vez, ao intervir num conjunto de sistemas institucionais contribui para criar condições mais adequadas a esse dinamismo, nomeadamente no que respeita à modernização e organização da Administração, ao funcionamento do Sistema de Justiça, à maior eficácia do Sistema Financeiro, à mais adequada disponibilização da informação para os agentes económicos.
162 - A modernização da Administração Pública continuará a ser prosseguida tendo em vista a prestação de melhores serviços aos utentes, a dignificação, qualificação e mobilização dos funcionários públicos e a melhoria da gestão dos recursos.
Continuar-se-á a promover a elaboração e a execução de Planos de Modernização Sectoriais, por departamento governamental, através dos quais se pretende suscitar a reflexão sobre direitos, necessidades e expectativas dos utentes, impulsionar o planeamento e controle político e social da tarefa de renovação da Administração e conseguir uma maior implicação formal de todos os serviços e entidades.
No âmbito da prestação de melhores serviços, serão tidas em conta as seguintes linhas de orientação: divulgar as garantias dos cidadãos; facultar informação aos utentes; publicar inovações que permitam mais fácil efectivação de direitos e cumprimento de obrigações; eliminar procedimentos desnecessários e simplificar os de mais frequente utilização.
No caso específico das empresas, atendendo ao papel social que desempenham e aos desafios especiais que se lhes colocam no curso e médio prazos, merecerão particular atenção os problemas enfrentados neste domínio.
Neste contexto prosseguirão as acções que visem:
Criar melhores condições para o lançamento de novos projectos empresariais, nomeadamente através da supressão e simplificação de formalidades;
Facilitar o cumprimento das obrigações administrativas das empresas instituindo, sempre que possível, a figura do interlocutor único, por forma a responsabilizar um único serviço pela dinamização de uma tramitação administrativa;
Fomentar o dialogo, a mediação e a associação entre empresas e serviços públicos, como elementos fundamentais na busca de soluções, para as situações que afligem quer os agentes económicos e sociais, quer a própria Administração.
A prossecução destes objectivos implica o reforço do papel da Comissão de Empresas de Administração, fórum privilegiado de audição de empresas e da administração, designadamente no que se refere às iniciativas legislativas e processuais a desencadear, nomeadamente as relativas aos sectores da construção civil e obras públicas, agro-alimentar, têxtil, vestuário e calçado.
No domínio da dignificação, qualificação e mobilização dos funcionários públicos privilegiar-se-á o desenvolvimento de acções que contribuem para a criação de uma «cultura» administrativa ao serviço do público, nomeadamente através de:
Definição, adopção e ampla difusão de um conjunto de valores fundamentais da Função Pública;
Implementação de iniciativas que tenham por finalidade reconhecer, apreciar e recompensar talentos e competências dos funcionários;
Estudo sobre ética e deontologia, no intuito de assegurar rigor e profissionalismo no serviço público;
Lançamento de um Programa de Formação para a Modernização Administrativa, destinado a promover a necessidade da formação inicial e contínua dos funcionários, sem descurar uma vertente que vá ao encontro das expectativas dos mesmos;
Promoção de iniciativas que accionem os princípios qualitativos aprovados no âmbito da reforma do Sistema Retributivo (NSR);
Em articulação com a dinamização das novas práticas de gestão de recursos humanos viabilizadas pelo NSR, e também com o objectivo de melhor servir os cidadãos e agentes económicos, designadamente em regiões fora dos grandes centros urbanos, serão prosseguidas políticas de mobilidade dos funcionários e agentes, em particular dos quadros dirigentes, técnicos superiores e técnicos.
Para o aumento da eficácia do sector público serão desenvolvidas iniciativas que visem:
Produzir instrumentos de trabalho a propor aos gestores da Administração;
Divulgar práticas excelentes de gestão;
Promover o espírito de desburocratização, a utilização extensiva e inteligente das novas tecnologias de informação, a introdução sistemática de práticas de avaliação dos resultados, a promoção de esquemas de reconhecimento de serviços e dirigentes que pela sua acção se distinguem.
Estas acções articuladas com a implementação da Reforma da Contabilidade Pública e a formação dos dirigentes contribuirão decerto, para a dinamização da gestão interna da Administração Pública.
Para a realização dos objectivos definidos concorrerá o programa Protocolos de Modernização Administrativa, através do qual se pretende, por um lado, assegurar o financiamento de pequenos projectos de modernização nomeadamente daqueles cuja execução é da responsabilidade de serviços desconcentrados e, por outro, criar uma dinâmica de modernização nos organismos envolvidos.
163 - Prosseguirá o empenho na desconcentração e descentralização dos processos de decisão, ao nível da Administração Central.
Com efeito, há decisões em vários domínios que serão tomadas com maior eficácia e maior adesão à realidade por agentes que se encontrem mais próximos das populações.
Tal não significa que não deva prosseguir um debate sereno e ponderado sobre as regiões administrativas, programaticamente previstas na Constituição, a ocorrer no âmbito da sociedade civil e do órgão de soberania competente para a aprovação da legislação sobre a matéria.
Uma vez sedimentado tal debate haverá condições para a aprovação pela Assembleia da República de uma lei-quadro que proceda à definição das funções e competências que as regiões administrativas devem ter.
Em qualquer caso, haverá um zelo total na preservação das competências actualmente cometidas aos municípios.
164 - As acções fundamentais no domínio do Sistema de Justiça são as seguintes:
Informatização do sistema judiciário;
Cobertura de todo o espaço judiciário com modernos meios de comunicação, ligando-o por sistema integrado de telefax;
Instalação, em todos os tribunais, de sistemas de gravação audio;
Racionalização de circuitos no sistema de registos e notariado e desburocratização de procedimentos, designadamente no que respeita à constituição de sociedades comerciais.
165 - Um dos traços característicos do processo de crescimento acelerado que a economia portuguesa vem atravessando nos últimos anos é o papel motor desempenhado pelo investimento, que reflecte as expectactivas optimistas dos agentes económicos quanto ao potencial de crescimento de Portugal nos próximos anos. Neste contexto, criou-se um ambiente propício ao rápido desenvolvimento do sistema financeiro, com o surgimento de novas instituições e novos produtos financeiros, que vieram pôr termo ao quase-monopólio do crédito bancário como fonte de financiamento. De entre os novos tipos de intermediários financeiros destacam-se os fundos de investimento mobiliário e imobiliário, as sociedades de investimento, as sociedades de capital de risco, as sociedades de locação financeira, as sociedades de desenvolvimento regional e as sociedades gestoras de fundos de pensões.
A nova lei-quadro dos mercados de valores mobilários vem consagrar os princípios da liberalização dos mercados de capitais e simultaneamente reforçar os mecanismos de supervisão e de fiscalização. Trata-se de um passo extremamente importante no sentido da adaptação do quadro jurídico e institucional português às exigências de um sistema financeiro evoluído.
Uma crescente abertura do sector público financeiro a capitais privados tem vindo a ser preparada e posta em prática com a prévia passagem a sociedades anónimas de diversos bancos e seguradoras e a concretização de duas privatizações parciais. Os próximos meses deverão conhecer novos desenvolvimentos deste processo de reprivatização, o qual deverá ter uma forte incidência durante o ano de 1991.
