Relacionados
Versão Consolidada
Análise Jurídica
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AAE | Avaliação Ambiental Estratégica |
APA | Agência Portuguesa do Ambiente, I. P. |
APP | Associação dos Portos de Portugal |
APREN | Associação Portuguesa de Energias Renováveis |
AMP | Área Marinha Protegida |
CDB | Convenção sobre a Diversidade Biológica |
CNANS | Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática |
dB | Decibel |
DGEG | Direção-Geral de Energia e Geologia |
DGRM | Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos |
DGT | Direção-Geral do Território |
DQA | Diretiva Quadro da Água |
DQEM | Diretiva Quadro Estratégia Marinha |
EI-ERO | Estratégia Industrial para as Energias Renováveis Oceânicas |
EN-H2 | Estratégia Nacional para o Hidrogénio |
ENAAC | Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas |
ENCNB 2030 | Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 |
ENM 2021-2030 | Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 |
ERAE | Entidades com Responsabilidades Ambientais Específicas |
ERO | Energias Renováveis Offshore |
ERSE | Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos |
GEE | Gases de Efeito de Estufa |
° | Grau |
GTERO | Grupo de Trabalho Energias Renováveis Offshore |
GT | Grupo de Trabalho |
GW | Gigawatt |
h | Altura |
h/ano | Horas por ano |
H2O | Água |
Hz | Hertz |
ICNF | Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas |
IGT | Instrumento de Gestão Territorial |
IUCN | International Union for Conservation of Nature (União Internacional para Conservação da Natureza) |
km | Quilómetro |
kW/m | Quilowatt por metro |
LIC | Lugar de Importância Comunitária (Sítio de Importância Comunitária) |
LNEG | Laboratório Nacional de Energia e Geologia |
MNE | Ministério dos Negócios Estrangeiros |
mn | Milha náutica |
m/s | Metro por segundo |
MW | Megawatt |
O&M | Operações & Manutenção/Operations & Maintenance |
OSPAR | Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste |
Pa | Pascal |
μPa | Micropascal |
PAER | Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore |
PC, I. P. | Património Cultural, I. P. |
PE | Parlamento Europeu |
PNEC 2030 | Plano Nacional de Energia e Clima 2030 |
PNSACV | Parque Marinho do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina |
POC | Programa da Orla Costeira |
p.p. | Pontos percentuais |
PSOEM | Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional |
PSRN 2000 | Plano Setorial da Rede Natura 2000 |
RCM | Resolução do Conselho de Ministros |
REN | Reserva Ecológica Nacional |
RESP | Rede Elétrica de Serviço Público |
RNAP | Rede Nacional de Áreas Protegidas |
RNC 2050 | Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 |
RNT | Rede Nacional de Transporte de Eletricidade |
SIC | Sítio de Importância Comunitária |
SNIT | Sistema Nacional de Informação Territorial |
TRC | Títulos de Reserva de Capacidade |
TRL | Nível de Prontidão Tecnológica/Technology Readiness Levels |
TUPEM | Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo |
UE | União Europeia |
UNESCO | United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) |
UNFCCC | Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas |
VME | Vulnerable Marine Ecosystems (Ecossistemas Marinhos Vulneráveis) |
W/m2 | Watt por metro quadrado |
ZEC | Zona Especial de Conservação |
ZEE | Zona Económica Exclusiva |
ZPE | Zona de Proteção Especial |
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Eólica flutuante | 75 m e cerca de 500 m (33)(34) |
Eólica fixa | Profundidade máxima de 60 m (35)(36) |
Área | Km2 | Potência (37) (GW) |
|---|---|---|
Viana do Castelo | 229 | 0,8 |
Leixões | 722 | 2,5 |
Figueira da Foz | 1 325 | 4,6 |
Sines | 430 | 1,5 |
Aguçadoura | 5,6 | Não aplicável (*) |
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Eólica flutuante | Eólica fixa | Energia das ondas | |||
Conservação da natureza | |||||
Defesa nacional | |||||
Navegação portuária/cones de aproximação | |||||
Património cultural subaquático | |||||
Zonas de tomada de água | |||||
Servidões aéreas |
Totalmente incompatível | |
Compatível com fortes restrições | |
Compatível com moderadas restrições | |
Compatível com poucas restrições | |
Compatível sem restrições |
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Eólica flutuante | Eólica fixa | Energia das ondas | |||
Recreio e turismo | |||||
Pesca geral | |||||
Pesca de arrasto | |||||
Pesca de armadilhas de fundo | |||||
Redes de emalhar | |||||
Palangre | |||||
Pesca de cerco | |||||
Investigação científica e atividades didáticas | |||||
Navegação |
Totalmente incompatível | |
Compatível com fortes restrições | |
Compatível com moderadas restrições | |
Compatível com poucas restrições | |
Compatível sem restrições |
Eólica flutuante | Eólica fixa | Energia das ondas | |||
Cabos submarinos de telecomunicações | |||||
Imersão de dragados | |||||
Aquacultura | |||||
Turismo, recreio e lazer | |||||
Investigação científica |
Totalmente incompatível | |
Compatível com fortes restrições | |
Compatível com moderadas restrições | |
Compatível com poucas restrições | |
Compatível sem restrições |
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Atividade/uso | Exploração de energias renováveis | Versão | 02 |
Data da última atualização | Dezembro 2024 | ||
Subdivisão | Continente | ||
Unidade funcional | Mar territorial e águas interiores marítimas, ZEE e Plataforma Continental |
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Projeto | Fonte energia | Tecnologia | Localização | Operacionalidade | Distância à costa/ profundidade | Potência instalada |
|---|---|---|---|---|---|---|
Archimedes | Ondas | Oscilante | Póvoa de Varzim | 2004 | 6 km/42 m | 2 MW |
Pellamis | Ondas | «Terminator» | Aguçadoura | 2008 | 6 km/42 m | 3 × 750 kW |
Surge | Ondas | Oscilante | Peniche | 2008 e 2009 | 500 m/8 m | 300 kW |
WindPlus | Eólica | Flutuante | Aguçadoura | 2011 a 2015 | 6 km/42 m | 2 MW |
Demogravi3 | Eólica | Fundação gravítica | Aguçadoura | Não implementado | 6 km/42 m | 2 MW |
First Of A Kind/FOAK | Ondas | Oscilante | Peniche | Desde 2018 | 500 m/8 m | 0,35 MW |
WindFloat Atlantic | Eólica | Flutuante | Viana do Castelo | Desde 2019 | 18 km/> 80 | 25 MW |
HiWave | Ondas | Oscilante | Aguçadoura | Desde 2023 | 6 km/42 m | 300 Mw |
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Figura 6C- 9. Áreas de Viana do Castelo e da Aguçadoura. | Figura 6C- 10. Área de Peniche. |
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Boa prática | Descritor/atividade |
|---|---|
O processo de desenvolvimento tecnológico deve cumprir as normas internacionais de boas práticas, nomeadamente as desenvolvidas no âmbito da Convenção OSPAR. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Na fase de pré-construção deve ser realizado um estudo detalhado de caracterização da fauna marinha na zona a afetar, cuja amostragem deve considerar variações intra e interanuais. Este estudo deverá recorrer à melhor informação disponível, como censos marinhos, censos aéreos ou dados de seguimento eletrónico. Estes dados permitem efetuar modelos de distribuição de espécies e o mapeamento de sensibilidade. Com o mapeamento de sensibilidade efetuado, é possível priorizar áreas para evitar o risco de colisão, perturbação e efeito-barreira, assim como minimizar estes riscos dentro das áreas de afetação, através do desenho do parque - e.g. número, tipo, orientação e espaçamento dos aerogeradores. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Ao longo de todo o ciclo de vida do parque eólico (durante e pós-construção e descomissionamento) é necessário um plano de monitorização eficaz que permita avaliar os riscos existentes para a biodiversidade, baseado na metodologia utilizada nos estudos pré-construção, permitindo uma comparação de modelos de distribuição e aferição de impactos de perturbação, efeito-barreira e outros. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Deverá ser utilizada a melhor tecnologia e metodologias disponíveis para minimizar riscos de colisão bem como para reduzir poluição sonora e luminosa. Se estes riscos permanecerem elevados, deverão ser considerados ajustes estruturais e operacionais. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Devem ser promovidos e incentivados estudos científicos sobre o ambiente marinho e biodiversidades locais, permitindo colmatar lacunas de conhecimento. A informação científica resultante destes estudos, bem como dos planos de monitorização e mitigação deverá estar acessível ao público. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Caso se chegue à conclusão de que a mitigação in situ não é suficiente para minimizar os impactos cumulativos verificados, deve ser equacionada a mitigação compensatória, que passará por potenciar - noutros locais - medidas de promoção da biodiversidade afetada. Estas medidas devem ser igualmente ponderadas em coordenação com a Autoridade de Conservação da Natureza e ONGA. | Ambiente marinho e biodiversidade. |
Partilhar os dados científicos recolhidos com o Instituto Hidrográfico e com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I. P., para integração no Centro Nacional de Dados Oceanográficos de Portugal (NODC-PT). | Ambiente marinho. |
Assegurar em cada projeto a salvaguarda do património cultural subaquático conhecido ou que venha a ser identificado no âmbito dos trabalhos arqueológicos. Os trabalhos de levantamento da situação de referência e prospeção arqueológica sistemática, visual ou geofísica, têm como objetivo caracterizar e avaliar as áreas de incidência dos projetos. A sua realização carece de autorização prévia pela tutela do património cultural e integrar arqueólogos com experiência comprovada na vertente náutica e subaquática. | Património cultural subaquático. |
Apresentar, caso se aplique, um pedido de informação prévia à tutela do património cultural face às implicações dos projetos em servidões administrativas. Neste âmbito, deve-se garantir a apresentação em consonância com a listagem de elementos necessários à instrução deste tipo de pedidos. | Património cultural subaquático. |
Acompanhamento arqueológico efetivo, presencial e sistemático da obra, realização de registo arqueológico complementar, sempre que necessário, através de sondagens de caracterização prévias, ou de escavações arqueológicas integrais, ou mesmo através da conservação in situ dos sítios arqueológicos - sempre atendendo a uma visão conciliatória que uma situação destas traz entre o património cultural subaquático e o projeto previsto a executar. Deve-se ainda garantir as condições de conservação dos bens arqueológicos recolhidos durante os trabalhos arqueológicos. | Património cultural subaquático. |
O património cultural subaquático existente deve ser considerado nos programas de monitorização. Estes devem indicar os objetivos, quais os parâmetros de monitorização, identificar os locais necessários a monitorizar, a frequência das amostragens, os métodos de registo e a forma como devem ser apresentados e analisados os resultados, bem como as medidas necessárias adotar em caso de alteração das situações de referência. | Património cultural subaquático. |
Acautelar a eventual necessidade de realizar datações radiométricas em determinados contextos, bem como proceder a uma análise estrutural, dendrocronológica, caracterização e identificação das madeiras, nomeadamente dos elementos cujos contextos arqueológicos não permitam atribuir uma cronologia clara. Deve-se ainda assegurar a recolha de pelo menos outras tantas amostras de madeira para assegurar outras análises. | Património cultural subaquático. |
Deverá ser tida em consideração a proteção de vistas, para a salvaguarda da paisagem marítima e a avaliação do impacte no recurso onda, quando aplicável, procedendo-se à consulta do Instituto do Turismo de Portugal, I. P., na fase de emissão de TUPEM. | Turismo. |
Deve ser comunicado à Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN) a localização de todos os parques eólicos e as características dos aerogeradores, nomeadamente, a distribuição, altura e sinalização diurna e noturna, informações indispensáveis a exercícios e outras operações, entre as quais as de busca e salvamento. | Segurança aeronáutica. |
Deverão também ser adotadas as melhores práticas de assinalamento marítimo em cada projeto, tendo em consideração a existência de outros projetos e usos na zona, a coordenar com a autoridade marítima local. | Segurança marítima. |
Preparar a fase de descomissionamento assegurando que sejam retiradas todas as obras, infraestruturas e equipamentos, exceto se forem necessárias a um novo projeto ou se manifestamente a afetação do sistema ecológico, entretanto consolidado, for superior aos custos relacionados com a sua manutenção no local (cartografia, segurança da navegação e assinalamento marítimo), a coordenar com o Instituto Hidrográfico e com a autoridade marítima local. | Segurança marítima, ambiente marinho. |
Implementar programas de monitorização do meio marinho, com a colaboração do Instituto Hidrográfico. | Ambiente marinho, património cultural subaquático. |
Procurar desenvolver soluções que permitam implementar utilizações compatíveis, na mesma área projetada à superfície, seja no tempo, seja no espaço. | Economia, ambiente marinho. |
Permissão de artes de pesca biodegradáveis (ex. covos, alcatruzes, redes e linhas de pesca). | Pesca. |
Previsão de possibilidade de cessação da atividade de embarcações de pesca, caso seja previsível o aumento de esforço de pesca em zonas marítimas já sujeitas a grande pressão. | Pesca. |
Desenvolvimento de protocolos de pesca comercial e/ou lúdica dentro dos parques eletroprodutores, dando disso conhecimento à autoridade marítima local. | Pesca, recreio e turismo, segurança marítima. |
Estudo e desenvolvimento de artes de pesca mais adequadas a operar em parques eletroprodutores. | Pesca. |
Devem desde o início ser implementados processos de acompanhamento com as comunidades locais, baseados em metodologias participativas, abrangentes e inclusivas. | Sociais. |
A implementação dos parques de energias renováveis deve ter por objetivo a maior compatibilização de usos, nomeadamente com a pesca e a aquacultura podendo estas duas atividades ocorrer no interior do perímetro das áreas identificadas com potencial para energias renováveis, preferencialmente associadas às infraestruturas, ou nos locais onde a existência da pesca e da aquacultura não ponha em causa a normal exploração dos parques comerciais. A aquacultura autorizada nestas zonas carece de título específico. | Sociais. |
Boa prática | Descrição/justificação |
|---|---|
Distribuição espacial dos eletrogeradores. | O desenho da disposição dos aerogeradores deve ser feito de forma a garantir a circulação de navios e a possibilidade de utilização de algumas artes de pesca. |
Enterramento de cabos submarinos. | Nos parques eólicos e nas ligações a terra os cabos submarinos deverão ser enterrados, sempre que tal seja tecnicamente possível, de modo a evitar maiores constrangimentos à pesca. |
Criação de condições que promovam a produtividade biológica no interior dos parques eólicos offshore. | Os parques eólicos devem prever a possibilidade de instalação de estruturas que promovam a produtividade dos oceanos. |
Adoção de protocolo de segurança marítima para navegação no interior dos parques eólicos offshore. | Será necessário garantir as condições de segurança para navegação dentro dos parques marítimos, com possível articulação com a autoridade marítima. |
Utilização de artes de pesca sustentáveis, recorrendo a materiais biodegradáveis. | A prática da pesca comercial no interior dos parques eólicos só deverá ser autorizada, com recurso a artes que sejam biodegradáveis, nomeadamente alcatruzes ou, eventualmente, redes que sejam biodegradáveis, salvo nas situações em que comprovadamente não existam soluções biodegradáveis. |
Criação de sistema de cogestão para exploração dos recursos marinhos associados aos parques eólicos. | O expectável aumento de produtividade biológica no interior dos parques eólicos, deverá traduzir-se a médio longo prazo, em aumento de biomassa com interesse comercial. Será necessário prever sistemas de gestão que envolvam promotores de energias renováveis, aquacultores e pescadores, entre outros. |
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Figura 1. Modelo digital da batimetria no território marítimo nacional Fonte: (GEBCO, 2014)
Na faixa continental portuguesa a plataforma geológica é pouco extensa e o talude continental confere declives pronunciados a curta distância da linha de costa (figura 2). Tal facto, condiciona a localização e tipologia dos parques eólicos offshore, criando zonas de conflito de uso com a pesca, uma vez que os melhores pesqueiros se localizam nas plataformas geológicas dos continentes.
Na subdivisão do continente, a superfície marinha que integra a Rede Nacional de Áreas Protegidas, ocupa uma superfície de 692 km2, integrando os Parques Naturais do Litoral Norte, da Arrábida, do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, da Pedra do Valado, as Reservas Naturais das Dunas de São Jacinto, das Berlengas, das Lagoas de Santo André e da Sancha e inclui ainda o Monumento Natural do Cabo Mondego.
Figura 2. Fonte: (GEBCO, 2023)
Relativamente à Rede Natura 2000, encontram-se classificados, em Portugal continental, as Zonas Especiais de Conservação (ZEC) Litoral Norte, Peniche/Santa Cruz, Sintra/Cascais, Arrábida/Espichel, Costa Sudoeste e Ria de Aveiro e também as Zona de Proteção Especial (ZPE) Estuários dos Rios Minho e Coura, Ria de Aveiro, Ilhas Berlengas, Cabo Espichel, Lagoa de Santo André, Lagoa da Sancha, Costa Sudoeste e Ria Formosa. Estas áreas incluem uma faixa de espaço marinho costeiro, que se estende até cerca de 20 m de profundidade, exceto para o Sítio Arrábida/Espichel, onde esta faixa chega aos 100 m de profundidade. Mais recentemente, foi designado uma ZEC offshore na subárea do continente da ZEE portuguesa - o Banco Gorringe - e ainda duas ZPE situadas junto à costa que incluem exclusivamente espaços marinhos - Aveiro/Nazaré e Cabo Raso. A área classificada total incluída na Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) e na Rede Natura 2000 totaliza cerca de 29 565 km2 de área marinha (RCM, 2018).
Na subdivisão do continente, as áreas com componente marinha classificadas ao abrigo de compromissos internacionais incluem a Reserva da Biosfera das Berlengas, as Reservas Biogenéticas - atualmente integradas na Rede Natura 2000 - e as áreas marinhas protegidas designadas ao abrigo da Convenção OSPAR - que coincidem com as áreas integradas na RNAP, na componente que corresponde à sua parte marinha.
3 - Caracterização das áreas identificadas
Viana do Castelo
Área | (km2) | Potência (171) (GW) |
Total | 229 | 0,8 |
Vértice | Lat. | Long. |
1 | 41° 45’ 10,47” N | 9° 19’ 35,94” W |
2 | 41° 47’ 18,99” N | 9° 04’ 11,75” W |
3 | 41° 42’ 54,26” N | 9° 01’ 46,59” W |
4 | 41° 40’ 31,66” N | 9° 01’ 43,72” W |
5 | 41° 40’ 29,80” N | 9° 05’ 34,30” W |
6 | 41° 42’ 01,46” N | 9° 05’ 35,66” W |
7 | 41° 40’ 01,67” N | 9° 17’ 41,16” W |
Sistema de coordenadas: GCS WGS84 |
Distância à linha de costa | (mn) |
Máxima | 20,5 |
Mínima | 7,2 |
Figura 3 - Mapa da velocidade horizontal do vento - Viana do Castelo
Caracterização do eólico offshore de Viana do Castelo | |
Velocidade horizontal do vento, h = 100 m | 8,01-8,5 (172) m/s |
Fluxo de potência incidente do vento | 600 e 650 (173) W/m2 |
Número de horas anuais equivalentes à potência nominal (NEPS) | 4 000 e 4 250 (174) h/ano |
Figura 4 - Mapa de declives - Viana do Castelo
Figura 5 - Mapa da composição dos fundos marinhos - Viana do Castelo (Fonte:IH)
Composição dos fundos marinhos de Viana do Castelo | Área (km2) | % |
Areia lamacenta | 62,03 | 31,85 |
Areia | 108,92 | 43,20 |
Rochas e pedregulhos | 28,74 | 12,51 |
Lama arenosa | 29,08 | 12,51 |
Figura 6 - Mapa de condicionalismos - Viana do Castelo
Presume-se que nestas áreas se localizem duas ocorrências patrimoniais.
Figura 7 - Mapa da pesca com arte de armadilhas de gaiola - frota local - Viana do Castelo
Figura 8 - Mapa do recurso energético das ondas - Viana do Castelo
Aguçadora
Área (km2) |
5,6 |
Vértice | Lat. | Long. |
|---|---|---|
1 | 41° 28’ 10,90” N | 8° 49’ 55,88” W |
2 | 41° 28’ 06,85” N | 8° 49’ 55,21” W |
3 | 41° 28’ 06,85” N | 8° 49’ 54,99” W |
4 | 41° 26’ 57,49” N | 8° 49’ 54,99” W |
5 | 41° 26’ 57,49” N | 8° 51’ 41,79” W |
6 | 41° 28’ 10,90” N | 8° 51’ 41,79” W |
Sistema de coordenadas: GCS WGS84 |
Distância linha de costa | (mn) |
Máxima | 3,8 |
Mínima | 2,5 |
Figura 9 - Mapa da velocidade horizontal do vento - Aguaçadoura
Caracterização do recurso eólico offshore da Aguçadoura | |
Velocidade horizontal do vento, h = 100 m | 6,51 e 7,0 (175) m/s |
Figura 10 - Mapa dos declives - Aguçadoura
Figura 11 - Mapa da composição dos fundos marinhos - Aguçadoura (Fonte:IH)
Composição dos fundos marinhos | Área (km2) | % |
Areia | 4,0 | 71 |
Areia lamacenta | 1,6 | 29 |
Figura 12 - Mapa de condicionalismos - Aguçadoura
Figura 13 - Mapa da pesca com arte de armadilhas de gaiola - frota local - Aguçadoura
Figura 14 - Mapa do recurso energético das ondas - Aguçadoura
Leixões
Área (km2) | Potência (176) (GW) |
722 | 2,5 |
Vértice | Lat | Long |
1 | 41° 13’ 27,33’’ N | 9° 17’ 00,78’’ W |
2 | 41° 13’ 29,61’’ N | 9° 09’ 10,82’’ W |
3 | 40° 51’ 15,07’’ N | 9° 08’ 46,75’’ W |
4 | 40° 47’ 06,13’’ N | 9° 09’ 46,31’’ W |
5 | 40° 47’ 06,18’’ N | 9° 16’ 43,24’’ W |
6 | 41° 01’ 31,95’’ N | 9° 22’ 18,51’’ W |
Sistema de coordenadas: GCS WGS84 | ||
Distância à linha de costa | (mn) |
Máxima | 33 |
Mínima | 19,5 |
Figura 15 - Mapa da velocidade horizontal do vento - Leixões
Caracterização do recurso eólico offshore de Leixões | |
Velocidade horizontal do vento, h = 100 m | 7,51 e 8,0 (177) m/s |
Fluxo de potência incidente do vento | 500 e 600 (178) W/m2 |
Número de horas anuais equivalentes à potência nominal (NEPS) | 3 600 e 3 900 (179) h/ano |
Figura 16 - Mapa de declives - Leixões
Figura 17 - Mapa da composição dos fundos marinhos - Leixões (Fonte:IH)
Composição dos fundos marinhos | Área (km2) | % |
Areia lamacenta | 531 | 74 |
Areia | 147 | 20 |
Rocha e pedregulhos | 44 | 6 |
Lama arenosa | 1,0 | < 0 |
Figura 18 - Mapa de condicionalismos - Leixões
Presume-se que nesta área não se localizem ocorrências patrimoniais.
Figura 19 - Mapa do recurso energético das ondas - Leixões
Figueira da Foz
Área (km2) | Potência (180) (GW) |
1 325 | 4,6 |
Vértice | Lat. | Long. |
|---|---|---|
1 | 40° 29’ 31,97” N | 9° 24’ 11,33” W |
2 | 40° 26’ 33,60” N | 9° 23’ 09,32” W |
3 | 39° 56’ 06,21” N | 9° 22’ 22,92” W |
4 | 39° 51’ 59,20” N | 9° 35’ 14,93” W |
5 | 40° 21’ 36,42” N | 9° 40’ 57,13” W |
Sistema de coordenadas: GCS WGS84 |
Distância à linha de costa | (mn) |
Máxima | 34,1 |
Mínima | 21,7 |
Figura 20 - Mapa da velocidade horizontal do vento - Figueira da Foz
Caracterização do recurso eólico offshore da Figueira da Foz | |
Velocidade horizontal do vento, h = 100 m | 7,51 e 8,0 (181) m/s |
Fluxo de potência incidente do vento | 450 e 525 (182) W/m2 |
Número de horas anuais equivalentes à potência nominal (NEPS) | 3 600 e 3 900 (183) h/ano |
Figura 21 - Mapa de declives - Figueira da Foz
Figura 22 - Mapa da composição dos fundos marinhos - Figueira da Foz (Fonte:IH)
Composição dos fundos marinhos | Área (km2) | % |
Areia lamacenta | 1 121 | 85 |
Areia | 151 | 11 |
Rocha e pedregulhos | 32 | 3 |
Substrato grosseiro | 3 | 0 |
Sedimentos mistos | 1 | 0 |
Sem dados | 17 | 1 |
Figura 23 - Mapa de condicionalismos - Figueira da Foz
Presume-se que nesta área se localizem duas ocorrências patrimoniais.
Figura 24 - Mapa do potencial energético das ondas - Figueira da Foz
Sines
Área (km2) | Potência (184) (GW) |
430 | 1,5 |
Vértice | Lat. | Long. |
1 | 37° 50’ 45,80” N | 9° 00’ 35,34” W |
2 | 37° 37’ 46,37” N | 9° 00’ 27,01” W |
3 | 37° 32’ 33,11” N | 9° 11’ 30,22” W |
4 | 37° 44’ 23,35” N | 9° 13’ 51,03” W |
Sistema de coordenadas: GCS WGS84 |
Distância à linha de costa | (mn) |
Máxima | 19,3 |
Mínima | 9,8 |
Figura 25 - Mapa da velocidade horizontal do vento - Sines
Caracterização do eólico offshore de Sines | |
Velocidade horizontal do vento, h = 100 m | 6,51 e 7,5 (185) m/s |
Fluxo de potência incidente do vento | 350 e 400 (186) W/m2 |
Número de horas anuais equivalentes à potência nominal (NEPS) | 3 200,1 e 3 400 (187) h/ano |
Figura 26 - Mapa de declives - Sines
Figura 27 - Mapa da composição dos fundos marinhos - Sines (Fonte:IH).
Composição dos fundos marinhos | Área (km2) | % |
Areia lamacenta | 349 | 81 |
Lama arenosa | 42 | 10 |
Areia | 36 | 8 |
Rochas e pedregulhos | 3 | 1 |
Figura 28 - Mapa de condicionalismos - Sines
Presume-se que nesta área se localize uma ocorrência patrimonial.
Figura 29 - Mapas do recurso energético das ondas - Sines
Na figura 30 apresentam-se os vértices das áreas identificadas.
Figura 30 - Mapas dos vértices das áreas identificadas.
4 - Biodiversidade
Habitats e ecossistemas
A subdivisão do continente está inserida na região biogeográfica marinha Atlântica da Diretiva Habitats, onde ocorrem os habitats marinhos 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», 1140 «Lodaçais ou areais a descoberto na maré baixa», 1150 «Lagunas costeiras», 1160 «Enseadas e baías pouco profundas», 1170 «Recifes», 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas» e 1180 «Estruturas submarinas originadas por emissões gasosas».
Habitats pelágicos
A noroeste da subdivisão do continente, o habitat pelágico costeiro está muito exposto ao afloramento costeiro de primavera/verão (188) que habitualmente forma filamentos entre a foz do rio Douro e a do rio Minho, sendo também influenciado todo o ano por plumas de água doce dos rios. Durante a estação de afloramento são comuns correntes contrárias em direção a norte, quentes e muito costeiras. Também no ambiente pelágico da plataforma continental geológica se regista uma forte sazonalidade das condições de afloramento costeiro, com a formação de filamentos nas mesmas latitudes e orientados a sul, sendo que as frentes de afloramento contribuem para a separação das águas costeiras e oceânicas sobre a plataforma. A estratificação da coluna de água é potenciada por uma plataforma mais longa e pela presença de uma lente de água de baixa salinidade. Por outro lado, o habitat oceânico da zona é influenciado não só por fatores oceânicos, como o padrão de circulação das correntes e massas de água, mas também pelo regime de ventos, topografia do fundo, morfologia costeira e escoamento de águas. Durante os meses de verão, as águas do talude continental geológico são dominadas por um forte afloramento costeiro e um fluxo equatorial de massas de água. Durante eventos de afloramento intenso, os filamentos estendem-se para o largo, contribuindo para o intercâmbio de águas costeiras e oceânicas. A plataforma continental geológica cai drasticamente na vertente, o que afeta a circulação, sobretudo em caso de ventos favoráveis ao afloramento, pelo que existem duas fontes de nutrientes na zona eufótica, uma proveniente de águas costeiras e a outra sobre a fronteira plataforma-vertente. Esta tendência traduz-se numa ampla área de elevada concentração de nutrientes, pelo que também a biomassa de zooplâncton é mais elevada, comparativamente com a costa sul. O ambiente pelágico oceânico é também influenciado pelo vórtice anticiclónico do Atlântico Norte e pela corrente de Portugal. A corrente de superfície para o Polo, de águas mais quentes e salgadas, é característica da vertente da plataforma superior durante o outono e o inverno.
A zona a sudoeste da subdivisão do continente está exposta ao afloramento costeiro sazonal, com afloramentos a formarem-se habitualmente entre o cabo de São Vicente e Sines e entre o cabo Espichel e o cabo Carvoeiro. No cabo de São Vicente, as águas frias do afloramento são dirigidas para leste em torno do cabo, processo associado também à circulação ciclónica no cabo Espichel, que provoca a advecção de águas quentes na baía de Setúbal. No período de afloramento, a pluma de água ao largo do cabo da Roca estende-se para sul, influenciando as baías de Lisboa e de Setúbal. Durante o afloramento está presente um corrente forte equatorial ao longo do eixo da pluma, mas a presença de águas mais quentes junto à costa gera uma corrente contrária que origina uma zona de retenção. Nos períodos de relaxamento do afloramento observa-se uma contracorrente quente para oeste do Golfo de Cádis que contorna o cabo de São Vicente ao longo da costa ocidental. Também a plataforma continental geológica está exposta à influência do afloramento sazonal (189), de extensão relativamente estreita e suscetível a redemoinhos provenientes da vertente, caracterizado pela formação de filamentos nas mesmas latitudes e orientados para sul. No cabo de São Vicente, as águas frias do afloramento dirigem-se para leste em torno do cabo e ao longo da plataforma continental e vertente geológica da costa sul. Por outro lado, a região oceânica está sujeita a intensa atividade de redemoinhos de mesoescala, sendo a recirculação para norte da corrente dos Açores responsável pelo ramo sul da corrente de vertente em direção ao Polo. Na zona de Sagres, é frequente a formação de frentes associadas à advecção de leste de águas de afloramento ao redor de cabo de São Vicente e à circulação do ramo oriental da corrente dos Açores.
A área sul da subdivisão do continente regista eventos ocasionais de afloramento no habitat costeiro, por influência de ventos do Oeste. Em fase de relaxamento do afloramento e sob a influência de ventos de leste, uma contracorrente de águas quentes e salgadas flui para oeste ao longo da costa. A plataforma continental geológica tem características distintas de cada lado do cabo de Santa Maria, zona em que apresenta uma constrição: para oeste, é cortada pelo canhão de Portimão, não havendo contribuição de água doce; para leste, recebe um importante contributo de água doce dos rios Guadiana e Guadalquivir, que afeta também a zona costeira a leste do cabo. Nas águas oceânicas da costa sul, os fundos caracterizam-se por uma área de planalto extensa entre a fronteira e o canhão de Portimão. A circulação de superfície é ciclónica, com circulação de oeste na vertente mais profunda associada à corrente do Mediterrâneo. Ao longo da vertente superior é também observada a presença da corrente de vertente do Golfo de Cádis, para leste e centrada acima dos 200 m, que alimenta a bacia do Mediterrâneo com águas superficiais do Atlântico através do estreito de Gibraltar.
Figura 31 - Principais comunidades de espécies de fitoplâncton marinho, respetivas áreas e condições oceanográficas de que se mostraram bioindicadoras. Adaptado de Moita, 2001
Habitats sedimentares
Os habitats costeiros sedimentares desenvolvem-se desde a linha de costa até à isóbata dos 50 m de profundidade. Apesar de as zonas costeiras rochosas estarem distribuídas ao longo de toda a costa, existem algumas descontinuidades em zonas exclusivamente arenosas: entre o Porto e São Martinho do Porto, entre a Trafaria e Sines, e entre Olhos de Água e a fronteira com Espanha.
Na zona noroeste da subdivisão do continente, este tipo de habitat desenvolve-se a norte do Porto, em depósitos arenosos, e para sul, em sedimentos areno-cascalhentos. As características dos sedimentos apontam para níveis energéticos moderado e elevado, destacando-se o abastecimento fluvial de materiais do continente, sobretudo do rio Douro. O habitat sedimentar da plataforma continental geológica estende-se dos 50 m aos 200 m de profundidade, estando confinando a uma zona quase plana, constituída por depósitos areno-lodosos e lodosos, existente entre duas zonas rochosas a norte do canhão do Porto. A sul, a plataforma geológica é bastante mais larga e plana, constituída por depósitos arenosos e depósitos areno-cascalhentos, que definem um alinhamento entre 20 m e 80 m, interrompido ao nível do cabo Mondego. O habitat sedimentar batial, que se desenvolve a partir dos 200 m, corresponde morfologicamente ao talude geológico e apresenta incisões ao nível dos canhões do Porto, de Aveiro e da Nazaré, sendo constituído por depósitos arenosos e manchas lodosas. Acresce referir que é ao nível do talude continental que ocorrem as grandes trocas de matéria e energia (Druffel et al., 1992; Canals et al., 2006). Estes ecossistemas são fontes importantes de matéria orgânica, utilizada pelas comunidades do oceano aberto, e estão envolvidos em processos biogeoquímicos e ecológicos globais, contribuindo assim para um funcionamento sustentável da biosfera. De entre os vários bens (biomassa, moléculas bioativas, recursos energéticos fósseis) e serviços (regulação do clima, regeneração de nutrientes e alimentos) que os ecossistemas de mar profundo fornecem, muitos deles são produzidos ou estão armazenados ao longo das encostas abertas das margens continentais (Colaço et al., 2017), que são locais de elevada concentração de biodiversidade (Hoste et al., 2007; Vincx et al., 1994).
A sudoeste da subdivisão do continente, o habitat sedimentar costeiro estende-se pela zona acidentada do Esporão da Estremadura, de sedimentos arenosos e areno-cascalhentos, e pelas areias médias e finas da plataforma interna desde o estuário do rio Tejo até à Ponta da Piedade, interrompido por afloramentos rochosos a sul do rio Sado. O habitat sedimentar da plataforma continental geológica desenvolve-se pela restante parte da plataforma até aos 150 m de profundidade e inclui os sedimentos areno-cascalhentos e cascalhos do Esporão da Estremadura. Caracteriza-se ainda pela extensa zona lodosa resultante de sedimentos exportados pelo rio Tejo e rio Sado e mais para sul, por areias finas e areias lodosas que cobrem toda a plataforma, exceto junto ao cabo de São Vicente, em que existem manchas de areia média. Entre Sagres e a Ponta da Piedade, os sedimentos são essencialmente lodosos, ocorrendo perturbações em resultado das incisões representadas pelos canhões de Cascais, Lisboa, Setúbal e São Vicente. O habitat sedimentar batial apresenta uma morfologia acidentada a sul do canhão da Nazaré e a norte de Lisboa, com sedimentos maioritariamente areno-cascalhentos e cascalhentos. Para sul, predomina areia lodosa, lodo arenoso e lodo, à exceção da mancha de areia média entre o cabo de São Vicente e a Ponta da Piedade.