166 - As intervenções fundamentais no domínio do Sistema Estatístico Nacional incidirão sobre as seguintes vertentes:
Realização dos Censos/91, enquadrando-se no cumprimento da Directiva n.º 87/287/CEE, de 26 de Maio de 1987, e constituindo a maior operação estatística no País;
Adopção de uma nova classificação das actividades económicas (CAE) que permitirá atender às alterações verificadas na economia nacional e, simultaneamente, ser compatível com as classificações adoptadas a nível comunitário e mundial, a elaborarão de uma Classificação Nacional de Bens e Serviços (CNBS), a qual permitirá, designadamente, o melhor conhecimento do sector terciário;
Implementação do Programa Estatístico de Desenvolvimento Regional, o qual contribuirá para a modernização do Sistema de Informação Estatística Português de modo a que este passe a estar em condições de responder atempada e adequadamente às necessidades nacionais e comunitárias no âmbito da produção e difusão de informação de carácter regional.
Inovação, produção e internacionalização
167 - O crescimento económico de uma pequena economia aberta, no contexto do Mercado Único Europeu depende da modernização e diversificação dos seus sectores produtivos, da sua competitividade e capacidade de internacionalização de alguns dos seus pólos de especialização.
Tratando-se de uma economia com fracos recursos energéticos, exige-se uma especial atenção às políticas destinadas a reduzir a intensidade energética de crescimento e a diversificar as fontes de energia primária.
A modernização produtiva apoia-se, por sua vez, na qualidade do sistema científico e tecnológico do País e dos mecanismos de apoio à inovação.
168 - É hoje pacificamente aceite que a ciência e tecnologia é um dos vectores de presença assegurada, em qualquer modelo de desenvolvimento adoptado, sendo determinante do plano, do nível e da intensidade a que se estabelecem as relações entre os países e regiões num mundo caracterizado pela mudança.
Neste domínio o Programa CIENCIA, Programa Operacional destinado ao reforço de infra-estruturas e à formação de recursos humanos para I & D em domínios da investigação de base e pré-competitiva, bem como ao reforço dos mecanismos de apoio à inovação empresarial, entrará em 1991 em execução plena, abragendo, pela primeira vez, os investimentos infra-estruturais nos sete domínios prioritários, que irão absorver a parte maioritária dos financiamentos:
Tecnologias da informação e telecomunicações;
Tecnologias da produção e da energia;
Ciências e tecnologias dos novos materiais;
Ciências e tecnologias da saúde;
Ciências e tecnologias agrárias;
Biotecnologia e química fina;
Ciências e tecnologias do mar.
Em qualquer destes domínios irão ter particular significado as iniciativas que representam uma real concentração de meios a nível nacional, um reforço da interdisciplina e uma combinação de actividades de investigação fundamental e aplicada e de desenvolvimento experimental.
Serão neste contexto desenvolvidas as seguintes acções:
Lançamento dos trabalhos preparatórios para o arranque de parques de ciência e tecnologia, um na região de Lisboa e outro na região do Porto, prevendo-se para a sua concretização a convergência de meios do PEDIP, do CIENCIA, do sector privado e ainda do Programa Comunitário STRIDE. Trata-se de concentrar no mesmo espaço físico várias das infra-estruturas de ciências e tecnologia, a criar no âmbito dos Programas Operacionais CIENCIA e PEDIP, criando as condições para que em seu redor se instalem empresas nacionais e estrangeiras de sectores tecnologicamente intensivos;
Criação do Instituto de Ciências e Tecnologias Química e Biológicas, sob a forma institucional mais adequada, que constituirá um pólo de excelência na área da biotecnologia, podendo em especial contribuir para o desenvolvimento da investigação de base e aplicada, que sirva nomeadamente a agricultura e o sector agro-industrial;
Lançamento dos trabalhos preparatórios para o arranque de uma agência de inovação, a apoiar no âmbito do Programa CIENCIA, destinada a articular o sector empresarial, o sistema científico e o sistema financeiro, para proceder à valorização económica dos resultados da investigação quer nacional, quer realizada no âmbito dos programas de I & D da CEE, estimulando a inovação e as transferências verticais de tecnologias;
Criação de um Centro Value em Portugal, o qual contará com o apoio comunitário, vocacionado para a difusão de informação e promoção dos Programas Comunitários de I & DT e valorização dos respectivos resultados;
Desenvolvimento do Centro Nacional de Informação Geográfica (CNIG), núcleo central coordenador do Sistema Nacional de Informação Geográfica. Este sistema de informação, quando plenamente desenvolvido, estará apto a fornecer, em qualquer momento toda a gama de dados georeferenciados, que permitam apoiar o planeamento e a gestão de recursos nacionais, a conservação do ambiente, o ordenamento do território, etc.;
Início do processo de adesão de Portugal à Agência Espacial Europeia, organização que poderá abrir oportunidades científicas, tecnológicas e industriais de relevo, no âmbito da cooperação científica internacional e após a assinatura do acordo de cooperação, em 1990, com o European Southern Observatory (ESO) que conhecerá em 1991 os primeiros desenvolvimentos daí decorrentes;
Arranque dos trabalhos preparatórios do novo exame à política científica e tecnológica nacional, a levar a cabo pela OCDE, dando início a uma reflexão sobre a mais adequada estrutura institucional do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, após a fase de intenso investimento infra-estrutural em curso;
Prosseguimento dos programas de fomento das actividades de ciência e tecnologia, bem como do reforço da componente de cooperação com os PALOP;
Estabelecimento de um quadro de referência que permita um crescimento harmonioso e sinergético das diferentes interacções, articulações e componentes do Sistema Científico e Tecnológico Nacional.
169 - Com o apoio do PEDIP e dos fundos estruturais comunitários continurá a ser implementada uma política orientadora e estruturante da indústria assente nos seguintes vectores:
Modernização e diversificação da estrutura industrial, com os respectivos apoios financeiros e de infra-estruturas;
Reforço das políticas de qualidade e design industrial, inovação e desenvolvimento tecnológico, ambiental e energético.
Cinco áreas horizontais são apontadas como prioridade da política industrial portuguesa na década de 90:
Tecnologia;
Qualidade;
Design;
Ambiente, com introdução de tecnologias limpas na indústria;
Recursos humanos, com formação de quadros altamente qualificados para a indústria.
Em termos sectoriais, teremos as seguintes quatro prioridades para esta década:
Modernização e reestruturação das indústrias tradicionais;
Valorização industrial dos recursos naturais portugueses;
Desenvolvimento das tecnologias de informação e de electrónica;
Desenvolvimento das indústrias de bens de equipamento.
Será estimulada e dinamizada a participação dos agentes económicos do sector extractivo no reconhecimento da base de recursos nacionais, sobretudo na produção e exploração, de forma a proporcionar a satisfação das necessidades de matérias-primas das indústrias nacionais e comunitárias.
O desenvolvimento das infra-estruturas básicas associativas, de transportes e energéticas, é um factor essencial para o aumento da competitividade da indústria. Por outro lado, há que assegurar o desenvolvimento das tecnologias necessárias para a indústria enfrentar os desafios da construção do mercado interno, através da criação e do fortelecimento de infra-estruturas tecnológicas.
Será apoiada designadamente a investigação industrialmente orientada nas empresas, no sentido de estas estabelecerem contratos de investigação com universidades e centros de investigação.
Concretamente, em 1991, continuarão a ser proporcionados, no âmbito do PEDIP, para além dos apoios de enquadramento, através das infra-estruturas de base e tecnológicas (Programa 1) e da formação profissional (Programa 2), apoios financeiros através dos sistemas de incentivos financeiros (Programa 3) e dos mecanismos de engenharia financeira (Programa 4) e, ainda, apoios aos factores dinâmicos de competitividade através das missões de produtividade (Programa 5) e de qualidade e design industrial (Programa 6). Em particular serão contemplados:
O esforço das infra-estruturas de transporte e energéticas em zonas industriais e a implementação do Centro de Dados Geológicos;
O apoio à construção de infra-estruturas empresariais;
O apoio à instalação dos Laboratórios Metrológicos Centrais e Regionais;
O reforço dos Centros Tecnológicos da Metalomecânica (CATIM), do Calçado (CTC) e da Cerâmica e Vidro (CTCV) e o desenvolvimento dos novos Centros Tecnológicos da Madeira e Mobiliário, Cortiça, Têxteis, Curtumes, Rochas Ornamentais, Moldes, Plásticos, Alimentares, Ópticas e Artes Gráficas;
O apoio aos Institutos de Novas Tecnologias e a Centros de Excelência constituídos;
O apoio ao desenvolvimento de Centros de Transferência das Unidades de Demonstração e de Centros de Incubação nas áreas estratégicas de inovação e da energia, designadamente através do Centro de Conservação para a Energia e do Centro de Biomassa;
O fomento da instalação dos Pólos Tecnológicos do Lumiar, de Ramalde e de Coimbra.
Por seu lado, as acções a desenvolver no âmbito específico da indústria extractiva englobam:
A intensificação da inventariação e valorização dos recursos geológicos pelo Estado e, de uma forma cada vez mais activa, pelas empresas, designadamente nas zonas de menor conhecimento geológico-mineiro e na jazida de mármore de Borba-Estremoz-Vila Viçosa;
O reforço das acções de caracterização e beneficiação de matérias-primas minerais com incidência nas argilas, talcos, caulinos, rochas ornamentais e águas minerais;
O incremento da cartografia geológica e hidrogeológica a todo o território nacional;
A melhoria da produção e da utilização dos recursos através da implementação do quadro legislativo do sector.
As acções a desenvolver no âmbito específico do apoio às pequenas e médias empresas incluem a actualização do inventário de necessidades das PME, a análise e promoção de medidas de apoio às PME, designadamente apoio técnico e financeiro e, ainda, a promoção da criação de novas empresas através de acções de informação e sensibilização e da cooperação com outras entidades especialmente vocacionadas para o efeito.
Será ainda lançado um Programa de Cooperação Industrial para as PME, através da qual se pretende dinamizar e reforçar as acções de cooperação entre as PME portuguesas, em variados domínios (comercial, tecnológico, prospecção de mercados, etc.), com vista a pleno acesso aos benefícios do Mercado Interno.
170 - A estratégia para a energia assenta na dupla vertente de satisfação das necessidades decorrentes do desenvolvimento económico e de aumento da eficiência do uso de energia, através da realização das políticas energéticas, de diversificação das fontes com redução da dependência em relação ao petróleo, destacando-se a implementação do projecto do gás natural; do aproveitamento dos recursos naturais incentivando a utilização das energias renováveis, particularmanete a biomassa, a hídrica e a solar; da conservação e utilização racional de energia em todos os sectores da economia nacional; da racionalização e liberalizarão da estrutura do sector energético, preparando-o para a integração plena no mercado interno de energia.
Nesse sentido, serão prosseguidas as seguintes acções:
Realização de investimentos de aumento da produção e de melhoria das redes de distribuição;
Continuação do desenvolvimento do plano energético nacional (PEN), como «painel de bordo» de apoio às decisões políticas no sector;
No âmbito da diversificação das fontes energéticas, início da construção do terminal em Setúbal com cais de recepção de navios metaneiros, reservatório de armazenagem de GNL e baterias de regaseificadores, do gasoduto de transporte a alta pressão Setúbal-Braga e da rede de distribuição a baixa pressão; autorização para a utilização dos gases de petróleo liquefeitos em veículos automóveis; incremento e institucionalização das livres trocas de electricidade com outros países, reforçando-se o investimento nas infra-estruturas energéticas que permitam as trocas e a segurança acrescida do aprovisionamento;
No âmbito da liberalização do sector, implementação de legislação relativa ao enquadramento regulamentar do exercício da actividade de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica; alteração dos estatutos e reestruturação da EDP tendo em vista a abertura à iniciativa privada de alguns dos sectores de actividade da empresa; liberalização dos preços dos gases butano e propano, de fueóleo par usos industriais e dos petróleos iluminante e carburante; privatização da Petrogal e reconversão da refinaria de Sines tendo em vista a melhoria da rentabilidade;
No âmbito dos incentivos à conservação e utilização racional de energia, aplicação do Sistema de Incentivos à Utilização Racional de Energia, do Programa VALOREN e do PEDIP e à dinamização do Programa SAVE;
Na área do aproveitamento e utilização dos programas comunitários energéticos, a dinamização dos Programas THERMIE, RECHAR, REGEN e PROTEDE e o reforço das posições negociais de Portugal no que se refere às infra-estruturas energéticas (redes transeuropeias);
Na área da informação e formação, destaque para as acções de contacto com os agentes económicos e associações empresariais e profissionais assumindo especial relevância a sensibilização da opinião pública sobre as questões de energia.
171 - A preparação da agricultura portuguesa para a aplicação integral da Política Agrícola Comum, bem como para a adesão à UEM implica grandes ajustamentos estruturais, designadamente a modernização tecnológica, a melhoria organizativa e a capacidade de resposta das instituições do sector, a melhoria da formação dos agricultores, o rejuvenescimento do tecido empresarial agrícola e a reorientação da produção e das explorações.
Por outro lado, a emergência de questões ligadas ao desenvolvimento rural impõe uma política visando o alargamento do quadro de oportunidades que possa ser seguida pelas explorações agrícolas, de modo a que aquele desenvolvimento seja auto-sustentado.
A adopção de uma lógica de desenvolvimento rural, nomeadamente a sua componente agrícola, no âmbito da prioridade atribuída ao aumento de competitividade do sector agrícola, implica a necessidade de se resolver harmoniosamente a eventual conflitualidade entre ajustamento e desenvolvimento. A resolução de tais situações far-se-á através da utilização de políticas específicas que, visando a exploração agrícola de forma integrada, permitam a utilização eficiente dos recursos, nomeadamente os humanos. E é nesse conjunto de políticas que a irrigação assumirá um papel fundamental na medida em que, valorizando a exploração agrícola contribuirá para aumentar e diversificar a produção agrícola induzindo a dinamização das zonas de influência das áreas a beneficiar.
Assim, os diversos instrumentos da política agrícola nomeadamente, incentivos ao investimento agrícola, ajudas complementares do rendimento de natureza sócio-regional e política de preços e mercados, privilegiam a incidência directa e consistente sobre as explorações agrícolas, bem como a incidência directa sobre a transformação e comercialização dos produtos agrícolas, sector cada vez mais importante na estratégia de competitividade do sector agricultura.
Integram-se no âmbito do primeiro destes campos - explorações agrícolas -, entre outras, as seguintes intervenções:
Reforço da capacidade das empresas agrícolas que se revelam economicamente viáveis e a valorização das potencialidades das que apresentem condições de viabilização;
Apoio à produção de produtos diferenciados e de alto valor comercial em especial dos que apresentem vantagens comparativas externas, aproveitando conhecimentos disponíveis com base em trabalho a desenvolver pelas estruturas de ID e DE;
Alargamento da formação técnica e de gestão, da divulgação e da capacidade de adaptação da estrutura das explorações;
Consolidação e alargamento de serviços nomeadamente de índole privada e associativa, que potenciando o papel das explorações agrícolas no desenvolvimento agrícola e do mundo rural, permitam rentabilizar as estruturas de produção, comercialização e transformação, nomeadamente as associações de beneficiários e organizações de produtores, e outras formas associativas;
Promoção dos níveis de desenvolvimento das explorações, através da implantação de novos regadios e recuperação de outros, aumento das redes de irrigação, drenagem e enxugo, correcção de estruturas fundiárias, construção de caminhos agrícolas e rurais, acções de conservação e drenagem dos solos, execução de obras de electrificação das explorações agrícolas e desenvolvimento de todas as acções conducentes ao adequado fomento da motomecanização agrícola.