A sul da subdivisão do continente, o habitat sedimentar costeiro compõe-se essencialmente de areias lodosas, finas e médias adjacentes ao litoral, desde a Ponta da Piedade até Olhos de Água. Para este, predominam areias grosseiras, à exceção de manchas de areia lodosa e lodo arenoso (30 m-50 m). A plataforma continental geológica é caracterizada por lodos e lodos arenosos (50 m-150 m), os quais predominam também no habitat sedimentar batial, prolongando-se para este até ao rio Guadiana. Os habitats sedimentares da subdivisão do continente caracterizam-se por uma elevada biodiversidade, pelo que se listam na tabela i as espécies mais abundantes e frequentes em cada tipo de habitat.
Tabela I. Espécies mais representativas das comunidades bentónicas dos habitats sedimentares (macrofauna, apanhada com draga; e megafauna - bivalves e fauna acompanhante - apanhada com ganchorra e arrasto)
Fonte: MAMAOT, 2012
Habitat | Área |
|---|---|
Bentónico costeiro sedimentar (0‐50 m) | Costa noroeste |
Macrofauna: Acrocnida brachiata, Ampelisca brevicornis, Ampelisca spooneri, Amphiura chiajei, Angulus fabula, Angulus pygmaeus, Bathyporeia cf. gracilis, Bathyporeia pelagica, Branchiostoma lanceolatum, Diastylis bradyi, Diogenes pugilator, Diplocirrus glaucus, Donax vittatus, Edwardsia claparedii, Gastrosaccus spinifer, Glycera convoluta, Goniada maculata, Magelona filiformis, Magelona johnstoni, Mediomastus fragilis, Moerella donacina, Nemertea, Nephtys assimilis, Nephtys cirrosa, Nephtys hombergii, Notomastus latericeus, Owenia fusiformis, Pharus legumen, Phyllodoce laminosa, Pontocrates altamarinus, Sigalion mathildae, Spiophanes bombyx, Spisula subtruncata. Megafauna: Donax vittatus, Pharus legumen, Spisula solida, Glycymeris glycymeris, Ensis spp., Mactra coralina. | |
Costa sudoeste | |
Macrofauna: Abra alba, Acrocnida brachiata, Ampelisca brevicornis, Ampelisca diadema, Ampelisca spooneri, Amphiura chiajei, Angulus tenuis, Aponuphis bilineata, Aponuphis fauveli, Bathyporeia guilliamsoniana, Bathyporeia pelagica, Branchiostoma lanceolatum, Chaetozone gibber, Chamelea striatula, Cheirocratus sundevalli, Clausinella fasciata, Corbula gibba, Donax vittatus, Dosinia exoleta, Echinocardium cordatum, Ensis siliqua, Ervilia castanea, Glycera convoluta, Goodallia triangulari, Harmothoe sp., Hippomedon massiliensis, Iphinoe tenella, Laevicardium crassum, Monticellina heterochaeta, Nematoda, Nephtys cirrosa, Nephtys hombergii, Ophelia neglecta, Ophiura albida, Paracentrotus lividus, Paraonidae, Phyllodocidae, Pisione remota, Polybius henslowii, Scolelepis bonnieri, Scolelepis foliosus, Sigalion mathildae, Spio cf. filicornis, Spiophanes bombyx, Spisula subtruncata, Sthenelais boa, Thia scutellata, Urothoe pulchella. Megafauna: Chamelea striatula, Spisula subtruncata, Spisula solida, Angulus tenuis, Laevicardium crassum, Mactra corallina atlantica, Donax trunculus, Ensis siliqua, Callista chione. | |
Costa sul | |
Macrofauna: Caprella spp., Branchiostoma lanceolatum, Spio decoratus, Aspidosiphon muelleri muelleri, Glycera sp., Goniada sp., Nemertea, Pisione remota, Corbula gibba, Lumbrineris gracilis, Magelona minuta, Ampelisca spp. e Apseudes talpa. Megafauna: Spisula solida, Chamelea gallina, Spisula subtruncata, Ensis siliqua, Donax trunculus, Pharus legumen, Acanthocardia tuberculata, Donax semistriatus, Ophiura ophiura, Chamelea gallina, Diogenes pugilator, Laevicardium crassum, Liocarcinus vernalis, Spatangus purpureus, Echinocardium cordatum, Phascolosoma granulatum, Mactra stultorum. | |
Bentónico da plataforma continental sedimentar (50‐150 m) | Costa noroeste |
Macrofauna: Moerella donacina, Monticellina heterochaeta, Nephtys cirrosa, Nephtys hombergii, Phyllodoce laminosa, Prionospio malmgreni, Protodorvillea kefersteini. | |
Costa sudoeste | |
Macrofauna: Ampelisca brevicornis, Ampelisca spooneri, Ampelisca tenuicornis, Aponuphis bilineata, Aponuphis fauveli, Chloeia venusta, Ervilia castanea, Euclymeninae, Eunice vittata, Glycera unicornis, Goniada maculata, Iphinoe serrata, Lumbrineris latreilli, Mediomastus fragilis, Monticellina heterochaeta, Nemertea, Nephtys hombergii, Paradiopatra quadricuspis, Paralacydonia paradoxa, Paraonidae, Phascolosoma granulatum, Thyasira flexuosa. | |
Costa sul | |
Macrofauna: Ampelisca diadema, Corbula gibba, Kurtiella bidentata, Maldane glebifex, Nucula hanleyi, Terebellides stroemi, Thyasira flexuosa, Venerupis corrugata. | |
Bentónico batial sedimentar (> 150 m) | Costa noroeste |
Macrofauna: Abyssoninoe abyssorum, Bivalvia, Carangoliopsis spinulosa, cf., Collettea sp., Levinsenia gracilis, Paradiopatra hispanica, Scaphopoda, Siboglinum cf. ekmani, Thyasira sp., Yoldiella sp. | |
Costa sudoeste | |
Macrofauna: Ampelisca tenuicornis, Ampharete finmarchica, Ampharethidae, Amphiura filiformis, Aponuphis bilineata, Aponuphis fauveli, Apseudidae, Aricidea catherinae, Carangoliopsis spinulosa, cf. Ledella, Chaetozone sp., Haploniscus cf. charcoti, Harpinia antennaria, Harpinia spp., Hippomedon massiliensis, Lampropidae, Levinsenia gracilis, Levinsenia spp., Lumbriclymene cylindricaudata, Lumbrineris fragilis, Lumbrineris impatiens, Lumbrineris latreilli, Macrostylis cf. abyssicola, Magelona wilsoni, Maldanidae, Marphysa bellii, Melinnampharete sp., Melitidae, Monticellina heterochaeta, Nephtys hombergii, Nephtys incisa, Nuculidae, Onuphidae, Ophiolimna sp., Paradiopatra hispanica, Paraonidae sp., Phyllamphicteis sp., Phyllodocidae sp., Prionospio sandersi, Prionospio spp., Siboglinum cf. angustum, Siboglinum cf. Ekmani, Spionidae sp., Sthenelais boa, Thyasira cf. flexuosa, Urothoe pulchella. | |
Costa sul | |
Macrofauna: Ampelisca tenuicornis, Aricidea (Acmira) assimilis, Dasybranchus caducus, Drilonereis filum, Enteropneusta sp., Eupolymnia nebulosa, Glycera unicornis, Magelona wilsoni, Maldanidae, Marphysa bellii, Monocorophium acherusicum, Monodaeus couchii, Monticellina heterochaeta, Phyllodocidae, Prionospio cirrifera, Prionospio steenstrupi, Spionidae, Trochochaetidae, Tryphosella longidactyla. |
Figura 32 - Gaivota-de-patas-amarelas Fonte: Martí Franch.
Larus fuscus (gaivota-de-asa-escura)
Espécie representada no território do continente por uma população invernante muito numerosa, é a mais abundante das aves marinhas de hábitos mais costeiros que ocorre na área de intervenção do Plano. Está presente durante todo o ano em Portugal, mas ocorre sobretudo fora da época de nidificação, em especial nos meses de outono e no inverno, e nos períodos migratórios. Está presente maioritariamente na faixa litoral, em portos de pesca ou zonas estuarinas, mas também ocorre no interior, em locais favoráveis. No mar, distribui-se sobretudo na proximidade da costa, sobre a plataforma e o talude continentais. Da sua dieta variada fazem parte peixes, rejeições da pesca, crustáceos e bivalves. Também consome com abundância detritos orgânicos e outros resíduos da atividade humana, concentrando-se em aterros sanitários e saídas de esgotos. Nidifica regularmente, em pequenos números, no arquipélago das Berlengas, na ilha do Pessegueiro e na ria Formosa. A população nidificante em Portugal está classificada como «vulnerável» segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005).
Figura 33 - Gaivota-de-asa-escura. Fonte: Martí Franch.
Larus audouinii (gaivota de Audouin)
Classificada como «vulnerável» em Portugal continental pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é uma espécie rara e de ocorrência localizada. No contexto europeu, a população nidificante está restrita ao Mediterrâneo. Inverna em números reduzidos na costa do Algarve e nidifica pontualmente no Parque Natural da ria Formosa e na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Associada às águas da plataforma continental, ocorre geralmente próximo da costa, mas também pode frequentar áreas junto do talude continental. Alimenta-se sobretudo de peixes, como a sardinha e a anchova, estando marcadamente associada à atividade piscatória.
Figura 34 - Gaivota de Audouin. Fonte: Martí Franch.
Larus melanocephalus (gaivota-de-cabeça-preta)
Em Portugal continental, distribui-se por todo o litoral, ocorrendo sobretudo na metade sul do país, da costa do Algarve até à foz do rio Tejo, com efetivos invernantes de maior incidência na zona do cabo Raso e no estuário do rio Mira. Espécie de hábitos pelágicos, distribui-se ao longo da plataforma continental até ao limite do talude, alimentando-se em zonas desde muito próximo da costa até ao limite da plataforma. A sua dieta inclui peixes e moluscos capturados no mar, desperdícios de pesca e detritos dos esgotos.
Figura 35 - Gaivota-de-cabeça-preta. Fonte: Martí Franch.
Larus ridibundus (guincho)
No continente ocorre predominantemente durante o outono e o inverno, podendo, no entanto, alguns indivíduos não reprodutores ser observados todo o ano. Frequenta sobretudo a faixa litoral, dando preferência a áreas estuarinas e lagunares, salinas, aquaculturas e praias abrigadas junto à foz dos rios. No mar, durante os meses de inverno, concentra-se na baía de Cascais e nas águas costeiras entre a Figueira da Foz e Caminha. Espécie de hábitos oportunísticos, alimenta-se de invertebrados aquáticos e terrestres e por vezes de pequenos peixes.
Figura 36 ― Guincho. Fonte: Martí Franch.
Catharacta skua (alcaide)
Migrador de passagem e invernante na área de intervenção do Plano, onde são desconhecidos episódios de nidificação. Pode ser observado durante todo o ano ao largo da costa continental portuguesa, em especial no outono e no inverno, sobretudo ao largo de zonas de caráter lagunar ou estuarino, como a ria de Aveiro, a ria Formosa e o estuário do rio Tejo. Espécie pelágica, prefere as águas da plataforma continental e tem uma dieta diversificada e oportunista, seguindo embarcações de pesca e roubando o alimento a outras aves marinhas.
Figura 37 ― Alcaide. Fonte: Martí Franch.
Fratercula arctica (papagaio-do-mar)
Espécie nidificante do Atlântico Norte, dispersa das regiões costeiras para ambientes pelágicos, onde permanece no período não reprodutor. É invernante e migrador de passagem em Portugal continental, encontrando-se presente entre outubro e abril ao longo de toda a costa, geralmente em regiões situadas a grande distância de terra. Em passagem migratória, pode ser encontrado ao longo de toda a costa portuguesa. Existe uma população que inverna nas águas costeiras da área de intervenção do Plano, sendo esta espécie mais comum na costa sudoeste alentejana e junto à costa algarvia do que no Norte. Alimenta-se de pequenos peixes, crustáceos e moluscos.
Figura 38 ― Papagaio-do-mar. Fonte: Martí Franch.
Uria aalge (airo)
A população nidificante está classificada pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005) como «criticamente em perigo» e à população invernante na área da subdivisão do continente foi atribuído o estatuto de «quase ameaçado». A população desta espécie que nidificava no arquipélago das Berlengas foi outrora a mais importante no contexto da península Ibérica, ainda que atualmente a espécie pareça estar extinta enquanto reprodutor em Portugal. Esta espécie tem uma distribuição essencialmente costeira, ocorrendo ao longo de toda a faixa continental, em particular a norte do cabo Carvoeiro. A sua distribuição restringe-se a áreas pouco profundas da plataforma continental e a sua dieta é composta principalmente de pequenos peixes.
Figura 39 ― Airo.Fonte: Martí Franch.
Sterna hirundo (garajau-comum)
Classificada como «em perigo» na subdivisão do continente pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), esta ave nidifica de forma pontual e em números muito reduzidos nos estuários do rio Tejo e do rio Sado, em zonas de salinas e pisciculturas. É frequente como espécie migradora de passagem, podendo ser observada na orla costeira durante os períodos de migração. Alimenta-se sobretudo de pequenos peixes pelágicos e crustáceos, que captura efetuando mergulhos, preferencialmente em águas calmas e nas baías relativamente abrigadas.
Figura 40 ― Garajau-comum.Fonte: Martí Franch.
Thalasseus sandvicensis (garajau-de-bico-preto)
Classificada como «quase ameaçada» em Portugal, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), esta espécie inverna ao longo da orla costeira, geralmente não se afastando para lá dos limites da plataforma continental. É abundante como migrador de passagem no litoral, embora a sua população invernante seja relativamente reduzida. Espécie de hábitos costeiros, ocorre sobretudo em estuários e zonas húmidas costeiras, alimentando-se de pequenos peixes.
Figura 41 ― Garajau-de-bico-preto. Fonte: Martí Franch.
Sternula albifrons (chilreta)
Classificada pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal como «vulnerável» (Cabral et al., 2005), na costa continental é nidificante estival e migradora de passagem regular. Nidifica sobretudo no sotavento algarvio e, em menor número, noutras zonas húmidas litorais e em albufeiras do interior. No mar, a sua distribuição restringe-se às águas costeiras junto das colónias de reprodução, alimentando-se essencialmente de pequenos peixes.
Figura 42 ― Chilreta. Fonte: Martí Franch.
Rissa tridactyla (gaivota-tridáctila)
Nas águas do continente, ocorre sobretudo no outono e no inverno, distribuindo-se de norte a sul. Costuma permanecer ao largo, embora possa ser observada junto da costa, após períodos de mau tempo em alto mar. Geralmente passa a época não reprodutora em ambiente pelágico. Costuma nidificar em colónias numerosas, instaladas em escarpas rochosas do litoral. Não existem atualmente em Portugal locais de reprodução desta espécie. No período de inverno é observada com relativa facilidade, isoladamente ou em pequenos grupos. Alimenta-se sobretudo de pequenos peixes e de invertebrados pelágicos.
Figura 43 ― Gaivota-tridáctila. Fonte: Martí Franch.
Alca torda (torda-mergulheira)
Espécie invernante e migradora de passagem na subdivisão do continente, ocorre ao longo de toda a costa, sendo o alcídeo mais facilmente observável em águas portuguesas. Prefere zonas pouco profundas, encontrando-se confinada à plataforma continental. Pode ser encontrada isolada ou em pequenos grupos, em portos de pesca, marinas ou no interior de barras. Alimenta-se de pequenos peixes pelágicos, como sardinhas, biqueirões e galeotas.
Figura 44 ― Torda-mergulheira. Fonte: Martí Franch.
Calonectris diomedea (cagarra)
Classificada como «vulnerável» em Portugal continental pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), ocorre em quase toda a ZEE portuguesa, sendo mais frequente nos meses de verão e raramente encontrada no inverno. No território do continente, concentra-se sobretudo no setor oeste da plataforma geológica e na orla do talude. Ave essencialmente pelágica, nidifica exclusivamente em ilhas e ilhéus, nomeadamente no arquipélago das Berlengas. Nessa região é regularmente observada a partir da costa na época reprodutora. Alimenta-se exclusivamente no mar, onde consome pequenos peixes pelágicos e cefalópodes.
Figura 45 ― Cagarra. Fonte: Martí Franch.
Hydrobates pelagicus (alma-de-mestre)
Espécie migradora de longa distância, na subdivisão do continente ocorre nos períodos de passagem, sendo que a migração pré-nupcial decorre desde o final da primavera até meados de junho. As observações registadas durante o inverno são escassas e circunscrevem-se principalmente à costa sul. Ave essencialmente pelágica, prefere a área marinha sobre a plataforma continental, não se afastando para zonas muito profundas, ainda que possa ser encontrada esporadicamente perto de costa em alimentação ativa. A sua dieta inclui pequenos peixes pelágicos e demersais, assim como cefalópodes e crustáceos.
Figura 46 ―Alma-de-mestre. Fonte: Martí Franch.
Puffinus mauretanicus (pardela-balear)
Considerada uma das aves marinhas mais ameaçadas da Europa (IUCN, 2016), está classificada pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal como «criticamente em perigo» (Cabral et al., 2005). Nidifica apenas nas ilhas Baleares, situadas no Mediterrâneo ocidental. Finda a época de nidificação, abandona as colónias e distribui-se pelas costas atlânticas, com destaque para as águas portuguesas ao largo da península Ibérica, onde pode ser observada durante o período não reprodutor, durante a passagem para as zonas de invernada a norte, ou no seu percurso de retorno às colónias de nidificação. Alimenta-se ao longo da costa portuguesa, em áreas da plataforma continental, situadas principalmente na região centro e norte. Tem uma dieta composta maioritariamente de pequenos peixes pelágicos e cefalópodes, que captura no mar, para além de consumir rejeições das embarcações de pesca.