O segundo campo, relativo à transformação e comercialização de produtos agrícolas, visará:
O desenvolvimento de condições necessárias à defesa de um nível elevado de auto-abastecimento e à penetração progressiva nos mercados;
A modernização e racionalização das unidades existentes, apoiando a vulgarização de novas tecnologias e o aperfeiçoamento e transparência dos circuitos de distribuição.
Papel importante no cumprimento da estratégia têm as políticas de rendimentos e preços. A política de preços continuará a desenvolver-se no quadro definido para o período de transição do sector agrícola, o que levará a ritmos de ajustamento diferenciados consoante os produtos, mas de modo a não afrouxar o ritmo de modernização pelo seu proteccionismo, nem impedir a concretização daquele processo em tempo oportuno.
A política de preços associada à política de organização dos mercados agrícolas manterá o equilíbrio entre o objectivo de complementariedade com a política de investimento e a dinâmica necessária ao processo de modernização.
No sentido de moderar os efeitos decorrentes da integração do sector num espaço cada vez mais concorrencial e, para além das intervenções ligadas à reorientação da produção, a política de rendimentos funcionará como complemento da política de preços, privilegiando de forma directa o rendimento dos agricultores e contribuindo, indirectamente, para a preservação do espaço rural, designadamente nas regiões desfavorecidas.
A política agrícola continuará a aprofundar as questões ligadas à diferenciação regional e à descentralização através, por um lado, de uma afectação racional dos recursos existentes com base em critérios de equidade e eficiência regional e, por outro lado, da participação das instituições regionais, nomeadamente das organizações de agricultores, na definição, do desenvolvimento agrícola das diversas regiões.
O sector da agricultura continuará a ter em funcionamento e aprofundará, cada vez mais, os Programas de Desenvolvimento Agrário Regional (PDAR) que visam, entre outros objectivos, a definição de um quadro de desenvolvimento agrícola para pequenas regiões.
172 - Dada a interdependência entre todos os segmentos do sector da pesca, o seu progresso harmonioso e sustentado pressupõe o prosseguimento das acções de desenvolvimento estrutural, nas várias componentes da produção (frota de pesca e aquacultura), infra-estruturas de apoio em terra (portos de pesca, lotas, entrepostos frigoríficos e outros equipamentos portuários), meios humanos (formação profissional), conhecimento, gestão e conservação dos mananciais pesqueiros (investigação científica aplicada ás pescas), mercados, indústria transformadora dos produtos da pesca, fiscalização e sistemas de informação, com vista a dotá-los da solidez necessária para enfrentar com êxito os desafios que se desenham em termos de mercado aberto.
Neste quadro, prosseguir-se-á a implementação das seguintes acções de apoio ao investimento produtivo:
Modernização e rentabilização da frota pesqueira;
Melhoria dos circuitos de comercialização e incremento de produtos em recessão - melhoria da qualidade e valorização dos produtos da pesca e valorização de espécies subaproveitadas;
Qualificação dos profissionais da pesca - convés de manobra, equipamento de simulação e treino de pesca;
Continuidade da aplicação do sistema de incentivos comunitários em vigor para a pesca e a aquacultura - Reg. (CEE) n.º 4028/86, Reg. (CEE) n.º 355/77 e Reg. (CEE) n.º 4042/89.
173 - A promoção da organização cooperativa, pelo que representa enquanto forma genuína de participação e organização das populações e dos agentes económicos, constitui igualmente um vector sempre presente no processo de desenvolvimento.
Urge, porém, potenciar uma lógica de gestão que conduza as cooperativas a assumirem no mercado uma atitude empresarial dinâmica e coerente. Tal atitude exige uma inserção qualitativamente diferente no tecido económico, determinando um protagonismo enquanto agente de transformação, através de um comportamento dinâmico naqueles sectores que apresentem maiores potencialidades de crescimento.
À organização cooperativa serão facultadas as condições favoráveis ao seu desenvolvimento harmonioso, nomeadamente pelo prosseguimento em 1991 de acções, em parceria com o Movimento Cooperativo, que conduzam a uma formação profissional adequada - com privilégio das áreas de gestão e organização contabilística - e à disponibilização de informação que suporte a sua actividade.
174 - Tendo em conta as grandes orientações de enquadramento já traçadas para o desenvolvimento económico e social, no sector do turismo prosseguir-se-á com a implementação de medidas que, de forma global, visem estimular ou proporcionar o aumento das receitas, a atenuação da sazonalidade, a diversificação de mercados e produtos, a procura a nível regional (promovendo e diversificando a procura interna e externa), a incrementação do turismo temático (rural, desportivo, religioso), preservando, valorizando e divulgando os recursos naturais, culturais e humanos e procurando o desenvolvimento harmónico do território.
No Quadro Comunitário de Apoio, são instrumentos preferenciais os incentivos financeiros no âmbito do FEDER e FSE, especialmente o Sistema de Incentivos Financeiros ao Investimento no Turismo (SIFIT), que se tem revelado como instrumento fundamental no incentivar das actividades ligadas ao sector, permitindo, pela diversificação geográfica da implantação dos equipamentos, o reforço da base económica de regiões que apresentam uma estrutura produtiva mais débil, mas oferecem grandes potencialidades de desenvolvimento turístico.
Abrangendo os domínios da procura e oferta turísticas e da formação profissional serão desenvolvidas as seguintes acções:
Quanto à procura, será desenvolvida uma acção promocional dirigida a novos mercados para além dos tradicionais, beneficiando de comparticipação comunitária, por forma a favorecer a comercialização e dar a conhecer Portugal como destino turístico junto do público consumidor;
Quanto à oferta, ter-se-á em vista promover um crescimento equilibrado, à custa não só de novos e diferentes projectos, com relevância para os que se destinam à animação turística, mas também da recuperação e melhoria dos equipamentos degradados ou desactualizados, com apoio à recuperação de monumentos de reconhecido valor histórico e cultural;
De destacar, ainda neste campo, o programa de apoio à renovação das estâncias termais, cujos condições de acolhimento e tratamento são mais deficientes, mas que têm potencialidades e são susceptíveis de constituírem importantes pólos dinamizadores do turismo;
No âmbito da formação profissional para o sector, será dada continuidade à execução do programa de construção e equipamento das escolas de hotelaria e turismo de Lisboa, Estoril, Coimbra e Algarve, o que irá permitir não só o aumento quantitativo do pessoal qualificado, mas também e sobretudo uma formação em qualidade, constituindo um instrumento estratégico fundamental para fazer face à livre circulação dos trabalhadores na Comunidade, a partir de 1993;
Com a comparticipação da Comunidade, será ainda reforçada a promoção turística no estrangeiro e o apoio ao programa de infra-estruturas turísticas e equipamentos culturais.
175 - São conhecidas as debilidades estruturais que caracterizam o comércio interno nacional, resultante do elevado número de unidades com escassa produtividade e que prestam um serviço de baixa qualidade. Importa, pois, aproveitar o remanescente do período de transição em curso para promover a rápida reestruturação do sector, garantindo-se, simultaneamente, a indispensável racionalização dos circuitos de distribuição e o justo equilíbrio do tecido comercial.
Assistir-se-á, assim, à execução de importantes acções tendentes a incrementar as reformas estruturais no sector do comércio, sendo de destacar:
A implementação do Sistema de Incentivos à Modernização do Comércio, o qual proporcionará uma ajuda pública aos investimentos das pequenas e médias empresas comerciais, destinada sobretudo à aquisição de equipamentos e no âmbito da qual se privilegiam as acções de cooperação e de concentração empresarial;
A concessão de apoios financeiros às associações empresariais, tendo em vista estimular a divulgação da informação aos comerciantes;
O reforço das verbas destinadas à formação profissional, incluindo a aquisição pelas associações de equipamentos para esse fim;
A revitalização dos circuitos de distribuição, com realce para a criação de novos mercados abastecedores.
Por outro lado, as novas formas de concorrência desempenharão significativo papel estruturante, ao promoverem a cooperação entre as empresas, com vista à defesa das suas posições no mercado nacional e à conquista de novos mercados. A política de concorrência a prosseguir procurará ajustar os instrumentos nacionais com o normativo comunitário, deforma a eliminar os entraves artificiais ao comércio e a assegurar uma maior transparência do mercado e adequada defesa dos consumidores. Com os mesmos objectivos, será igualmente reforçada a actuação das entidades competentes em matéria de fiscalização do cumprimento do dispositivo legal em vigor para o sector do comércio.
176 - O conhecimento dos mercados e, em particular, da gama de consumidores que se pretende atingir constitui um factor de importância fundamental para o sucesso do comércio externo. Presentemente, esta perspectiva de mercado assume uma acuidade ainda maior face às alterações profundas e aos importantes factores de desequilíbrio que se verificam ou se vislumbram ao nível do enquadramento internacional.
A construção do Mercado Interno e o acréscimo de concorrência resultante vem, por seu lado, reforçar ainda esta tendência, exigindo do Estado uma postura incentivadora da exportação portuguesa, bem como de captação de investimento estrangeiro capaz de dinamizar o tecido empresarial, de transferir novas tecnologias e de criar emprego.
Nesse contexto serão prosseguidas as seguintes acções:
Realização de novas campanhas de imagem de Portugal no exterior, tendo por mercados-alvo os EUA e o Japão. Estas campanhas contarão com o apoio de fundos comunitários e incluirão para além de acções de âmbito global, acções mais específicas abrangendo apenas os sectores da oferta portuguesa a que se pretenda dar destaque;
Continuação da campanha de imagem de Portugal em Espanha, à qual será introduzida, por um lado, uma vertente internacional por forma a servir de plataforma de irradiação para outros mercados da Europa e, por outro lado, uma vertente regional com a introdução de acções dirigidas a regiões específicas do mercado espanhol;
Introdução da vertente económica e comercial na «EUROPÁLIA PORTUGAL»;
Melhoria da informação sobre Portugal e sobre a capacidade da oferta nacional dirigia a potenciais compradores e ou investidores estrangeiros e a outros segmentos-alvo influenciadores da opinião pública e ou de decisões de compra ou de investimento;
Melhoria da informação dirigida à comunidade exportadora e potencialmente exportadora, em particular nas áreas das oportunidades de negócios e das oportunidades de cooperação, das condições de mercado e da concorrência, e da regulamentação e das técnicas do comércio internacional;
Realização de acções de divulgação e promoção da capacidade de oferta nacional que concretizem ao nível da imagem que se pretende criar de Portugal como país em mudança, com capacidade para produzir bens e serviços com qualidade e adequados aos mercados de destino;
Reforço da divulgação da oferta exportável através da organização de cerca de 50 participações nacionais em feiras internacionais de comércio no exterior;
Realização de programas de diversificação de mercados, numa óptica de globalização, quer da utilização dos diferentes instrumentos para facilitação do acesso a esses mercados, quer do diálogo com os interlocutores no mercado, merecendo especial destaque, em termos de mercados-alvo, os PALOP, países do Norte de África e da América Latina e, eventualmente, do Leste Europeu.
Aposição de «selos de qualidade» para os produtos onde a Normalização lhes poderá retirar a especificidade que os distingue da concorrência (ex.: bordados, vinhos, ourivesaria);
Realização de acções e estabelecimento de relações de cooperação com outras entidades, tendo em vista o aproveitamento de potencialidades derivadas de relações económicas internacionais, seja pela via da exploração de instrumentos multilaterais, seja pelo estabelecimento de acções de colaboração com associações empresariais;
Utilização dos instrumentos de incentivo existentes e criação de novos instrumentos como factores de estímulo à implantação de estratégias adequadas de actuação no exterior (exportação e investimento) por parte dos agentes económicos.
Dimensão social e qualidade de vida do cidadão
Dimensão social
177 - O crescimento económico para ser duradouro e permitir maior coesão interna deve ser acompanhado de um conjunto de acções destinadas a reduzir o impacte de inevitáveis desequilíbrios e tensões que estão associados aos processos de modernização em que se baseia. A dimensão social do crescimento permite reduzir ou compensar o impacte de tais tensões, abrangendo uma variedade de áreas de acção entre as quais a saúde, a habitação, a Segurança Social e as condições de trabalho.
178 - Uma das áreas relevantes em que se assume a materialização da dimensão social do processo de desenvolvimento diz respeito às condições de trabalho. A melhoria das condições de trabalho, dado o seu impacte sobre a elevação da qualidade de vida e a realização profissional, contribui para o aumento substancial da igualdade de oportunidades de realização pessoal, objecto este subjacente ao processo de desenvolvimento económico e de progresso social.
A evolução das condições de trabalho está materialmente associada à valorização dos recursos humanos e à estrutura produtiva, nomeadamente quanto ás tecnologias e organização em que se sustenta a competitividade do tecido empresarial. Nesta medida o aumento do conhecimento e da qualificação resultantes do desenvolvimento acelerado dos sistemas educativos e de formação profissional induzem ganhos culturais e de valorização profissional que se vão repercutir na melhoria das condições de trabalho; do mesmo modo, o reforço em curso das infra-estruturas económicas favorecendo a desconcentração e diversificação do tecido empresarial potenciam também resultados qualitativos na evolução das condições de trabalho, sobretudo nas regiões com maior debilidade económica; por outro lado o esforço de reconversão e reestruturação da indústria e da agricultura, na medida em que se traduz em melhores instalações, tecnologias, organização produtiva e processos de trabalho, favorecerá, ainda, uma melhoria das condições físicas e ambientais em que se executa a prestação de trabalho.
Paralelamente, reforçar-se-á a eficácia dos resultados destes avanços estruturais com medidas especificamente voltadas para a melhoria das condições de trabalho, mediante a prévia obtenção de consensos com os parceiros sociais.
Assim:
Higiene, segurança e saúde no trabalho:
Dar-se-á seguimento à aprovação da Lei de Bases de Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho e respectiva legislação regulamentar;
Prosseguir-se-á com a adopção de directivas comunitárias e ratificação de Convenções da OIT;
Reforçar-se-á a capacidade de intervenção da Administração Pública na área da prevenção e da fiscalização;
Lançar-se-á um programa de segurança e saúde no trabalho com vista a uma maior eficácia da prevenção de riscos profissionais;
Implementar-se-ão medidas de protecção específica em caso de reestruturações com impacte social grave, em conjunto com instrumentos que promovam a mobilidade profissional e, nessa medida, favoreçam a integração no mercado de trabalho;
Incentivar-se-á a negociação de instrumentos que favoreçam maior eficácia social da gestão dos tempos de trabalho, seja pela redução da duração do trabalho, seja pela organização mais flexível dos tempos de trabalho;
Conferir-se-á aos menores um regime de trabalho que atenda às particulares exigências do seu desenvolvimento físico, mental e moral, elevando-se, nesse contexto, a idade mínima de admissão ao trabalho para os 15 anos, com efeitos imediatos, e para os 16 anos, logo que se alcance a obrigatoriedade do 9.º ano de escolaridade obrigatória.