Figura 47 ― Pardela-balear. Fonte: Martí Franch.
Hydrobates castro (Roquinho)
Classificada como «vulnerável», segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é migrador na subdivisão do continente, sendo que a população nidificante, reproduz-se no inverno e restringe-se ao arquipélago das Berlengas. Apesar de ocorrer em toda a ZEE ao longo do ano, não se aproxima muito da costa. Tem um comportamento marcadamente pelágico, com atividade das aves nas colónias de nidificação apenas durante a noite. Alimenta-se de crustáceos planctónicos, pequenos peixes, cefalópodes e rejeições da pesca.
Figura 48 ― Roquinho.
Fonte: Martí Franch.
Ardenna grisea (pardela-preta)
Migrador de passagem na subdivisão do continente, onde podem ser observados indivíduos provenientes das colónias de nidificação da espécie, situadas em ilhas oceânicas da faixa circumpolar no hemisfério sul. Frequenta sobretudo as águas da plataforma e do talude continental e ocorre regularmente entre julho e dezembro, embora seja mais frequente de agosto a outubro, quando se inicia a migração pré-nupcial em direção a sul. Espécie de hábitos essencialmente pelágicos, alimenta-se de pequenos peixes, cefalópodes e crustáceos. É frequentemente avistada em grupos mistos, reunida com outras aves marinhas.
Figura 49 ― Pardela-preta.
Fonte: Martí Franch.
Ardenna gravis (pardela-de-barrete)
Migrador de passagem na subdivisão do continente, ocorre em quase toda a ZEE portuguesa no verão e outono, ainda que existam poucas observações a partir de terra devido ao seu comportamento marcadamente pelágico. No verão, encontra-se mais perto da costa, enquanto, no outono, altura em que migra para sul, passa a ser mais frequente em águas oceânicas. Alimenta-se sobretudo de peixes e cefalópodes capturados à superfície ou em mergulho, assim como de rejeições da pesca.
Figura 50 ― Pardela-de-barrete. Fonte: Martí Franch.
Phalacrocorax aristotelis (galheta)
Classificada como «vulnerável» em Portugal continental pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é uma espécie residente, ainda que relativamente localizada e pouco abundante. Ocorre quase exclusivamente ao longo da costa ocidental, do cabo Carvoeiro para sul, em particular no arquipélago das Berlengas, que alberga o mais importante núcleo reprodutor. Espécie costeira frequenta habitats rochosos e geralmente não se afasta muito para zonas de mar aberto. Nidifica em falésias e no interior de grutas marinhas, situadas em zonas costeiras e ilhéus. Alimenta-se de peixes, sobretudo de espécies bentopelágicas, que captura junto ao fundo, na proximidade dos locais de nidificação.
Figura 51 ― Galheta.
Fonte: Martí Franch.
Phalacrocorax carbo (corvo-marinho)
Espécie abundante como invernante no litoral do continente, nomeadamente nos estuários do Tejo e do Sado e na ria Formosa, principalmente de setembro a abril. Ocorre também em albufeiras de barragens situadas no interior. O crescimento da população invernante, que nos últimos anos aumentou de forma assinalável em Portugal, deverá ter origem na dinâmica geral de expansão da espécie observada em diversos países da Europa. Não costuma frequentar mar aberto, podendo aí ocorrer apenas excecionalmente. Ocorre sobretudo em estuários e lagoas costeiras. Alimenta-se principalmente de peixes, que captura através de mergulhos executados a pequena ou média profundidade.
Figura 52 ― Corvo marinho.
Fonte: Martí Franch.
Melanitta nigra (pato-preto)
Classificada como «em perigo» pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é dos poucos patos marinhos que ocorre regularmente em Portugal, sendo localmente abundante em determinadas zonas da costa, principalmente durante o inverno e nos períodos migratórios. Distribui-se quase exclusivamente a norte do Tejo, entre o cabo da Roca e a foz do rio Douro. Ocorre principalmente na faixa marítima costeira, em águas de baixa profundidade e fundos arenosos, onde recolhe os moluscos de que se alimenta.
Figura 53 ― Pato-preto.
Fonte: Martí Franch.
Morus bassanus (alcatraz)
Ave marinha de grandes dimensões, que se distribui ao longo de toda a costa continental portuguesa. A espécie não nidifica no território nacional e os locais de reprodução destas aves ficam situados mais para norte. As principais colónias de onde provêm as aves observadas na área de intervenção do Plano situam-se da Irlanda, no País de Gales e na Escócia. Ocorre durante todo o ano, em especial no inverno e por altura das migrações pré-nupcial e outonal. É uma das aves marinhas mais abundantes nas águas da subdivisão do continente, sendo uma espécie exclusivamente marinha, associada às águas da plataforma e do talude continentais. A sua dieta oportunística inclui algumas espécies de peixes pelágicos, que captura em mergulhos quando estes formam grandes cardumes. Também aproveita rejeições das embarcações de pesca.
Figura 54 ― Alcatraz.
Fonte: Martí Franch.
Cetáceos
Os cetáceos (ordem Cetacea) são animais marinhos de vida exclusivamente aquática, distinguindo-se dois grandes grupos: as espécies com dentes (Odontocetes) e os Misticetos que possuem, em substituição, um sistema filtrador constituído por uma série de barbas de queratina instaladas na parte superior da cavidade bucal. De seguida, destacam-se algumas espécies de cetáceos de ocorrência mais comum na área de intervenção do Plano.
Cetacea-Odontoceti
Delphinus delphis (golfinho-comum)
Mamífero marinho residente, é aquele que, de entre o grupo de cetáceos odontocetes, é mais frequentemente observado nas águas subdivisão do continente. Espécie pelágica, ocorre ao longo da plataforma continental ou por vezes próximo da costa, de norte a sul, em zonas de água medianamente profunda. De um modo geral, evitam frequentar zonas com profundidades inferiores a 100-200 m. Surge muitas vezes associado a zonas de convergência, influenciadas por fenómenos de upwelling. Alimenta-se de uma grande variedade de peixes, como a sardinha, e de cefalópodes pelágicos e bentónicos, sendo que a sua dieta varia de acordo com a época do ano e a localização geográfica.
Figura 55 ― Golfinho-comum. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
Phocoena phocoena (boto)
Classificada como «vulnerável» em Portugal pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), esta espécie é o cetáceo mais pequeno que ocorre na costa portuguesa. É uma espécie residente que se distribui ao longo de toda a orla costeira, sendo observada em grupos pequenos (um a três indivíduos), registando-se densidades mais elevadas na zona norte, em particular no setor costeiro Aveiro-Figueira da Foz (Silva et al., 1999; Ferreira et al., 2001) e Arrábida-Costa da Galé (Martins e Gaspar, 1999; Martins, 2004). Recentemente foi descrita a ocorrência de avistamentos botos no Algarve, com especial incidência na zona entre Sagres e Lagos (Castro et al., 2011; Santos et al., 2012). Espécie costeira, pode ser encontrada em baías, estuários e zonas próximas da linha de costa, em locais de profundidade inferior a 200 m, nas áreas onde se concentram as suas presas (Cabral et al., 2005). Estas incluem uma grande variedade de peixes, bem como cefalópodes e pequenos crustáceos. A distribuição do boto limita-se à região da plataforma continental, de acordo com a sua dieta e capacidade de mergulho (Vingada et al., 2011).
Figura 56 ― Boto. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
Tursiops truncatus (roaz)
Mamífero marinho residente, tem sido assinalado nas águas costeiras portuguesas com alguma regularidade, com destaque para a população sedentária do estuário do rio Sado. Está bem adaptado a águas costeiras, sendo encontrado em diversos tipos de habitats costeiros (costas expostas, lagunas, estuários, baías e recifes), ainda que também possa ser visto em zonas oceânicas, sendo capaz de grandes deslocações, mesmo em águas profundas. Espécie com uma alimentação de tipo generalista, alimenta-se de diversas espécies de peixes, moluscos e crustáceos. Adapta-se facilmente a variações sazonais e a mudanças de habitat.
Figura 57 ― Roaz. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
Stenella coeruleoalba (golfinho-riscado)
Mamífero residente na subdivisão do continente, é uma espécie tipicamente tropical e subtropical, embora também possa ser encontrada em águas quentes temperadas. Ocorre em zonas de mar aberto, onde se alimenta de cefalópodes, peixes mesopelágicos e crustáceos. Apesar de preferir águas mais profundas, também pode ser observada em zonas mais costeiras, onde muitas vezes surge associado ao golfinho-comum D. delphis.
Figura 58 ― Golfinho-riscado. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
Grampus griseus (grampo)
Mamífero marinho residente na área de intervenção do Plano, é uma espécie bastante abundante, de ampla distribuição a nível global, preferindo, no entanto, águas de regiões temperadas e tropicais, onde se alimenta preferencialmente de lulas. Espécie pelágica, ocorre tipicamente em zonas de mar aberto, sendo que, na subdivisão do continente, ocorre ao longo de toda a plataforma continental e é ocasionalmente avistada em zonas costeiras de menor profundidade, designadamente no decurso das deslocações que executa entre áreas de alimentação e locais de invernada.
Figura 59 ― Grampo. Adaptado de Academy of Natural Sciences of Philadelphia, 1876.
Globicephala melaena (baleia-piloto)
Amplamente distribuída nas águas temperadas e frias do Atlântico Norte e no hemisfério sul, tem uma presença regular nas águas da subdivisão do continente, embora se desconheça o número de efetivos e a tendência populacional na costa portuguesa. Espécie pelágica, prefere águas profundas, sendo-lhe atribuída a isobatimétrica dos 200 m como limite de distribuição costeira, ainda que possa ser encontrada mais próximo da costa consoante a abundância de lulas e peixes pelágicos, suas principais presas.
Figura 60 ― Baleia-piloto. Adaptado de Cabral, et al., 2005.
Physeter macrocephalus (cachalote)
Espécie com estatuto de conservação «vulnerável» de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é uma espécie pelágica e migratória, que se distribui por todos os oceanos e que ocorre em zonas de mar aberto, podendo ser ocasionalmente encontradas em áreas mais costeiras. Os machos são cosmopolitas e fazem incursões em zonas polares durante a migração de verão, enquanto as fêmeas e os juvenis se distribuem apenas em águas tropicais e subtropicais. As suas presas preferenciais são lulas gigantes e outros cefalópodes e ocasionalmente alimenta-se de grandes peixes demersais e mesopelágicos, crustáceos, alforrecas e focas.
Figura 61 ― Cachalote. Adaptado de Cabral, et al., 2005.
Orcinus orca (orca)
Espécie cosmopolita, pode ser encontrada tanto em latitudes polares como em regiões equatoriais. Apesar de ocupar tipicamente águas profundas em zonas de mar aberto, sendo mais abundantes a cerca de 800 km ao largo das costas, também pode ocorrer nas áreas costeiras, chegando mesmo a entrar em baías pouco profundas, estuários e a penetrar no curso inferior de grandes rios. Nas águas da subdivisão do continente registam-se observações esporádicas de pequenos grupos junto da orla costeira, embora se desconheça se a espécie é residente ou visitante na área de intervenção do Plano.
Figura 62 ― Orca. Adaptado de Cabral, et al., 2005.
Ziphius cavirostris (zífio)
Espécie cosmopolita, tem uma ampla distribuição a nível mundial, estando presente em todos os oceanos exceto nas regiões polares. Espécie pelágica, prefere águas profundas e ocorre perto de costa apenas em zonas onde não existe plataforma continental, ou nas áreas de grandes fundos marinhos associadas a canhões submarinos. A sua presença nas águas da subdivisão do continente tem sido assinalada, quase exclusivamente, através de arrojamentos de exemplares em zonas da costa próximas de canhões submarinos, como é o caso da Nazaré, pelo que se desconhece se a espécie é residente ou visitante.
Figura 63 ― Zífio. Adaptado de Cabral, et al., 2005.
Outras espécies, como Kogia breviceps (cachalote-pigmeu) têm uma ocorrência marcadamente ocasional e em densidades muito pequenas, nas águas da subdivisão do continente.
Cetacea-Misticeti
Balaenoptera acutorostrata (baleia-anã)
Classificada como «vulnerável» no continente, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), é uma espécie residente da subdivisão do continente, onde ocorre ao longo de todo o ano, sendo a mais pequena e abundante das baleias. É geralmente detetada próximo da orla costeira, chegando por vezes a entrar em portos, estuários, baías e enseadas, ainda que também possa ser encontrada em zonas pelágicas bastante afastadas da costa. Alimenta-se essencialmente pequenos peixes, crustáceos e plâncton.
Figura 64 ― Baleia-anã. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
Balaenoptera physalus (baleia-comum)
Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (Cabral et al., 2005), esta é uma espécie considerada «em perigo». Espécie cosmopolita comum no hemisfério sul, é visitante na subdivisão do continente, ainda que a escassez relativa de observações regulares em zonas oceânicas não permita estabelecer com precisão o padrão de ocorrência. Mamífero de hábitos migratórios, uma parte da população efetua deslocações pela plataforma continental ao longo das costas europeias e alguns indivíduos são residentes, a oeste da península Ibérica e no Mediterrâneo. Pode ser encontrada numa grande variedade de habitats, desde áreas costeiras, que muitas vezes frequenta em busca de alimento, a águas pelágicas situadas em mar aberto. Alimenta-se principalmente de pequenos peixes, cefalópodes e crustáceos, incluindo misidáceos e krill.
Figura 65 ― Baleia-comum. Adaptado de Leatherwood, et al., 1987.
A figura 66 (190) representa alguns avistamentos de diversas espécies de cetáceos partilhados publicamente na plataforma OBIS-SEAMAP (https://seamap.env.duke.edu) e outros partilhados por empresas marítimo-turísticas. Uma vez que a maioria destes registos têm uma fonte casuística e/ou não sistemática, o padrão de ocorrência das espécies pode não estar completamente representado. Aos dados da plataforma OBIS-SEAMAP foram sobrepostas às áreas identificadas, com o objetivo de se verificar qual o nível dos avistamentos das espécies de cetáceos nas referidas áreas.
Figura 66 ― Registos de avistamentos de cetáceos disponibilizados no OBIS-SEAMAP e partilhados por empresas marítimo-turísticas em águas continentais portuguesas. Fonte: DGRM.
Uma vez que o mapa de avistamentos disponibilizados no OBIS-SEAMAP não representa o padrão de ocorrência das espécies mais frequentes na nossa costa e cujo estatuto de proteção é mais preocupante, representa-se nas figuras 67 e 68 as estimativas de abundância das principais espécies que ocorrem na costa portuguesa determinadas no âmbito do projeto europeu SCANS III. O projeto teve como objetivo principal estimar a abundância de todas as espécies de cetáceos nas águas europeias do atlântico, através de vários transeptos ao longo de toda a plataforma continental atlântica com observadores a bordo de navios e censos aéreos, durante o verão de 2016 (191). Na costa portuguesa as principais espécies avistadas foram a baleia-piloto, o zífio, a baleia-comum, a baleia-anã, o golfinho-riscado, o golfinho-comum, o roaz e o boto, com uma estimativa de 3870 indivíduos, onde a maioria delas tem ocorrência regular. Segundo as figuras 66 e 67 todas as espécies ocorrem nas áreas de energia renováveis propostas, sendo o golfinho-comum, o golfinho-riscado, o golfinho-roaz e o boto as espécies mais abundantes.
Figura 67 ― Estimativas de abundância de Baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata), Baleia-comum (Balaenoptera physalus), Zífio (Ziphius cavirostris) e Baleia-piloto (Globicephala melas) na costa portuguesa determinadas no âmbito do projeto SCANS III em 2016.
Figura 68 ― Estimativas de abundância de Boto (Phocoena phocoena), Golfinho-comum (Delphinus delphis), Golfinho-riscado (Stenella coeruleoalba) e Roaz (Tursiops truncatus) na costa portuguesa determinadas no âmbitodo projeto SCANS III em 2016.
Representam-se também na figura 69 os mapas de adequabilidade de habitat obtidos para as espécies golfinho-comum (DDE), boto (PPH) e roaz (TTR), a partir da análise dos dados recolhidos pelo projeto MarPro (192). Resultam de análises de Maxent (modelos de máxima entropia) onde foram utilizados os dados de censos de avião juntamente com variáveis ambientais (temperatura de superfície, clorofila a, batimetria, declive).
A figura 69 mostra que o golfinho-comum, o boto e o roaz têm uma ampla distribuição ao longo de toda a costa, com particular destaque para o caráter mais costeiro do boto, por oposição ao golfinho-comum e ao roaz que ocupam toda a plataforma continental.
Figura 69 ― Mapas de adequabilidade de habitat obtidos para as espécies golfinho-comum (DDE), boto (PPH) e roaz (TTR), a partir da análise dos dados recolhidos pelo projeto MarPro. A legenda apresenta valores entre 0 e 1, sendo que 1 significa habitat mais adequado ou, em termos mais simplistas, maior probabilidade de ocorrência.
Pinnipedia
Com exceção de Monachus monachus (lobo-marinho), espécie subtropical que ocorre e se reproduz em grutas submarinas situadas na região da Madeira, a presença de pinípedes na subdivisão do continente tem caráter irregular e constitui sempre um acontecimento excecional. Ainda que se registem arrojamentos de focas na costa, não existem colónias de reprodução no território do continente, sendo estes animais oriundos de colónias situadas nas regiões árticas, por exemplo Cystophora cristata (foca-de-crista) e Pusa hispida (foca-anelada), ou provenientes das regiões temperadas do Atlântico NE.
Nestes casos, a maioria dos exemplares são juvenis que dispersam a partir dos locais de nascimento nas costas atlânticas da Europa Ocidental, designadamente na periferia das Ilhas Britânicas.
Figura 70 ― Foca-comum.
As espécies de pinípedes mais representadas nestas ocorrências são Halychoerus grypus (foca-cinzenta) e Phoca vitulina (foca-comum), com um predomínio numérico da primeira espécie no caso das observações realizadas em décadas recentes.
Figura 71 ― Foca-cinzenta.
Répteis marinhos
A maior parte das tartarugas marinhas vive em águas quentes nas regiões tropicais ou subtropicais, no entanto, algumas espécies efetuam migrações extensas usando, por exemplo, a corrente do Golfo. Ainda que a sua presença nas águas da subdivisão do continente seja rara, destacam-se as seguintes espécies:
Caretta caretta (tartaruga-comum)
Espécie de ampla distribuição, ocorre em todos os oceanos, em águas costeiras tropicais e subtropicais. É uma espécie ocasional na subdivisão do continente e encontra-se esporadicamente em todas as costas, sendo um visitante regular na costa sul do Algarve, por onde passa na sua migração entre os habitats pelágicos atlânticos e os do Mediterrâneo ocidental. Os adultos têm hábitos costeiros, enquanto os juvenis e subadultos ocorrem exclusivamente no alto mar. Nas águas portuguesas ocorrem predominantemente juvenis, que exploram as frentes oceânicas em busca de alimento, que inclui preferencialmente crustáceos, bivalves e outros invertebrados.
Figura 72 ― Tartaruga-comum. Adaptado de Cabral, et al., 2005.
Dermochelys coriacea (tartaruga-de-couro)
Ocorre em águas tropicais, subtropicais e subpolares, tendo uma distribuição mais ampla do que as restantes espécies, uma vez que os adultos suportam melhor as temperaturas mais baixas. É uma espécie ocasional na subdivisão do continente, havendo vários registos de tartarugas de couro adultas, a maioria capturada acidentalmente em redes. É a segunda espécie mais comum em águas portuguesas, após a tartaruga-comum, e provavelmente a mais comum no continente. Espécie de hábitos pelágicos, vive em alto mar e apenas se aproxima da costa durante as épocas de reprodução, nos locais onde esta ocorre, podendo então ser encontrada em baías e estuários. Embora se alimente predominantemente de organismos epipelágicos, como medusas, tunicados e outros invertebrados abundantes em zonas de upwelling e correntes de convergência, faz frequentemente mergulhos profundos.
Figura 73 ― Tartaruga-de-couro.
Chelonia mydas (tartaruga-verde)
Ocorre em águas tropicais e subtropicais costeiras e ao redor de ilhas, sendo rara a ocorrência em águas temperadas. É uma espécie ocasional na subdivisão do continente, tipicamente costeira, raramente avistada em alto mar. A sua alimentação varia ao longo do seu ciclo de vida, sendo que os juvenis são omnívoros e os adultos herbívoros, alimentando-se de algas e ervas marinhas.
Figura 74 ― Tartaruga-verde. Adaptado de Illustraciència/ACCC. Cedido por Manuel Ignacio Copello.
Eretmochelys imbricata (tartaruga-de-escamas)
Ocorre nas águas tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Trata-se de uma espécie migratória que habita preferencialmente recifes de coral e águas costeiras de baixa profundidade, embora possa frequentar também águas profundas. É uma espécie extremamente rara em águas portuguesas. Alimenta-se principalmente de esponjas, anémonas, lulas e camarões.
Figura 75 ― Tartaruga-de-escamas.
5 - Áreas relevantes para a conservação da natureza na zona de influência do PAER
Áreas designadas
Em Portugal, são diferentes os estatutos e as origens dos processos utilizados na criação de áreas destinadas à conservação da natureza (tabela ii), existindo áreas criadas ao abrigo das Diretivas Habitats e Aves, para além de áreas criadas por legislação interna e de áreas que foram estabelecidas no âmbito da Convenção OSPAR.
Na subdivisão do continente, no âmbito da legislação nacional, existem seis áreas protegidas com área marinha que se encontram integradas na RNAP e cinco dessas áreas fazem parte da rede de AMP designadas ao abrigo da Convenção OSPAR, na componente que corresponde à sua parte marinha (Litoral Norte, Berlengas, Arrábida, Lagoas de Santo André e da Sancha, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina). Em termos de ecossistemas protegidos, estas áreas incluem ecossistemas estuarinos, insulares, ecossistemas lagunares e alguns habitats críticos e vulneráveis, como é o caso das pradarias marinhas. Já no âmbito da legislação comunitária, na subdivisão do continente existem, à presente data, 10 ZPE e 7 ZEC com área marinha, cuja gestão se enquadra parcialmente no Plano Setorial da Rede Natura 2000. Existe ainda uma Área Marinha Protegida (AMP) de âmbito local (AMP Avencas), na qual foram atribuídas competências de gestão ao respetivo município.
Tabela II. Áreas designadas da subdivisão do Continente com interesse para o PAER
Enquadramento | Designação | Área total (km2) | Área marinha (km2) | Estatuto de proteção | Localização |
|---|---|---|---|---|---|
Áreas protegidas de âmbito nacional (rede gerida pelo ICNF) (193) | |||||
Nacional | Parque Natural do Litoral Norte (*) | 88,87 | 76,53 | Parque natural | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Nacional | Reserva Natural das Dunas de São Jacinto | 9,60 | 2,10 | Reserva natural | Águas interiores marítimas |
Nacional | Reserva Natural das Berlengas (*) | 95,60 | 94,56 | Reserva natural | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Nacional | Parque Natural da Arrábida (*) | 179,49 | 56,21 | Parque natural | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Nacional | Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha (*) | 52,47 | 21,37 | Reserva natural | Águas interiores marítimas |
Nacional | Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (*) | 894,25 | 288,58 | Parque natural | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Nacional | Monumento Natural do Cabo Mondego | 1,17 | 0,49 | Monumento natural | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Rede Natura 2000 - Sítios de Importância Comunitária | |||||
Diretiva Habitats | Litoral Norte PTCON0017 | 27,97 | 9,29 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Habitats | Ria de Aveiro PTCON0061 | 331,30 | 23,32 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Habitats | Peniche/Santa Cruz PTCON0056 | 82,86 | 54,74 | ZEC | Mar territorial |
Diretiva Habitats | Sintra/Cascais PTCON0008 | 166,32 | 85,22 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Habitats | Arrábida/Espichel PTCON0010 | 206,62 | 55,32 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Habitats | Costa Sudoeste PTCON0012 | 2 612,32 | 1 638,70 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Habitats | Banco Gorringe PTCON0062 | 22 927,78 | 22 927,78 | ZEC | ZEE |
Diretiva Habitats | Maceira - Praia da Vieira (**) | 5 026,74 | 5 026,74 | ZEC | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Rede Natura 2000 - Zonas de Proteção Especial | |||||
Diretiva Aves | Estuários dos rios Minho e Coura PTZPE0001 | 33,93 | 3,12 | ZPE | Águas interiores marítimas |
Diretiva Aves | Ria de Aveiro PTZPE0004 | 514,07 | 207,37 | ZPE | Mar territorial |
Diretiva Aves | Aveiro/Nazaré PTZPE0060 | 2 929,29 | 2 929,29 | ZPE | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Diretiva Aves | Ilhas Berlengas PTZPE0009 | 1 026,63 | 1 025,81 | ZPE | Águas interiores marítimas/mar territorial/ZEE |
Diretiva Aves | Cabo Raso PTZPE0061 | 1 335,47 | 1 335,47 | ZPE | Mar territorial/ZEE |
Diretiva Aves | Cabo Espichel PTZPE0050 | 164,28 | 155,54 | ZPE | Mar territorial |
Diretiva Aves | Lagoa de Santo André PTZPE0013 | 21,65 | 7,59 | ZPE | Águas interiores marítimas |
Diretiva Aves | Lagoa da Sancha PTZPE0014 | 4,09 | 2,74 | ZPE | Águas interiores marítimas |
Diretiva Aves | Costa Sudoeste PTZPE0015 | 1 006,85 | 530,71 | ZPE | Águas interiores marítimas/mar territorial |
Figura 76 ― Parque Natural do Litoral Norte.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Tendo em conta a importância da região do ponto de vista da conservação, foi ainda criado o Sítio de Importância Comunitária Litoral Norte, que integra, em parte, a área do Parque Natural do Litoral Norte.
Os fundos marinhos são predominantemente arenosos, incluindo-se também zonas de cobertura areno-cascalhenta e formações rochosas (rocha granítica e metamórfica). A região inclui praias de mar e de rio (Neiva e Cávado), a que estão associados recifes situados ao longo da costa (Apúlia e Fão), que constituem substratos rochosos submarinos ou expostos durante a maré baixa, que emergem do fundo marinho na zona sublitoral e podem estender-se à zona litoral. Estes habitats contribuem para a deposição de areia, colonizada por macroinvertebrados típicos de substrato móvel, para além de constituírem locais de fixação de algas que atraem diversas comunidades de vertebrados e invertebrados. Funcionam também como local de abrigo para pequenos peixes, ovos e estádios juvenis de peixes. Esta zona suporta comunidades bentónicas fixas ou móveis de grande biodiversidade, em que se inclui uma elevada riqueza específica em algas vermelhas ou castanhas e uma grande variedade faunística, com destaque para os povoamentos de espongiários, sendo comum também a associação com cnidários (anémonas), crustáceos (cracas) e moluscos (lapas, mexilhão).
A área marinha é caracterizada por um substrato rochoso com afloramentos que podem ultrapassar os 18 m de altura, formando uma vasta área de baixios (Cavalos de Fão, Pena) e profundidades que não ultrapassam os 50 m. As águas frias e ricas em nutrientes suportam uma série de organismos, podendo observar-se representantes de diversos grupos taxonómicos que aqui encontram alimento e proteção. Os bosques de laminárias e a rica fauna de espongiários e cnidários, bem como diversas espécies de peixes, que se encontram, em regra, em costas varridas pelas ondas, caracterizam a zona permanentemente submersa do litoral norte.
A biodiversidade de espécies piscícolas é elevada, sendo esta área rica em espécies de elevado valor comercial, destacando-se várias espécies de raia (Raja clavata; Raja undulata; Raja miratelus), a sardinha Sardina pilchardus, o badejo Merlangius merlangus, o sargo-legítimo Diplodus sargus, o robalo Dicentrarchus labrax, o sargo Diplodus sargus, o congro Conger conger, a solha Pleuronectes platessa e a faneca Trisopterus luscus. Neste habitat ocorrem também algumas espécies de aves marinhas, como é o caso da pardela-balear Puffinus mauretanicus, da gaivota-tridáctila Rissa tridactyla, da galheta Phalacrocorax aristotelis, do corvo-marinho Phalacrocorax carbo, do alcaide Catharacta skua, do garajau-comum Sterna hirundo, da chilreta Sterna albifrons, do garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis, do guincho Larus ridibundus, da gaivota-de-asa-escura Larus fuscus e da gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis. É possível que ocorram esporadicamente algumas espécies de cetáceos, nomeadamente o boto Phocoena phocoena, e também répteis marinhos, em particular a tartaruga-comum Caretta caretta e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriácea.
Reserva Natural das Dunas de São Jacinto
A Reserva Natural das Dunas de São Jacinto (195), figura 77, situa-se no extremo da península que se estende entre Ovar e a povoação de São Jacinto, limitada a poente pelo oceano Atlântico, na isobatimétrica dos 6 m, e a nascente por um dos braços da ria de Aveiro. Tendo em conta a importância da região do ponto de vista da conservação, foi ainda criada a ZPE Ria de Aveiro e o Sítio de Importância Comunitária Ria de Aveiro, os quais coincidem, em parte, com os limites da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto.
Figura 77 ― Reserva Natural das Dunas de São Jacinto.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Pela sua localização entre o mar e a ria, é uma zona de transição que integra habitats característicos dos dois sistemas, caracterizada por uma elevada biodiversidade. A Reserva, de clima marcadamente mediterrânico e com uma evidente influência atlântica, abrange aproximadamente 9,6 km2, em que a área marítima representa mais de 20 %. A Reserva Natural das Dunas de São Jacinto foi criada com o objetivo de promover a proteção do ecossistema dunar, seus habitats e espécies e património natural associado, tendo em conta que as formações dunares da região constituem um sistema sensível de elevado valor geomorfológico, florístico e faunístico, com destaque para a excelência de condições para as aves marinhas. Efetivamente, o cordão dunar que separa o mar e a ria de Aveiro e a área florestada limítrofe funcionam como barreira ao avanço do mar e constituem uma defesa contra a intensidade dos ventos e movimento das areias, impedindo alterações significativas ao equilíbrio ecológico da ria de Aveiro e proporcionando condições ideais para o refúgio de muitas espécies de aves marinhas migratórias.
Reserva Natural das Berlengas
A Reserva Natural das Berlengas (196), figura 78, é constituída pelo arquipélago das Berlengas e pela área marinha envolvente. Realça-se ainda a criação da ZPE Ilhas Berlengas, ao abrigo da Diretiva Aves, que se sobrepõe à área da Reserva Natural, e a designação do Sítio de Importância Comunitária Arquipélago da Berlenga, de área exclusivamente terrestre, no âmbito da Diretiva Habitats, que passou também a integrar a Lista Nacional de Sítios da Rede Natura 2000.
Figura 78 ― Reserva Natural das Berlengas.Fonte: Geoportal «Mar Português».
O arquipélago das Berlengas é composto por três grupos de ilhas e ilhéus: a ilha da Berlenga, com o grupo das Estelas, à distância de 1 mn para ocidente, são massas de granito róseo, enquanto os Farilhões são um grupo de rochedos situados a 3,5 mn para NW, constituídos por gnaisses e micaxistos, parte de uma antiga zona continental atualmente submersa. O arquipélago situa-se ao largo de Peniche, a 5,7 mn para ocidente do cabo Carvoeiro, estando localizado no limite da plataforma continental geológica da subdivisão do continente, e a sul do canhão da Nazaré, uma estrutura marcante na batimetria desta zona, que corta o extremo norte e nordeste da área correspondente à ZPE alargada das Berlengas.
O canhão, com 227 km de extensão, apresenta uma direção NE-SW e sulca os fundos da plataforma continental nesta zona e cria declives abruptos na batimetria, afetando a região marítima situada na margem norte e oeste do Farilhão Grande, onde a profundidade desce até abaixo dos 1000 m em apenas 4 km. Na restante área, a batimetria é típica da zona de plataforma continental geológica, onde se insere, com profundidades que descem suavemente desde o sopé das ilhas, a cerca de 40 m de profundidade, até aos 150 m. A maior parte do fundo marinho é de natureza rochosa, sendo que, na zona central e áreas limítrofes, se encontra coberto por areias finas a cascalhentas, formando uma mistura de sedimentos, os quais dão lugar a cascalho na zona central, sendo ambos de natureza lito a bioclástica. Os sedimentos com uma componente lodosa ocorrem maioritariamente na parte norte da ZPE das ilhas Berlengas, a oeste dos rochedos das Estelas e a nordeste da ilha Berlenga e dos rochedos dos Farilhões, e para sudoeste da zona considerada.
A localização geográfica desta área confere-lhe características muito particulares, uma vez que beneficia de dois tipos distintos de influências climáticas: a atlântica nas áreas mais expostas a norte e a mediterrânica nas áreas mais expostas a sul. Esta particularidade associada ao hidrodinamismo e exposição aos ventos fazem das ilhas Berlengas uma zona fronteiriça de reconhecido valor biológico. A massa de água superficial na região das ilhas Berlengas é a água central do Atlântico Nordeste, até aos 300 m de profundidade, caracterizada à superfície por temperaturas entre os 13 °C e os 18 °C, e cerca de 8° a 10 °C aos 300 m. As isotérmicas variam ao longo do ano entre os 13 °C e os 18 °C, com temperaturas mais elevadas de julho a setembro e mais baixas de dezembro a março. Ventos fortes de norte podem originar descidas de temperatura de 2 °C a 3 °C no verão (upwelling costeiro), enquanto ventos fortes de SW podem aquecer a água superficial de 1 °C a 2 °C. Nesta região, entre os 300 m e os 600 m de profundidade as características da massa de água correspondem às da água intermédia do Atlântico Norte. Já entre os 600 m e os 1200 m de profundidade as características das massas de água intermédias são alteradas pelo aparecimento da água mediterrânica, com temperaturas entre os 12,7 °C e os 13,5 °C. Entre os 1000 m e os 4000 m de profundidade, circula a água profunda do Atlântico Norte com temperaturas entre os 6 °C e os 3 °C. A circulação oceânica na zona das ilhas Berlengas está fortemente condicionada pelo vento, no verão, pela corrente para norte, no inverno, e pelas marés. De abril a setembro há um regime forçado pelos ventos de norte e o desenvolvimento de uma termoclina aos 20 m de profundidade, em que as águas superficiais são transportadas para oceano aberto e há uma ascensão de águas profundas e frias. De outubro a março as correntes predominantes são para norte e as águas mais quentes e salinas de latitudes mais baixas progridem em relação a norte. As correntes de maré desta zona estão amplificadas e polarizadas numa direção norte-sul.
Dos habitats marinhos presentes merecem especial distinção o habitat 1170 «Recifes», de origem rochosa, bem como o habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas», onde vivem comunidades bentónicas formadas por espécies vegetais e animais, e onde ocorrem comunidades não bentónicas associadas, em apreciável estado de conservação. O arquipélago está localizado numa região marítima de elevada produtividade biológica, sendo uma zona de confluência de faunas de origens diversas, apresentando espécies próprias da orla litoral e outras oriundas do mar alto e que, com menor frequência, chegam à costa continental. Por outro lado, o enquadramento geofísico associado ao regime de vento na costa origina fenómenos de afloramento costeiro, caracterizado pela subida das águas frias profundas junto à costa, que condicionam o clima da região e contribuem para a elevada produtividade das águas e para o desenvolvimento de uma fauna aquática que inclui populações de interesse comercial. A importância das Berlengas enquanto ecossistema insular e o elevado valor biológico da área marinha envolvente, rica em peixes e mamíferos marinhos, plantas marinhas e outros organismos marinhos, para além do papel da ilha em termos de avifauna marinha e a presença de interessante património arqueológico subaquático foram outros tantos fatores que pesaram na classificação desta área como Reserva Natural.