O desenvolvimento destas medidas atender-se-á aos princípios consagrados na Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais dos Trabalhadores, não prejudicando, aliás, a aplicação das outras nela previstos em função da aprovação pelos órgãos competentes da Comunidade Europeia.
Regista-se, por último, o esforço de dotação da Inspecção-Geral do Trabalho com meios técnicos e humanos em ordem a melhorar-se a eficácia de fiscalização das condições de trabalho.
179 - Dando continuidade e consolidando orientações fundamentais que, nos últimos anos, têm estado subjacentes ao impulso de desenvolvimento e aperfeiçoamento do sistema de Segurança Social, as opções em coerência com a política de valorização dos recursos humanos do País e de fortalecimento do seu tecido social, visam o reforço da solidariedade social com base na conjugação de três vectores principais:
Melhoria da eficácia das intervenções e prosseguimento da modernização administrativa do sistema público de Segurança Social;
Valorização, apoio técnico e financeiro e estímulo ao poder criador e às iniciativas das instituições particulares de solidariedade social;
Aperfeiçoamento do enquadramento legal e estímulo das iniciativas conducentes à criação de esquemas privados complementares das prestações garantidas pelos regimes públicos de Segurança Social.
Assim, as principais acções a desenvolver serão:
Actualização dos montantes das prestações pecuniárias dos diferentes regimes de Segurança Social numa linha de tendencial aumento do seu valor real;
Prosseguimento do esforço de alargamento da rede de equipamentos sociais para crianças, jovens, deficientes e idosos, sem prejuízo do desenvolvimento de programas de apoio domiciliário a pessoas com deficiência e idosos;
Intensificação do apoio, em colaboração com outros sectores, ao desenvolvimento de programas de prevenção e combate à exclusão social de grupos económicos e socialmente mais desfavorecidos;
Aperfeiçoamento e modernização da legislação da Segurança Social;
Alargamento ou revisão da rede de acordos bilaterais ou multilaterais de Segurança Social;
Aumento da eficácia da arrecadação das contribuições para a Segurança Social;
Intensificação das acções de modernização administrativa e consolidação do processo de descentralização e desconcentração do sistema.
180 - Considerando como objectivo último do sector da saúde a melhoria das condições de saúde da população e a garantia de igual oportunidade de acesso de todos os indivíduos à prestação de cuidados assistenciais, prosseguir-se-á uma política de desenvolvimento que tem como aspectos prioritários:
A humanização dos cuidados de saúde;
A garantia da qualidade da prestação de serviços de saúde;
A articulação em complementariedade e ou concorrência, entre os sectores público e privado, ao nível quer dos cuidados primários, quer dos diferenciados.
Desenvolver-se-ão medidas destinadas a recuperar e remodelar a estrutura dos estabelecimentos de saúde existentes, bem como a construção de novos hospitais, a ampliação da rede de centros de saúde e a construção de novas escolas superiores de enfermagem.
Assim:
Dar-se-ão por concluídos os novos hospitais de Almada, Guimarães e Vila Real-Lordelo; continuar-se-á a construção dos hospitais da Amadora-Sintra, Matosinhos, Leiria e Elvas, e serão lançados os estudos e projectos para os novos hospitais de Viseu, Feira, Vale de Sousa, Tomar, Barlavento Algarvio e Covilhã, prevendo-se igualmente o início dos trabalhos do Hospital de Todos-os-Santos, em Lisboa, a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Implementar-se-á, também, uma descentralização dos serviços de urgência dos Hospitais Civis de Lisboa;
Simultaneamente, encontrando-se em fase de conclusão 17 novos centros de saúde, estão em curso 19 novos projectos;
Dar-se-ão por concluídas a Escola Superior de Enfermagem Bissaya Barreto e a Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Coimbra;
Continuar-se-á a construção da Escola Superior de Enfermagem de Leiria;
Dar-se-á continuação aos estudos e projectos para o lançamento das seguintes escolas: Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara/M. Fernanda Resende e Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Lisboa, Escola Superior de Enfermagem de Faro, Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo e Escola Nacional de Saúde Pública de Lisboa;
Terão continuidade programas específicos de cuidados de saúde, que visam grupos populacionais mais vulneráveis, destacando-se:
A protecção da Saúde Materno-Infantil;
O Plano Oncológico Nacional, inserido no Programa «Europa Contra o Cancro»;
O desenvolvimento e implantação da rede nacional através do recém-criado Instituto Português de Sangue;
O Projecto Vida, que prossegue o combate à toxicodependência;
Os programas na área do alcoolismo e controle da Sida;
As acções de prevenção com vista à redução, entre outras, da taxa de mortalidade por acidentes de viação, da morbilidade e das taxas de mortalidade por doenças cérebro-vasculares e por cirrose hepática;
Os programas de educação que visam a promoção da saúde;
Quatro novos programas nas áreas da reumatologia, oftalmologia, ortopedia e medicina física e reabilitação.
181 - No que respeita ao sector da habitação manter-se-ão como opções fundamentais a crescente participação dos diversos agentes económicos e promotores institucionais e o incremento do dinamismo e da flexibilidade do mercado.
A diversificação e o aumento da oferta da habitação, bem como a melhoria da qualidade da mesma continuarão a assumir-se como objectivos fundamentais do sector.
Com o relançamento do mercado de arrendamento retoma-se e potencia-se o binómio arrendamento/aquisição de casa própria, como sendo as traves mestras de uma política habitacional baseada na livre opção de quem procura habitação.
Criam-se, assim, condições para um aumento gradual e generalizado do parque habitacional urbano, para uma maior flexibilidade nas condições de mercado, bem como para o alargamento do leque de opções na escolha de habitações, em função dos rendimentos disponíveis das famílias.
Manter-se-á uma política de incentivo à habitação, bem como à criação de novas alternativas de acesso à habitação, visando preferencialmente os grupos sociais mais desfavorecidos.
Neste sentido serão desenvolvidas as seguintes acções:
Estímulo ao investimento em habitação nomeadamente a destinada ao mercado de arrendamento em ordem a restituir às populações uma crescente mobilidade adequada às exigências ditadas pelas necessidades sociais e pelo próprio desenvolvimento económico;
Desenvolver-se-ão as condições de manutenção e recuperação do parque habitacional;
Promover-se-á o acesso à propriedade do parque do Estado, com base em regimes flexíveis e a custos acessíveis, fomentando a rentabilidade social dos seus recursos imobiliários;
Estimular-se-á a participação dos jovens na promoção de habitação própria, privilegiando-se o apio técnico-jurídico e o seu acesso ao crédito;
Reforço da política de crédito à aquisição de casa, privilegiando, sem prejuízo dos demais instrumentos financeiros, o vector da poupança-habitação;
Prosseguir-se-á com a implementação de programas de habitação a custos controlados, visando-se, sobretudo, o realojamento de população com habitação precária.
Qualidade de vida
182 - O crescimento económico e a modernização tornam possível realizar melhorias substanciais na qualidade de vida, nomeadamente se articuladas com uma concepção de ordenamento do território e de revigoramento dos tecidos urbanos e compatíveis com a protecção do ambiente. Por seu lado, a melhoria das oportunidades na área do lazer e os meios de defesa do consumidor são outros dos vectores claramente associados à melhoria da qualidade de vida.