A maioria das espécies de algas encontradas nesta zona são algas vermelhas das ordens Ceramiales, Corallinales e Gigartinales, e algas verdes das ordens das Cladophorales e Ulvales. Os povoamentos de algas destacam-se pelo seu caráter meridional quando comparada com os povoamentos da costa da subdivisão do continente à mesma latitude. Estudos relativos ao zooplâncton da Reserva Natural das Berlengas indicam que o grupo mais abundante são os Cladocera, seguindo-se os copépodes e os organismos gelatinosos (Pardal e Azeiteiro, 2001; Mendes et al., 2011). Relativamente às comunidades bentónicas, estão presentes espécies pertencentes a diversos grupos taxonómicos, nomeadamente anelídeos, artrópodes, briozoários, cnidários, cordados, equinodermes, equiurídeos, foronídeos, moluscos, platelmintas e poríferos. Destacam-se pelo seu valor comercial: berbigão Cerastoderma edule, caranguejo-verde Carcinus maenas, lavagante Homarus gammarus, santola Maja brachydactyla, navalheira Necora puber, camarão Palaemon elegans, camarão-branco legítimo P. serratus, lagosta Palinurus elephas, percebe Pollicipes pollicipes, lagosta-da-pedra Scyllarides latus, bruxa Scyllarus arctus, ameijola Callista chione, cadelinha Donax trunculus, ostra Ostrea edulis, vieira Pecten maximu e os ouriços Paracentrotus lividus e Sphaerechinus granularis.
Esta zona é particularmente importante para diversas populações de aves marinhas, que buscam o seu alimento no mar, ao passo que as ilhas servem de refúgio ideal para a reprodução. Algumas aves ocorrem ocasionalmente no arquipélago, utilizando-o como escala nas suas migrações, outras apresentam populações nidificantes, como é o caso da cagarra Calonectris diomedea, da galheta Phalacrocorax aristotelis, da gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, da gaivota-de-asa-escura Larus fuscus, do airo Uria aalge e do roquinho Hydrobates castro.
As condições oceanográficas favorecem também a ocorrência de uma grande variedade e abundância de peixes, como o robalo Dicentrarchus labrax, o sargo Diplodus spp., o bodião Labrus bergylta, o pargo Pagrus pagrus e a dourada Sparus aurata e o mero Epinephelus marginatus. Também ocorrem frequentemente grandes cardumes de sardinhas e de outras espécies planctónicas, o que atrai diversas espécies de mamíferos marinhos, nomeadamente o golfinho-comum Delphinus delphis, o roaz Tursiops truncatus, o boto Phocoena phocoena, o golfinho-riscado Stenella coeruleoalba, a baleia-anã Balaenoptera acutorostrata e o zífio Ziphius cavirostris.
Parque Natural da Arrábida
Localizado ao longo da costa sul da península de Setúbal, entre a serra da Arrábida e o cabo Espichel, foi criado em 1998 o Parque Marinho Professor Luiz Saldanha enquanto parte integrante do Parque Natural da Arrábida (197), figura 79, área protegida do sistema nacional que está também integrada na Rede Natura 2000.
Figura 79 ― Parque Natural da Arrábida (área marinha correspondente ao Parque Marinho Professor Luiz Saldanha).
Fonte: Geoportal «Mar Português».
A riqueza em endemismos e em raridades dos elencos florístico e faunístico, assim como, o bom estado de conservação de alguns dos habitats existentes nas zonas marinha e terrestre da Arrábida, serviram de base à indicação do ZEC Arrábida-Espichel, incluído na Lista Nacional de Sítios da Rede Natura 2000. Pela importância que tem para as aves selvagens, a zona do cabo Espichel foi igualmente classificada como ZPE, cuja área se sobrepõe, em parte, à área do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha.
O Parque Marinho estende-se por uma zona com cerca de 38 km de comprimento, que se desenvolve ao longo de uma linha de costa maioritariamente rochosa e escarpada entre a praia da Figueirinha, na barra do estuário do Sado e a praia da Foz a norte do cabo Espichel. A sua área totaliza cerca de 53 km2 distribuídos ao longo de uma faixa orientada segundo a linha de costa até uma profundidade máxima de 100 m. No extremo oeste do Parque, a batimetria desce da linha de costa até ao limite da área protegida, de forma regular, atingindo profundidades máximas de 40 m. Já na costa virada a sul, o Parque apresenta uma plataforma suave, mas mais inclinada, até aos 40 m, seguida de um talude que atinge profundidades que vão até aos 120 m na zona do cabo Espichel. As profundidades máximas vão diminuindo progressivamente de oeste para este, até 60 m a 70 m antes da zona do Portinho da Arrábida. A extremidade leste do Parque, junto ao Portinho da Arrábida, é muito baixa e plana, atingindo apenas os 10 m de profundidade. O Parque ocupa uma porção da costa portuguesa com características muito particulares, caracterizando-se por uma grande variedade de fundos de natureza rochosa e arenosa. Os seus fundos são predominantemente rochosos nos primeiros metros após a linha de costa (afloramentos e blocos rochosos caídos da arriba) e a areia ocorre quando os fundos rochosos terminam, destacando-se diversas praias e numerosas pequenas enseadas ou baías.
O ambiente marinho do Parque Natural da Arrábida é extremamente homogéneo e caracterizado como temperado quente. Após um mínimo no inverno, com valores médios pelos 13 °C, a temperatura das águas superficiais sobe até aos 20 °C em finais da primavera e diminui de seguida até aos 15 °C no início do verão, em consequência do afloramento costeiro com afastamento das águas superficiais para o largo e reposição por massas de água do fundo mais frias. A partir de setembro, o regime mais irregular de ventos não permite a manutenção do afloramento costeiro, o que conduz à aproximação da temperatura da água aos valores normais para a época. Os valores de salinidade na zona, medidos entre os 35 m e os 45 m de profundidade, variam tipicamente dos 35,55 aos 36,20 psu. A orientação a sul deste troço do litoral é única na costa ocidental da subdivisão do continente e, em conjugação com o sistema de serras e terras altas em território terrestre, representa uma proteção à faixa marinha muito eficaz contra os ventos dominantes do quadrante norte, dominantes em Portugal continental. Estas características especiais são responsáveis pela reduzida ondulação predominante no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, o que favorece o desenvolvimento e reprodução de muitas espécies, inclusivamente espécies raras na restante costa portuguesa, caracteristicamente com maior agitação marítima. Esta área está fundamentalmente sob a influência da corrente do Atlântico Norte, que flui de norte para sul ao longo da costa continental. Esta região é também influenciada pela presença da corrente profunda do Mediterrâneo, devido à aproximação à costa, induzida pela existência dos canhões submarinos de Setúbal, a sul, e de Lisboa, a oeste. Por outro lado, dada a proximidade do estuário do rio Sado, ocorre uma marcada influência de fortes correntes de maré, paralelas à costa, que continuamente interagem com as comunidades e habitats marinhos presentes.
A complexidade e diversidade de habitats marinhos existentes fazem desta região um autêntico hotspot de biodiversidade de flora e fauna, que conta com mais de 1400 espécies registadas, muitas delas com interesse comercial, que tipicamente ocorrem em costas abrigadas e são raras na costa ocidental portuguesa. Zona de elevada produção primária, é utilizado como local de refúgio e crescimento de juvenis de muitas espécies, desempenhando um papel de área de criação, muitas vezes só atribuído aos estuários. De entre os vários habitats, destacam-se os blocos rochosos como variante particular do habitat 1170 «Recifes», onde se localiza o maior número de espécies raras em Portugal, para além do habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», do habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas» e de associações de algas fotófilas e grutas submarinas, que são também repositórios de grande biodiversidade e abrigo de espécies de valor económico. Os elevados índices de biodiversidade da região e a grande diversidade e variedade de biótopos costeiros, com características únicas no país, devem-se ao grau de proteção da costa, às condições particulares de orientação geográfica, regime hidrológico e topografia da costa, ao nível de complexidade estrutural do habitat e ao facto de ser uma zona de transição faunística onde muitas espécies apresentam o seu limite de distribuição. Além disso, a variação das condições ao longo deste segmento da costa favorece o desenvolvimento de diferentes povoamentos, que a tornam representativa de um leque muito variado de diferentes tipos de biótopos, cada um deles com uma elevada diversidade. Nos baixios junto à foz do Sado desenvolvem-se importantes bancos de zosteráceas, com a sua flora e fauna própria, que contribuem para estabilizar os bancos de areia situados na entrada do estuário. Para oeste surgem povoamentos característicos de costas rochosas abrigadas, que abaixo das zonas das marés se continuam por ricas comunidades de algas fotófilas. Na zona do cabo Espichel, a costa torna-se mais exposta e a ação da ondulação intensifica-se rapidamente surgindo a norte do cabo comunidades características das costas atlânticas de hidrodinamismo acentuado. É também nesta zona que o substrato rochoso se prolonga até profundidades mais elevadas, aparecendo povoamentos distintos característicos de substratos rochosos de maior profundidade e luminosidade reduzida.
O Parque Marinho proporciona condições para o desenvolvimento de diversas comunidades vegetais que se encontram em regressão no restante território nacional e a flora marinha conta, na sua esmagadora maioria, com elementos florísticos das várias divisões das algas. Constituem habitats de que dependem muitas espécies marinhas, baseados em espécies estruturantes, os povoamentos da alga vermelha do género Gelidium, explorada comercialmente, as florestas sazonais de algas castanhas da família das Laminárias (Golfo) e do género Cystoseira (cauda-de-raposa), as pradarias submarinas de zoosteráceas (limo) e os povoamentos de algas incrustantes Mesophyllum lichenoides. A zona subtidal caracteriza-se por ter extensas florestas de Saccorhiza polyschides e Cystoseira usneoides, que servem de substrato a outras espécies, encontrando-se também espécies de pequeno e médio tamanho, típicas de águas meridionais (e.g., Anotrichium barbatum, A. tenue, Amphiroa beauvoisii, Aphanocladia stichidiosa, Bonnemaisonia clavata, Carpomitra costata, Colpomenia sinuosa, Hydroclathrus clathratus, Predaea pusilla, Sebdenia rodrigueziana e Vickersia baccata). As espécies que caracterizam a costa virada a sul, mais abrigada, têm caráter meridional, enquanto as espécies presentes na zona oeste, mais exposta à ação dos ventos e vagas, são características de costas batidas (e.g., Desmarestia ligulata, Gelidium sesquipedale, Heterosiphonia plumosa, Laminaria ochroleuca e Rhodymenia pseudopalmata). Estudos relativos ao zooplâncton do Parque Marinho revelam a ocorrência de alguns anfípodes (e.g., Hyperia spp., Parathemisto oblivia, Caprella equilibra), de cnidários (e.g., Chelophyes appendiculata, Aglaura hemistoma e Liriope tetraphylla) e de copépodes (e.g., Centropages chierchiae, Acartia grani, Clausocalanus arcuicornis, Euterpina acutifrons, Oncaea nana, Oithona nana e O. plumifera,), assim como do cladócero Evadne spinifera, do apendiculário Oikopleura spp. e ainda de larvas de gastrópodes, bivalves e equinodermes (Candeias, 1930; 1932; 1934).
O Parque Marinho é um local de enorme importância para a reprodução e crescimento de muitas espécies de peixes, registando-se uma elevada densidade de larvas junto à costa, incluindo várias com interesse comercial ou de interesse para a conservação, destacando-se a sardinha Sardina pilchardus, carapau Trachurus trachurus, linguado Solea senegalensis, sargo Diplodus sargus, salema Sarpa salpa, robalo Dicentrarchus labrax, rascasso Scorpaena porcus, bodião-vulgar Symphodus melops, besugo Pagellus acarne, pargo-legítimo Pagrus pagrus, sarda Scomber scomber, cavala Scomber japonicus, polvo-vulgar Octopus vulgaris, judia Coris julis, cação-liso Mustelus mustelus, cavalo-marinho-de-focinho-comprido Hippocampus gutullatus e várias espécies de raia como Raja undulata, R. clavata, R. brachyuran, R. montagui. Podem ainda ser encontradas várias espécies de moluscos, como o choco-vulgar Sepia officinalis, e de equinodermes, como a estrela-do-mar Marthasterias glacialis, o ouriço-do-mar Paracentrotus lividus e o pepino-do-mar Holothuria forskali.
Esta área regista também a ocorrência de um vasto conjunto de aves marinhas, em particular na zona do cabo Espichel em período migratório, destacando-se a galheta Phalacrocorax aristotelis, a torda-mergulheira Alca torda, a gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus, o garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis e o garajau-comum Sterna hirundo. É ainda possível encontrar algumas espécies de mamíferos marinhos de ocorrência pontual, como o golfinho-comum Delphinus delphis, o golfinho-riscado Stenella coeruleoalba, o roaz Tursiops truncatus e, ocasionalmente, o boto Phocoena phocoena, entre outras. Excecionalmente ocorrerem ainda pinípedes, como a foca-cinzenta Halichoerus grypus e a foca-comum Phoca vitulina, e de répteis marinhos, em particular a tartaruga-comum Caretta caretta e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea. A área do estuário do Sado e algumas zonas marinhas adjacentes são utilizadas pela única população residente de golfinhos roazes Tursiops truncatus existente no país.
Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha
A Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha (198), figura 80, localiza-se no território sudoeste de Portugal continental, na região do Alentejo e estende-se ao longo de uma faixa litoral de 16 km, abrangendo um setor terrestre com uma largura variável de 2 a 3 km e uma faixa marítima com 1,5 km de largura, definida a partir da linha da costa.
A área da Reserva está ainda abrangida por outras normas de proteção devido aos seus valores naturais, decorrentes das Diretiva Aves e Diretiva Habitats, tendo sido criadas as Zonas de Proteção Especial de Santo André e da Sancha, devido à sua importância para a conservação das aves, e tendo sido englobada grande parte da área no Sítio de Importância Comunitária Comporta/Galé, devido à sua importância para a conservação de diversos habitats e espécies ameaçadas a nível europeu.
Figura 80 ― Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha e Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Constituída essencialmente por um conjunto de ecossistemas litorais e sublitorais, tem como elementos fundamentais os sistemas lagunares costeiros de Santo André e da Sancha, que são marginados por um conjunto diversificado de ecossistemas aquáticos e ribeirinhos influenciados pelas águas doces e salobras. Esta área é influenciada pelo regime de circulação atmosférica que afeta a globalidade da faixa costeira do sul de Portugal, ao qual se associam fatores regionais como a proximidade ao Atlântico, estando localizada num trecho de costa bastante exposto aos fortes ventos oceânicos. Apesar de se tratar de uma área relativamente pequena, a biodiversidade local é elevada, o que se reflete em valores significativos de riqueza específica, tendo em consideração as condições oceanográficas e os fundos marinhos relativamente uniformes de substrato mole. A classificação como área protegida teve como principal objetivo a conservação do elevado valor ecológico destas duas zonas húmidas e das suas zonas envolventes, enquanto áreas importantes para a reprodução, invernada e migração de aves, visando proteger também o complexo dunar envolvente e a faixa marítima adjacente.
A componente marinha da Reserva é uma zona de substrato predominantemente arenoso, estando inserida na plataforma continental norte-alentejana, uma superfície aplanada de declive suave. Os ecossistemas marinhos nesta área incluem invertebrados que vivem no subsolo e os seus predadores. Ainda que os estudos sobre as comunidades biológicas desta área sejam reduzidos, os dados indicam que, de entre as várias espécies de bivalves, são particularmente abundantes a amêijoa-branca Spisula solida, o pé-de-burrico Venus casina, o longueirão Ensis siliqua, a conquilha Donax trunculus, a navalha Pharus legumen e a amêijoa-relógio Dosinia exoleta. É também de referir a ocorrência de densidades elevadas do caranguejo Polybius henslowii. As espécies de peixe mais abundantes são típicas de substratos móveis, destacando-se a presença de Pleuronectiformes como o linguado-da-areia Solea lascaris, o linguado-comum Solea vulgaris, o pregado Psetta maxima e o rodovalho Scophtalmus rombus. O grupo das espécies bentónicas predominantes inclui as raias (Raja clavata, R. brachyura, R. undulata), a tremelga Torpedo marmorata, o peixe-aranha Echiithys vipera e o ruivo Chelidonichthys lastoviza. As espécies pelágicas mais relevantes incluem a sardinha Sardina pilchardus, a cavala Scomber japonicus e o carapau-branco Trachurus trachurus.
As aves são, porém, o grupo faunístico mais relevante na Reserva Natural, sendo características deste biótopo as aves costeiras, que se alimentam no mar e que utilizam regularmente a praia para repousar, com destaque para a chilreta Sterna albifrons, e as aves pelágicas, cuja distribuição está circunscrita à faixa marítima. O segundo grupo é o mais típico e está essencialmente representado pelas espécies cagarra Calonectris diomedea, pardela-balear Puffinus mauretanicus, alma-de-mestre Hydrobates pelagicus, roquinho Hydrobates castro, alcatraz Morus bassanus, alcaide Catharacta skua, moleiro-pequeno Stercorarius parasiticus, gaivota-tridáctila Rissa tridactyla, gaivota-pequena Hydrocoloeus minutus e torda-mergulheira Alca torda. Refere-se ainda a presença esporádica de algumas espécies de mamíferos marinhos, como o golfinho-comum Delphinus delphis e o roaz Tursiops truncatus, entre outros, assim como a ocorrência irregular de répteis marinhos, como a tartaruga-comum Caretta caretta.
Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (199), figura 81, localiza-se no sudoeste da costa de Portugal continental, integrado nas regiões do Alentejo e do Algarve, desenvolvendo-se desde a ribeira da Junqueira, a norte de Porto Covo, no concelho de Sines, até ao limite do concelho de Vila do Bispo, junto ao Burgau.
Distribuído por uma extensa zona costeira alcantilada e arenosa, o Parque corresponde a uma zona de interface mar-terra com características muito específicas que lhe conferem uma elevada diversidade paisagística e ecológica, com grande importância em termos de conservação, incluindo alguns habitats que suportam uma elevada biodiversidade, em que a avifauna e ictiofauna detêm papel destacado. A linha de costa é caracterizada por arribas elevadas, cortadas por barrancos profundos, pequenas praias, ribeiras e linhas de águas temporárias, estuários, sapais, sistemas dunares e sistemas lagunares que albergam uma grande diversidade de habitats. A importância da área para a conservação da natureza e biodiversidade levou à designação do Zona Especial de Conservação Costa Sudoeste e à criação da ZPE Costa Sudoeste, ambos integrando a Rede Natura 2000.
Figura 81 ― Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
A área marinha do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, designada de Parque Marinho do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, consiste numa faixa marítima de cerca de 2 km de largura e superfície aproximada de 288 km2, que inclui os fundos e águas do mar, bem como todos os recifes, rochedos emersos e ilhéus, desde a praia de São Torpes a sul do cabo de Sines, até à praia do Burgau no barlavento algarvio. Os habitats marinhos ocorrem ao longo de uma área com declives suaves e nas áreas mais afastadas de costa atinge-se a batimétrica dos 200 m, contando-se com a influência de dois canhões submarinos na proximidade, o canhão de São Vicente e o canhão de Portimão. A região marinha apresenta uma forte componente em fundos rochosos, que resulta numa predominância de habitats rochosos muito diversificados e estruturados, ainda que existam também algumas zonas de substrato móvel na zona fótica. A natureza diversificada dos fundos e a confluência de distintas massas de água mediterrânea, atlântica temperada e atlântica tropical, bem como o contributo estuarino e o afloramento de águas profundas são fatores determinantes para os elevados níveis de biodiversidade da região. Fundos rochosos, acidentes geográficos como pequenos ilhotes, baías e cabos, sistemas lagunares e o estuário do rio Mira suportam habitats que funcionam como locais de abrigo, alimentação, crescimento e reprodução para muitas espécies marinhas. De entre os habitats marinhos existentes, predomina o habitat 1170 «Recifes», assinalando-se também a presença do habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», que surgem com uma ocorrência mais costeira em zonas abrigadas, e do habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas», presentes especialmente na região do promontório de Sagres.
Os habitats marinhos albergam uma flora e fauna muito diversificada, com diversas espécies de algas, invertebrados, peixes, aves e mamíferos, que são importantes em termos de conservação e de interesse económico. Entre as numerosas espécies de algas que povoam os fundos da região, destacam-se Codium spp. e Enteromorpha spp., as florestas de laminárias, as Cystoseira spp. e Padina pavonica, as valiosas Gelidium sesquipedale. Nesta região destacam-se ainda os povoamentos estuarinos de Zoostera spp. São numerosas as espécies de aves que procriam na região, que nela invernam ou utilizam como plataforma migratória entre diversas regiões do norte de África e da Europa. As arribas marítimas assumem particular importância para aves marinhas como a galheta Phalacrocorax aristotelis, para além de que também o alcatraz Morus bassanus, o garajau-comum Sterna hirundo, a pardela-balear Puffinus mauretanicus, a chilreta Sterna albifrons e o garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis podem ser encontrados na área marítima desta região em período migratório. Entre as espécies de peixes comuns na região e de relevância do ponto de vista da conservação, destacam-se a savelha Alosa fallax, o mero Epinephelus marginatus, os cavalos-marinhos Hippocampus hippocampus e H. guttulatus, peixes migradores como a enguia Anguilla anguilla e o sável Alosa alosa, bem como o elasmobrânquio Cetorhinus maximus, as raias Raja clavata e R. montagui e os cabozes Gobius spp., Parablennius spp. e Lipophrys spp. Esta região é também uma área importante para a observação de cetáceos, de espécies costeiras e de águas mais profundas, incluindo algumas espécies típicas da orla da plataforma, como a baleia-anã Balaenoptera acutorostrata, e outras migradoras como a baleia-comum Balaenoptera physalus, que frequenta assiduamente esta região nas suas deslocações entre águas do Atlântico Norte e o Mediterrâneo. Têm sido assinaladas algumas observações do boto Phocoena phocoena e a presença regular do roaz Tursiops truncatus, cujas populações têm registado uma expansão significativa. Esta região é corredor de passagem regular de répteis marinhos como a tartaruga-comum Caretta caretta e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea, sendo possivelmente usada como área de alimentação. Com caráter excecional, é ainda possível encontrar alguns exemplares de pinípedes, como a foca-cinzenta Halichoerus grypus e a foca-comum Phoca vitulina.
Monumento Natural do Cabo Mondego
O Monumento Natural do Cabo Mondego (200), figura 82, ocupa uma área total de 1,17 km2, com um desenvolvimento aproximadamente paralelo à linha de costa, cobrindo uma área emersa (58 %) superior em relação à submersa (42 %), a qual ocupa, em extensão, cerca de 0,49 km2 (Rocha, 2010).
Figura 82 ― Monumento Natural do Cabo Mondego.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
O cabo Mondego, situado no bordo ocidental da serra da Boa Viagem, configura-se como um pequeno maciço de rochas sedimentares, que detém um conjunto assinalável de valores geológicos e uma notável geodiversidade. Estas características conferem-lhe uma posição de destaque no âmbito das geociências, ao representar, de forma particularmente completa, alguns dos mais importantes episódios da história da Terra ocorridos durante o Jurássico, aproximadamente entre os 185 e os 140 milhões de anos (Henriques, 1998). Com efeito, os afloramentos jurássicos do cabo Mondego constituem um conjunto de excecional importância, reconhecida a nível nacional e internacional. Destaca-se os elevados valores presentes nos domínios da paleontologia de amonites, da paleoecologia de ambientes de transição, da sedimentologia e da paleoicnologia dos dinossauros. Este conjunto sobressai, em particular, no domínio da estratigrafia, uma vez que o perfil geológico da passagem aaleniano-bajociano (consagrado como estratotipo de limite pela International Union of Geological Sciences) constitui um padrão internacional de referência, que materializa e representa um limite específico do tempo geológico, o que acontece pela primeira vez em Portugal (ICNF).
Inserido no contexto da Bacia Lusitânica, o cabo Mondego materializa uma série sedimentar meso-cenozoica, onde ocorrem alternâncias de calcários, calcários margosos e margas de idade jurássica (Rocha, 2010). Os sedimentos marinhos e lacustres dispõem-se ao longo da costa desde a praia da Murtinheira (do período jurássico inferior e médio), até à baía de Buarcos (do período jurássico superior). Nestes sedimentos encontram-se em abundância fósseis de amonites, belemnites, braquiópodes e bivalves do jurássico inferior e médio, sendo ainda de salientar as pegadas de megalossaurídeos do jurássico superior, algumas em excelente estado de conservação. Igualmente diversificadas são as fácies sedimentares que caracterizam estes sedimentos, reveladoras dos ambientes em que foram depositados. O património do Jurássico do cabo Mondego inclui representações singulares de valor científico, que resultaram da atuação de vários processos geológicos, como a génese de estruturas sedimentares típicas de diferentes ambientes deposicionais (marcas de ondulação, fendas de dissecação, depósitos tempestíticos, figuras de canal) (Rocha, 2010).
Rede Natura 2000 - Zonas especiais de conservação
ZEC Litoral Norte - PTCON0017
A ZEC Litoral Norte (201), figura 83, contém mais de 9 km2 de área marinha, que representam cerca de 33 % da sua área total e que se sobrepõem em parte à área do Parque Natural do Litoral Norte e da ZPE Estuários dos Rios Minho e Coura.
A ZEC apresenta um formato linear, albergando a costa norte de Portugal que inclui a foz dos rios Minho, Coura, Lima, Neiva e Cávado, onde ocorrem o habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda» e o habitat 1170 «Recifes», com uma grande diversidade de algas marinhas.
Salienta-se ainda a ocorrência do habitat 1130 «Estuários» de características atlânticas, na sua maioria em fraco estado de conservação. As comunidades biológicas desta ZEC estão descritas para o Parque Natural do Litoral Norte (ver volume iv-C do PSOEM, secção Parque Natural Litoral Norte). De entre as espécies de maior relevância do ponto de vista da conservação, destacam-se a lampreia-marinha Petromyzon marinus, o sável Alosa alosa, a savelha Alosa fallax e o salmão-do-Atlântico Salmo salar, espécies muito ameaçadas em Portugal, para além de répteis marinhos como a tartaruga-comum Caretta caretta e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea, de ocorrência pontual na região.
Figura 83 ― Sítio de Importância Comunitária Litoral Norte.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZEC Ria de Aveiro - PTCON0061
A ZEC Ria de Aveiro (202), figura 84, contém mais de 23 km2 de área marinha, que representam cerca de 7 % da sua área total e que se sobrepõem em parte à área da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto e da ZPE Ria de Aveiro, criada ao abrigo da Diretiva Aves.
Importante e extensa zona húmida, a ria de Aveiro é um sistema estuarino-lagunar composto por uma rede de canais de maré permanentemente ligados e por uma zona terminal com canais estreitos e de baixa profundidade (Ovar, São Jacinto, Mira e Ílhavo), onde se definem várias ilhas e ilhotas constituídas pela acumulação de materiais sedimentares. Preenchida por uma vasta extensão de águas flúvio-marinhas de salinidade variável, está separada do mar por cordões arenosos de largura variável, nomeadamente pelo cordão litoral de Ovar, que se desenvolve de Ovar até São Jacinto e o cordão litoral da Murtosa, que se instalou a partir de Mira e que vai até à praia da Barra. Toda esta área que se estende entre Vagos e Ovar, numa profusão de canais e de ilhas, constitui a parte terminal do rio Vouga. A permanente ligação ao mar, responsável pelo facto de a área da ria estar sujeita ao regime das marés, é assegurada através da barra de Aveiro, um canal artificial aberto no cordão litoral.
Figura 84 ― Sítio de Importância Comunitária Ria de Aveiro.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
A ria de Aveiro é considerada como a zona húmida mais importante do norte do país, albergando uma grande diversidade de comunidades vegetais halófilas e sub-halófilas numa extensa área estuarina, representando consequentemente a área mais importante de ocorrência do habitat 1130 «Estuários». Para além da importância desta área para a alimentação e reprodução de diversas espécies de aves, é também reconhecido o seu interesse para a conservação de diversas comunidades de peixes e de tipos de habitats estuarinos e costeiros, como é o caso do habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda».
É igualmente reconhecida a importância da ria de Aveiro e da bacia hidrográfica do Vouga para espécies de peixes migradores diádromos, i.e. que migram entre o mar e os rios, já que a ria lhes assegura condições ecológicas essenciais ao sucesso das suas migrações reprodutoras, garantindo a conectividade entre o meio marinho e os cursos de água doce, que constituem os locais de desova para espécies muito ameaçadas em Portugal, como é o caso da lampreia-marinha Petromyzon marinus, do sável Alosa alosa e da savelha Alosa fallax. Sendo residente, também a lampreia-de-riacho Lampetra planeri depende destes cursos de água, completando todo o seu ciclo de vida em meio dulciaquícola. Destaca-se também por assegurar a proteção do habitat 1130 «Estuários», que assume na ria de Aveiro uma expressão muito significativa.
ZEC Peniche/Santa Cruz - PTCON0056
A ZEC Peniche/Santa Cruz (203), figura 85, contém mais de 54 km2 de área marinha, que representam cerca de 66 % da sua área total. Esta ZEC abrange uma ampla faixa costeira com elevada diversidade paisagística, que se caracteriza pela alternância entre sistemas dunares e falésias, sendo suporte para uma importante biodiversidade. Inclui troços de litoral rochoso e arenoso e ainda um complexo de zonas húmidas litorais com grande especificidade biológica e geomorfológica. Destaca-se a existência do habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», do habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas» e do habitat 1170 «Recifes», que se dispõem ao longo da costa. Este Sítio abrange também o habitat 1330 «Prados salgados atlânticos», existente a norte de Peniche, sendo esta uma das duas únicas áreas de ocorrência deste habitat na região biogeográfica mediterrânica.
Figura 85 ― Sítio de Importância Comunitária Peniche/Santa Cruz.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZEC Sintra/Cascais - PTCON0008
A ZEC Sintra/Cascais (204), figura 86, contém cerca de 85 km2 de área marinha, que representam mais de metade da sua área total.
A paisagem global é marcada pelo maciço granítico da serra de Sintra, cujo limite ocidental cai abruptamente para o oceano Atlântico, formando imponentes falésias graníticas e pequenas praias encaixadas, de seixos e de calhaus rolados. Esta zona central prolonga-se para sul até junto à vila de Cascais, transformando-se numa faixa litoral baixa onde se intercalam as areias dos complexos dunares do Guincho, Cresmina e Oitavos e as plataformas litorais calcárias, de tipo cársico, mais ou menos elevadas, do cabo Raso, Guia e Boca do Inferno. Para norte estende-se uma faixa costeira em que as falésias rochosas e as arribas brandas vão alternando com praias arenosas, mais ou menos extensas e estreitas, até à foz do rio Sizandro.
Esta ZEC apresenta uma significativa diversidade de habitats sendo de realçar o habitat 1170 «Recifes», o habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», e o habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas», que ocorrem ao longo da costa. De entre as espécies de maior relevância do ponto de vista da conservação, destacam-se peixes migradores como a enguia Anguilla anguilla, para além de répteis marinhos como a tartaruga-comum Caretta caretta e a tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea, apesar de estas serem de ocorrência esporádica na região. Merece ainda referência a importância da região para diversas espécies de aves marinhas, como é o caso da galheta Phalacrocorax aristotelis, do alcaide Catharacta skua, do garajau-comum Sterna hirundo, do garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis, da chilreta Sterna albifrons, da torda-mergulheira Alca torda, da cagarra Calonectris diomedea, da gaivina-preta Chlidonias niger, do alma-de-mestre Hydrobates pelagicus, do gaivotão-real Larus marinus, da gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus, do guincho Larus ridibundus, da pardela-balear Puffinus mauretanicus, do alcatraz Morus bassanus, da gaivota-tridáctila Rissa tridactyla e do moleiro-pequeno Stercorarius parasiticus.
Figura 86 ― Sítio de Importância Comunitária Sintra/Cascais.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZEC Arrábida/Espichel - PTCON0010
A ZEC Arrábida-Espichel (205), figura 87, contém mais de 55 km2 de área marinha, que correspondem a 29 % da sua área total e que se sobrepõem atualmente aos limites do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, integrado no Parque Natural da Arrábida. Parte da sua área sobrepõe-se ainda à Zona de Proteção Especial (ZPE) Cabo Espichel, designada ao abrigo da Diretiva Aves.
A ZEC Arrábida/Espichel é de uma extraordinária qualidade e diversidade do ponto de vista paisagístico e ecológico, assumindo grande importância em termos de conservação. O Sítio é marcado pela presença da cadeia orográfica da serra da Arrábida, sujeita ao clima mediterrânico, mas sob forte influência atlântica, sobretudo nas vertentes voltadas a norte e a ocidente, dada a proximidade do oceano. Localizado num vasto setor da costa portuguesa onde os fundos arenosos dominam, os fundos rochosos da costa da Arrábida são uma exceção, já que resultam da fragmentação da arriba. A costa caracteriza-se por fundos de baixa profundidade, bem limitados pela linha de costa escarpada e pelas grandes profundidades dos canhões de Setúbal e Lisboa, destacando-se a existência do habitat 8330 «Grutas marinhas submersas ou semissubmersas». A orientação deste litoral, voltado a sul, é única na costa ocidental portuguesa, oferecendo uma proteção eficaz relativamente aos ventos dominantes do quadrante norte e à ondulação marítima, o que promove a reprodução, o desenvolvimento e a presença de um grande número de espécies marinhas, muitas delas raras em Portugal. É o caso do habitat 1110 «Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda», com pradarias de Zostera marina, atualmente em acelerada regressão. Destaca-se a ocorrência comum do roaz Tursiops truncatus e, com menor frequência, do boto Phocoena phocoena.
Figura 87 ― Sítio de Importância Comunitária Arrábida-Espichel.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZEC Costa Sudoeste - PTCON0012
A ZEC Costa Sudoeste (206), figura 88, foi recentemente objeto de alargamento (207) integrando atualmente uma área marinha de 163 870 ha, em que 30 % da área é abrangida pela área marinha que integra os limites da ZPE com o mesmo nome e 15 % abrangida pelo Parque Marinho do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV).
A componente marinha desta ZEC é muito diversificada, com um predomínio do habitat 1170 «Recifes» que ocorre em cerca de 13 % da área do Sítio. O habitat 1110 «Bancos de areia» apenas ocorre em cerca de 2 % do Sítio e surge com uma ocorrência mais costeira, em zonas abrigadas. O habitat 8330 «Grutas submersas» está presente especialmente na região do promontório de Sagres. Este Sítio é também influenciado pela proximidade dos canhões submarinos de São Vicente e de Portimão.
Relativamente às duas espécies alvo de cetáceos o Sítio engloba cerca de 6 % da população nacional (ZEE subárea Continente) do boto (Phocoena phocoena) e 0,96 % da população nacional (ZEE subárea Continente e subárea Madeira) do roaz (Tursiops truncatus). No caso particular do boto regista-se um uso mais intenso em zonas costeiras, havendo um menor uso das zonas offshore, em parte devido ao facto de a plataforma continental ser pouco extensa neste setor da costa. Em termos globais, o estado de conservação dos habitats marinhos (com ocorrência muito diversificada e equilibrada) considerados relevantes para o boto é classificado como «bom» a «muito bom». Relativamente ao roaz os espécimes presentes utilizam tanto as áreas costeiras como as áreas pelágicas. Este Sítio assume ainda importância para a conservação da savelha (Alosa fallax) em meio marinho.