183 - No contexto do ordenamento do território são consideradas prioritárias as acções que contribuam significativamente para a reestruturação do sistema urbano, para o aumento das potencialidades culturais, científicas e económicas das nossas principais cidades e para o implemento de uma rede fundamental de comunicações transeuropeias.
Mais concretamente, serão as seguintes as prioridades de intervenção:
Reestruturação do sistema urbano:
Aumentar a projecção internacional das grandes cidades elevando as iniciativas culturais, melhorando a arquitectura urbana e desenvolvendo serviços de nível superior;
Incentivar a execução de programas de recuperação de zonas urbanas degradadas e de melhoria do ambiente urbano e proceder à valorização do património cultural;
Promover o desenvolvimento equilibrado da rede urbana, mediante a realização de programas de equipamentos sociais e económicos, coordenados intersectorialmente e localizados em função de uma estratégia de ordenamento;
Realizar programas especiais de incentivo ao desenvolvimento dos centros urbanos de média dimensão, designadamente para os que exerçam funções de nível regional, privilegiando os que se situem em zonas de influência dos grandes eixos internacionais de comunicações;
Valorização dos recursos naturais:
Organizar e desenvolver uma rede de centros urbanos vocacionada para prestar apoio aos espaços rurais e tendo em vista os processos de reconversão da agricultura;
Ordenar e disciplinar as áreas de aptidão turística, aumentando a sua atractibilidade e potencialidades ambientais;
Promover o saneamento básico das povoações e incentivar a recuperação de áreas poluídas;
Aprofundar e explorar a aplicação das disposições contidas na legislação sobre a Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional;
Controlar os processos de reestruturação ou transformação do espaço rural, avaliando os impactes ambientais decorrentes;
Acessibilidades e comunicações:
Aumentar a acessibilidade aos centros urbanos, melhorando as infra-estruturas de transporte e comunicações;
Enquadrar os projectos de infra-estruturas na política de ordenamento do território e de reestruturação do sistema urbano;
Promover, no âmbito da Comunidade, um plano de implementação da rede transeuropeia de transportes e comunicações, adequado aos requisitos de ordenamento do território nacional e propício à sua boa integração no espaço europeu;
Eficácia dos processos do planeamento e gestão do território:
Promover a elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território, prioritariamente nas zonas de maior dinamismo e em que os problemas decorrentes do crescimento se apresentem com maior acuidade;
Apoiar e incentivar a elaboração de Planos Municipais de Ordenamento do Teritório como instrumentos de um correcto planeamento do uso e da gestão dos solos;
Aperfeiçoar os mecanismos da gestão urbanística e de uso do solo e promover a sua rigorosa aplicação.
184 - Foram já iniciados os trabalhos de realização de um Plano Nacional de Política de ambiente para o período 1991-1995, com o objectivo de definir uma estratégia de acção política a médio prazo, voltado numa primeira fase para a garantia de desenvolvimento sustentável até ao fim da década e para além do ano 2000.
O enquadramento da estratégia política a definir no âmbito do Plano será constituído pela continuação do esforço de implementação do programa legislativo da Lei de Bases do Ambiente e pelos grandes princípios definidos pela Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento, com as devidas adaptações ao estádio de desenvolvimento do nosso país e às suas características particulares.
As linhas de actuação poderão ser perspectivadas a dois níveis:
As de carácter normativo, que fundamentam e consolidam a política do ambiente e recursos naturais, tais como:
Criação e implementação de instrumentos económicos e financeiros adequados à finalidade específica da protecção do ambiente;
Reforço da capacidade de vigilância e controle da qualidade do ambiente;
Implementação de mecanismos que permitam uma gestão racional dos recursos naturais e das áreas protegidas;
Informação e formação do cidadão para que tome consciência individual e ou colectiva dos seus direitos e dos valores que lhe permitam comportamentos que salvaguardem a qualidade do ambiente;
Integração do ambiente na formulação das diversas políticas sectoriais;
Conjugação de esforços de âmbito multisectorial para resolução de situações de emergência;
Cooperação internacional para a resolução de grandes problemas mundiais;
As de natureza específica, relacionadas com programas e ou projectos já em curso ou a implementar, em áreas como:
Saneamento básico, dando-se continuidade aos projectos de investimento ao nível das infra-estruturas e aos contratos-programa de cooperação técnico-financeira com alguns municípios;
Gestão integrada dos recursos hídricos, citando-se, como exemplos, a implementação das administrações de bacia, a revisão da rede hidrometeorológica nacional, o estudo e a gestão das águas subterrâneas;
Construção de infra-estruturas hidráulicas de regularização de linhas de água ou de defesa contra cheias;
Execução de aproveitamentos hidráulicas fornecendo água para diversos fins;
Conservação e recuperação do património natural;
Preservação e valorização das áreas protegidas tendo em vista a protecção do ambiente, o desenvolvimento turístico e o correcto aproveitamento dos recursos naturais;
Controle de observância dos padrões de qualidade do ambiente e ou normas nacionais e comunitárias, através do levantamento sistemático dos níveis de qualidade e da promoção de estudos de investigação em áreas prioritárias para a conservação e melhoria do ambiente;
Eliminação correcta dos resíduos sólidos considerados perigosos, estando já em curso a implementação de um sistema nacional de tratamento.
185 - Como instrumento da política global de desenvolvimento com repercussões nos níveis de bem-estar económico e social dos cidadãos, as grandes linhas de actuação em matéria de defesa do consumidor são:
Continuação da recolha de dados sobre acidentes domésticos e de lazer - Programa Comunitário de Vigilância sobre Acidentes Domésticos e de Lazer - no sentido do desenvolvimento de políticas adequadas de protecção da saúde e segurança dos consumidores;
Continuação da implementação do plano de acção antitabágica e da campanha de segurança infantil.
Apoio às experiências de acesso simplificado e gratuito dos consumidores à justiça, visando a consolidação do Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Lisboa e a criação de novos centros da mesma índole;
Salvaguarda dos interesses dos consumidores no quadro da realização do Mercado Único Europeu através:
Do diagnóstico do impacte previsível da concretização do Mercado Único no preço e qualidade dos bens e serviços, bem como na condição dos consumidores portugueses;
Da implementação no País de sistemas de informação sobre consumo, em conexão com outros sistemas comunitários (Sistema de Informação sobre Consumo);
Da continuação do processo de assumpção de competências e atribuições em matéria de defesa de protecção do consumidor pelas autarquias locais e outros serviços;
Do reforço da rede de CIAC - Centros de Informação Autárquica aos Consumidores - aumentando o seu número e competência;
Da representação e participação dos consumidores nas instâncias e nas decisões que interferem com os seus interesses, mediante o apoio técnico e financeiro às suas organizações representativas;
Do prosseguimento da formação crítica dos cidadãos, do fomento da procura de informação por parte dos consumidores e da resposta aos seus pedidos de informação dando especial atenção à consideração da área temática da defesa do consumidor na Reforma do Sistema Educativo;
Da realização de testes comparativos e estudos sobre produtos de consumo, de modo a proporcionar aos consumidores elementos informativos e de análise sobre a composição e característica de qualidade dos produtos disponíveis no mercado, com especial incidência nos aspectos de segurança.
186 - O desporto continuará a desempenhar papel relevante na sociedade portuguesa e a merecer elevada atenção, não só pela grande atracção que exerce junto da juventude como pela sua reconhecida importância cultural, social e económica.
Assim:
As actividades do desporto escolar conhecerão um adequado enquadramento institucional e serão intensificadas nos âmbitos local, concelhio, regional e nacional em diversas modalidades que movimentarão centenas de milhares de alunos;
Pararelamente, e através do programa RIID - Rede Integrada de Infra-Estruturas Desportivas -, crescerão significativamente o número de instalações desportivas escolares e os empreendimentos de recuperação de equipamentos degradados, num esforço conjunto de cooperação com as autarquias locais;
Serão desenvolvidos e intensificados o pleno aproveitamento dos complexos desportivos regionais e locais, bem como planos de água e construção de piscinas;
O desenvolvimento progressivo da Lei de Bases do Sistema Desportivo através da sua oportuna regulamentação, proporcionará o reordenamento profundo da situação do desporto nacional, em todas as vertentes com reflexos na sua melhoria quantitativa e qualitativa;
Dar-se-á concretização ao Programa Integrado de Desenvolvimento Desportivo visando a conclusão do ciclo olímpico Barcelona/92 e lançar-se-ão as bases de execução do programa de desenvolvimento desportivo nacional tendo em vista o ciclo olímpico 1992-1996;
Proceder-se-á à reavaliação da contribuição do desporto militar no progresso geral do desporto nacional e ao fomento da participação de praticantes desportivos militares nos quadros competitivos regulares, quer ao nível nacional, quer ao nível internacional;
Dinamizar-se-á a política de desenvolvimento desportivo no ensino superior em diálogo directo com as estruturas representativas dos estudantes e das instituições educativas no sentido de estudar, programar e propor medidas enquadradoras e estimuladoras do desporto no ensino superior;
Será fortalecido o apoio à recuperação e ou valorização dos estádios universitários já existentes, de acordo com as opções preferenciais da população estudantil do ensino superior. Do mesmo modo, proceder-se-á à acelerada implantação de equipamentos desportivos nas novas Universidades e Institutos Politécnicos;
Prosseguir-se-á a política de apoio à estrutura federada ao Comité Olímpico Português tendo em vista o desenvolvimento das actividades regulares, formação e enquadramento técnico, assim como das actividades no âmbito da alta competição;
Dar-se-á plena execução ao disposto no diploma-quadro da alta competição e respectiva regulamentação, tendo como horizonte os principais calendários competitivos internacionais;
A Cooperação Desportiva Bilateral com os PALOP visará o apoio à resolução de questões fundamentais de desenvolvimento desportivo nesses países, com prioridade para a formação de quadros;
A Cooperação Desportiva Multilateral com os PALOP proporcionará aos jovens desportistas destes países um importante intercâmbio, através da troca de experiências e conhecimentos, tendo em vista a valorização do património cultural comum;
Dar-se-á atenção às questões da ética desportiva através de medidas de carácter preventivo e pedagógico e aplicação de um regime sancionatório proporcionado.
Administração Pública e quotidiano do cidadão
187 - A mobilização das energias na sociedade civil será tanto maior quanto maior for a confiança existente entre os cidadãos e serviços 1 fundamentais da Administração Pública que lidam com o seu quotidiano e asseguram o regular funcionamento social. Entre esses serviços destacam-se os da justiça e da segurança interna.
188 - A política da justiça prosseguirá os objectivos de transparência, facilidade de acesso, celeridade, dignificação das instituições, reforço da confiança no sistema e finalmente a própria justiça, como corolário lógico e necessário dos restantes objectivos.
Assim:
A utilização intensiva das novas tecnologias da informação, como instrumentos poderosos de modernização do sistema judiciário, é uma das principais componentes cuja dinamização se prosseguirá. Será particularmente mantido o impulso dado à constituição das bases de dados jurídico-documentais relativas à jurisprudência dos Supremos Tribunais e promover-se-ão as acções necessárias a que os tribunais sejam dotados de condições que lhes permitam a livre consulta dessas bases em tempo real;
Do mesmo modo se promoverá a celeridade processual com o acesso generalizado a bases de dados jurídico-administrativas, designadamente as de identificação civil, do registo criminal, das pessoas colectivas e do registo de automóvel, observados naturalmente os princípios aplicáveis da protecção de dados pessoais;
A implantação do círculo judicial como pólo de dinamização e de melhoria qualitativa da justiça constitui um dos objectivos fundamentais a realizar na área da adminstração judiciária. Prosseguirá o programa de instalação de círculos judiciais, cujas estruturas irão sendo progressivamente multiplicadas. Aí se terá em conta, para lá da instalação do próprio tribunal e do apetrechamento técnico e humano, a formação de quadros, a fixação de serviços para resposta em matérias, tais como as de reinserção social, da investigação criminal, da medicina legal, do serviço social, da peritagem em geral, da consultadoria jurídica, da informática, da documentação, etc.;
Promover-se-ão, ainda, a dinamização de um espaço de investigação que subsista no tempo e que se mostre capaz de ir alimentando, oportunamente, os órgãos de decisão política e administrativa, em dados actualizados sobre os quais se hão-se estruturar as orientações a assumir e as acções a praticar;
Continuará a dedicar-se especial atenção ao parque judiciário, prosseguindo o programa de recuperação já delineado e incentivando, simultaneamente, intervenções rápidas e desburocratizadas por forma a criar incentivos à conservação e ao normal funcionamento de edifícios e meios técnicos, procurando estabelecer uma relação positiva entre o utente, o agente e o local onde se exerce a actividade;
Continuará a promover-se o desenvolvimento de mecanismos alternativos à resolução contenciosa dos conflitos, incentivando a libertação dos tribunais de actividades que podem ser resolvidas noutras instâncias, designadamente através dos centros de arbitragem;
Intensificar-se-á a adopção de esquemas de protecção à vítima, no sentido de lhe assegurar assistência psicológica e material imediata;
No domínio dos serviços prisionais, prosseguirá a construção de três grandes estabelecimentos penitenciários - em Lisboa, Faro e Funchal - a fim de minimizar o problema da sobrelotação dos estabelecimentos prisionais, ao mesmo tempo que se vai proceder à adaptação de estabelecimentos que serão destinados a tipos especiais de delinquentes, designadamente primários e toxicodependentes, fomentando em simultâneo a observação e a investigação criminológicas;
As actividades de reinserção social continuarão a ser intensificadas, dinamizando as acções conducentes à criação de condições para a aplicação das medidas substitutivas das penas de prisão;
Irá igualmente proceder-se à reestruturação dos serviços tutelares de menores, de forma a criar melhores condições para a adaptação social dos menores sujeitos a medidas de tutela.
189 - A livre circulação de pessoas, com a extensão da nossa orla marítima, que coloca a nossa posição geográfica como ponto de acesso a três continentes, impõe que se continue a implementar uma política de segurança interna que, simultaneamente dê resposta às exigências que o cenário traçado atrás envolverá e que assegure, também, a paz pública interna, como factor principal que é, no desenvolvimento económico e da prosperidade do País
Assim:
Prosseguir-se-á uma política de reforço dos meios humanos, nas forças e serviços de segurança, perspectivando-se o recrutamento de novos agentes até 1993;
Dar-se-á sequência à formação adequada dos agentes de segurança, cabendo aqui um papel de especial relevo à Escola Superior de Polícia;
Afectar-se-ão meios financeiros para a construção e manutenção de infra-estruturas, assim como para a compra de equipamento diverso, de forma a permitir um acrescido potencial de actuação das forças de segurança, dotando-as de instalações operacionais dignas, ao mesmo tempo que poderão utilizar tecnologia moderna para mais rapidamente responderem às solicitações da sua missão específica;
Aumentar-se-á a capacidade de rede informática, bem como da rede de transmissões na banda de UHF.