Figura 88 ― Sítio de Importância Comunitária Costa Sudoeste.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZEC Maceda - Praia da Vieira
Os valores naturais presentes na faixa litoral entre Maceda e Praia da Vieira, figura 89, justificaram a sua recente inclusão na lista nacional de sítios (208) e consequentemente a sua designação formal como ZEC.
Nesta faixa litoral com 5026,74 km2, existem dois habitats marinhos que importa conservar, o habitat 1110 «Bancos de areia» que ocorre em cerca de 10 % da área total e surge mais junto à costa, e o habitat 1170 «Recifes» que cobre cerca de 11 % da área total.
Os fenómenos de afloramento costeiro e a influência da descarga fluvial dos rios Vouga e Mondego, com caudais significativos, fazem deste Sítio uma área com elevada produtividade biológica que, associada aos habitats marinhos, permitem a presença de comunidades de flora e fauna bastante diversificadas e abundantes.
Em termos de cetáceos, o Sítio engloba 31,82 % da população nacional (ZEE subárea Continente) estimada de boto (Phocoena phocoena) e 2,38 % da população nacional estimada (ZEE subárea Continente e subárea Madeira) de roazes (Tursiops truncatus). O golfinho-comum (Delphinus delphis) ocorre neste local, em número relativamente elevado.
No que se refere a espécies de peixes migradores anádromas, estão presentes o sável (Alosa alosa), a savelha (Alosa fallax) e a lampreia (Petromyzon marinus) que apresentam concentrações importantes no período pré-reprodutor que antecede os caudais de chamada dos rios Vouga e Mondego. Esta faixa litoral faz ainda parte do corredor de passagem de duas espécies de répteis marinhos, a tartaruga-boba (Caretta caretta) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
Figura 89 ― Lista Nacional de Sítios ― Maceda-Praia da Vieira.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Rede Natura 2000 - Zonas de proteção especial
ZPE Estuários dos Rios Minho e Coura - PTZPE0001
A ZPE Estuários dos Rios Minho e Coura (209), figura 90, inclui cerca de 3 km2 de área marinha, que correspondem a aproximadamente 8 % da sua área total e que se sobrepõem em parte à área do Sítio de Importância Comunitária Litoral Norte.
A ZPE Estuários dos Rios Minho e Coura estende-se de Valença até à foz do rio Minho, numa área que reúne um conjunto de habitats húmidos de elevada importância ecológica, como águas estuarinas, bancos de vasa e de areia e sapais.
Pela sua relevância em termos de conservação, destaca-se a ocorrência do sável Alosa alosa, da savelha Alosa fallax, da lampreia-marinha Petromyzon marinus e do salmão-do-Atlântico Salmo salar, para além da presença de algumas espécies de aves marinhas, como é o caso do corvo-marinho Phalacrocorax carbo, do garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis, do guincho Larus ridibundus, da gaivota-de-asa-escura Larus fuscus e da gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis.
Figura 90 ― ZPE Estuários dos Rios Minho e Coura.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZPE Ria de Aveiro - PTZPE0004
A ZPE Ria de Aveiro (210), figura 91, inclui a área da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto e contém cerca de 207 km2 de área marinha, que correspondem a mais de 40 % da sua área total. A ria de Aveiro é um sistema estuarino-lagunar constituído por uma rede de canais de maré permanentemente ligados e por uma zona terminal com canais estreitos e de baixa profundidade.
Por ser um sistema de transição, sob influência marinha, fluvial e terrestre, constitui um importante ecótono, que apresenta uma grande variedade de biótopos, como sapais, salinas, bancos de areia e de vasa, ilhas com vegetação e águas livres, apresentando elevados índices de biodiversidade e uma grande diversidade de habitats, a sua maioria de importância em termos de conservação. Aqui encontram-se representadas extensas áreas de sapal, salinas, áreas significativas de caniço e importantes áreas de bocage, associadas a áreas agrícolas, que no seu conjunto proporcionam locais de alimentação e reprodução para diversas espécies de aves, sobretudo aquáticas, bem como para várias espécies de aves migradoras.
Figura 91 ― ZPE Ria de Aveiro.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
A avifauna é a componente faunística de maior realce desta área e, como tal, encontra-se classificada ao abrigo da Diretiva Aves. Com efeito, a ria de Aveiro é de especial importância para diversas espécies de aves marinhas, uma vez que, pela sua localização litoral, oferece excelentes condições para espécies migratórias ao proporcionar locais de nidificação, invernada, abrigo e alimentação. Diversas espécies utilizam as lagoas naturalizadas da Reserva Natural, enquanto outras demandam a faixa marítima, pelo que, na sua área total, a ZPE alberga regularmente mais de 20 mil aves aquáticas, sendo de destacar a ocorrência regular da negrola Melanitta nigra, cujos totais representam mais de 1 % da população europeia. A faixa marítima é também utilizada regularmente por espécies de aves marinhas invernantes como o fulmar-glacial Fulmarus glacialis, o alcatraz Morus bassanus e o corvo-marinho Phalacrocorax carbo. Vários larídeos podem ser observados na zona durante todo o ano, sendo o mais comum o guincho Larus ridibundus, para além da gaivota-de-asa-escura Larus fuscus e da gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, enquanto a gaivota-tridáctila Rissa tridactyla é uma invernante que ocorre tipicamente em ambiente pelágico, sendo mais rara junto da costa. O garajau-comum Sterna hirundo é outra ave marinha que pode ser aqui observada em determinadas épocas do ano, designadamente por altura das passagens migratórias pós-nupciais. Existem também pequenas populações nidificantes de chilreta Sternula albifrons na área abrigada da ria de Aveiro, designadamente em locais associados à exploração salineira tradicional. Espécies como o airo Uria aalge, a torda-mergulheira Alca torda e o papagaio-do-mar Fratercula arctica são invernantes pouco comuns.
ZPE Aveiro/Nazaré - PTZPE0060
A ZPE Aveiro/Nazaré (211), figura 92, é uma extensa área exclusivamente marinha, que ocupa mais de 2929 km2, maioritariamente localizados dentro das águas territoriais, com uma distância máxima à costa de cerca de 45 km.
Esta região assume particular importância para diversas espécies de aves marinhas migradoras, que surgem na costa continental portuguesa sobretudo durante os períodos de migração e invernada, sendo que a área da ZPE é usada maioritariamente como local de passagem, mas também como área de descanso e alimentação. De especial relevância em termos de conservação, ou consideradas importantes pela grande dimensão relativa das populações que ocorrem nesta área, destacam-se a cagarra Calonectris diomedea, a torda-mergulheira Alca torda, o garajau-comum Sterna hirundo, a gaivota-de-asa-escura Larus fuscus, a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, a gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus, o guincho Larus ridibundus, a gaivota-tridáctila Rissa tridactyla, o airo Uria aalge, o alma-de-mestre Hydrobates pelagicus, a negrola Melanitta nigra e a chilreta Sterna albifrons. Algumas espécies, como é o caso do alcatraz Morus bassanus, ocorrem na região durante grande parte do ano, tal como acontece com a pardela balear Puffinus mauretanicus, cujos indivíduos podem ser observados em deslocações com orientação geral N-S e S-N, enquanto executam movimentos locais, designadamente em alimentação, e em jangadas.
Figura 92 ― ZPE Aveiro/Nazaré.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZPE Ilhas Berlengas - PTZPE0009
O valor natural do arquipélago das Berlengas e a riqueza biológica da região marinha adjacente justificaram o reconhecimento formal do estatuto de ZPE, tendo sido criada a ZPE Ilhas Berlengas (212), figura 93, que inclui a totalidade da área correspondente à Reserva Natural das Berlengas.
É constituída por uma extensa área marinha em que se inclui o arquipélago das Berlengas, a qual compreende uma das zonas mais ricas da plataforma continental portuguesa, com elevados índices de produtividade biológica, em grande parte alimentados por correntes complexas que geram turbilhões de sedimentos e provocam o afloramento superficial de águas profundas. A riqueza biológica destas águas nota-se na diversidade de espécies influenciada pela mistura de águas pelágicas e litorais e pela convergência das condições atlânticas nas zonas mais expostas com as mediterrânicas nos locais mais abrigados.
Figura 93 ― ZPE Ilhas Berlengas.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
O arquipélago das Berlengas é um importante local de reprodução de aves marinhas, relevante no contexto europeu e regional, sendo utilizado regularmente por algumas espécies características do nordeste atlântico. É de destacar que o núcleo histórico de nidificação do airo Uria aalge em Portugal se situava no arquipélago das Berlengas, ainda que a presença da espécie naquela área se encontre em acentuado decréscimo, tendo a nidificação cessado nos últimos anos do século passado. Nessa época, o arquipélago das Berlengas constituía o limite meridional da nidificação do airo no litoral ibérico e representava, nas costas europeias, o limite norte da área de nidificação da cagarra Calonectris diomedea, sendo também o único local conhecido, no contexto do continente europeu, onde nidifica o roquinho Oceanodroma castro.
Neste arquipélago nidificam ainda outras espécies de aves marinhas, como a galheta Phalacrocorax aristotelis, a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis e, pontualmente, a gaivota-de-asa-escura L. fuscus, para além de diversas aves terrestres, sendo ainda de assinalar a presença de numerosas espécies de passagem durante os períodos de migração. A extensão marinha da ZPE apresenta uma grande densidade relativa de cagarra, abrangendo as áreas mais importantes para alimentação e repouso dos indivíduos da colónia.
ZPE Cabo Raso - PTZPE0061
A ZPE Cabo Raso (213), figura 94, que se sobrepõe em parte à área do ZEC Sintra/Cascais, constitui uma extensa área marinha, que ocupa mais de 1335 km2, localizados sobretudo em mar territorial, com uma distância máxima à costa de cerca de 30 km.
Esta área marinha costeira é influenciada pela proximidade do estuário do rio Tejo, que potencialmente cria condições para elevados índices de produtividade biológica, e pelas condições de vento criadas pela serra de Sintra. A costa de Lisboa, sendo parte da plataforma continental, é relativamente baixa, registando-se uma produtividade relativamente elevada na região em resultado do upwelling causado pela Eastern Boundary Current, que surge essencialmente nos meses de verão. Por outro lado, também o aporte de sedimentos e nutrientes do rio Tejo pode contribuir para as condições favoráveis à permanência das aves nesta área.
Figura 94 ― ZPE Cabo Raso.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Durante os períodos de migração e invernada surgem ao longo da costa continental portuguesa diversas espécies migradoras marinhas, que usam a área desta ZPE como área de passagem. A área entre Cascais e Guincho é também usada ativamente por aves em alimentação bem como em descanso. À semelhança da ZPE Aveiro/Nazaré, esta região é usada durante grande parte do ano por diversas espécies de aves marinhas, como o alcatraz Morus bassanus e a pardela-balear Puffinus mauretanicus, sendo de particular importância para esta última, uma vez que tem sido observada quer em passagem norte/sul, quer em movimentos mais curtos, bem como em jangadas junto à costa, graças à proteção que a costa oferece aos ventos predominantes de noroeste. Esta ZPE é também usada por diversas espécies de aves de especial relevância do ponto de vista da conservação, entre as quais se destaca a cagarra Calonectris diomedea, a gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus, o alma-de-mestre Hydrobates pelagicus e a negrola Melanitta nigra.
ZPE Cabo Espichel - PTZPE0050
A ZPE Cabo Espichel (214), figura 95, contém 155,54 km2 de área marinha, que correspondem a cerca de 95 % da sua área total e que se sobrepõem em parte às áreas do Parque Natural da Arrábida e do ZEC Arrábida-Espichel.
A ZPE Cabo Espichel consiste numa faixa litoral de falésias altas com uma área planáltica adjacente de matos e campos abertos. Compreende também uma faixa de mar localizada dentro das águas territoriais, com uma distância máxima de afastamento à linha de costa de cerca de 8 km. O cabo Espichel constitui um habitat muito exposto ao vento marítimo e adquire particular importância no final do verão, durante o período das passagens migratórias. Muitas espécies migradoras usam a área desta ZPE, em particular como local de passagem, mas também como áreas de descanso e alimentação, principalmente durante os períodos de pós-nupcial e de invernada. De entre as diversas espécies de aves marinhas que ocorrem na área da ZPE, destacam-se a cagarra Calonectris diomedea, o alma-de-mestre Hydrobates pelagicus, o alcatraz Morus bassanus, a gaivota-de-cabeça-preta Larus melanocephalus e a negrola Melanitta nigra. Esta área adquire particular importância para a pardela-balear Puffinus mauretanicus, cujos indivíduos podem ser observados em deslocações com orientação geral norte/sul e sul/norte ou em movimentos locais, designadamente em alimentação, e em jangadas. Do ponto de vista da conservação, importa referir ainda a ocorrência do alcaide Catharacta skua, do guincho Larus ridibundus, da gaivota-de-asa-escura Larus fuscus, do garajau-comum Sterna hirundo, do garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis, da chilreta Sterna albifrons e da torda-mergulheira Alca torda.
Figura 95 ― ZPE Cabo Espichel.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
ZPE Lagoa de Santo André - PTZPE0013
A ZPE Lagoa de Santo André (215), figura 96, contém mais de 7,5 km2 de área marinha, que correspondem a 8 % da sua área total e que se sobrepõem em parte à área da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha. A lagoa de Santo André ocupa uma superfície média de 1,50 km2 e atinge uma profundidade média de cerca de 1,8 m.
A lagoa está separada do mar por um extenso cordão arenoso, que constitui uma barreira física ao longo de 4 km da linha de costa. A massa de água lagunar contacta com as águas oceânicas pelo menos durante algumas semanas em cada ano, seja de forma natural, em situações de tempestade, ou, mais tipicamente, de forma artificial, durante o mês de março. A estrutura e composição das comunidades biológicas no interior da lagoa são marcadamente determinadas pelo processo da abertura ao mar, que promove a renovação das águas com a exportação de matéria orgânica e nutrientes e permite a entrada de sedimentos arenosos e de peixes e invertebrados de origem marinha. Adicionalmente às influências marinhas, a lagoa é também fortemente afetada pelas escorrências de água doce através da bacia hidrográfica. As águas fluviais são também uma fonte importante de nutrientes, matéria orgânica e sedimentos finos. A interação das diferentes influências conduz ao estabelecimento de gradientes ecológicos espaciais marcados, com predominância de sedimentos arenosos e águas mais salinas junto ao canal de abertura ao mar, e de sedimentos vasosos e águas mais doces nos setores mais interiores da lagoa.
Figura 96 ― ZPE Lagoa de Santo André.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
As comunidades biológicas que caracterizam a faixa marítima incluída nesta ZPE estão descritas para a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha (ver volume iv-C, secção Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha). A ocorrência de espécies marinhas na lagoa depende da sua ligação ao mar, que promove a variação da salinidade e introduz diferentes espécies provenientes do oceano, influenciando as comunidades de invertebrados presentes e levando a que cerca de metade das espécies sejam de origem marinha (e.g., Scolelepis spp., Capitella capitata, Lanice conchilega, Nephthys spp., Spisula solida, Abra alba). Estas comunidades são dominadas por organismos detritívoros, os quais são consumidos por vários predadores como o caranguejo-verde Carcinus maenas, o camarão-branco Palaemon serratus, e por diversas espécies de crustáceos e peixes. O número de espécies de peixes residentes na lagoa é bastante reduzido (e.g., Atherina boyeri, Syngnathus abaster, Pomatoschistus microps), sendo a diversidade da comunidade fortemente aumentada nos períodos de abertura ao mar pela colonização por espécies de origem marinha, como a enguia-europeia Anguilla anguilla, a tainha-fataça Liza ramada, a tainha Chelon labrosus, o linguado Solea spp., e o sargo-safia Diplodus vulgaris, com destaque para a dourada Sparus aurata e para o robalo Dicentrarchus labrax, espécies de elevado interesse comercial que utilizam a lagoa como área de criação. A lagoa de Santo André situa-se entre as mais importantes zonas húmidas nacionais para as aves, caracterizada por uma abundante avifauna, que inclui espécies como o corvo-marinho Phalacrocorax carbo, o guincho Larus ridibundus, a gaivota-de-asa-escura Larus fuscus, o garajau-de-bico-preto Thalasseus sandvicensis e a chilreta Sterna albifrons, nidificante regular na lagoa.
ZPE Lagoa da Sancha - PTZPE0014
A ZPE Lagoa da Sancha (216), figura 97, contém mais de 2,7 km2 de área marinha, que correspondem a mais de metade da sua área total e que se sobrepõem em parte à área da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha.
Figura 97 ― ZPE Lagoa da Sancha.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
A lagoa da Sancha apresenta uma bacia hidrográfica substancialmente mais pequena que a lagoa de Santo André, formando um pequeno plano de água de salinidade reduzida (oligohalina) e cuja comunicação com o mar é permanentemente impedida por um extenso cordão dunar. Em função do seu isolamento relativamente ao mar, estabelecem-se nesta lagoa diferentes comunidades biológicas aquáticas e habitats alternativos ou complementares para várias espécies de conservação prioritária. Ainda que seja considerada muito semelhante aos sistemas lênticos temporários, com a sucessão de espécies dependente do regime de chuvas, a lagoa não se pode ainda considerar dulciaquícola, devido à manutenção de alguma salinidade ao longo do ano e da presença de várias espécies com afinidades para as águas salobras.
As comunidades biológicas que caracterizam a faixa marítima incluída nesta ZPE estão descritas para a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha (ver volume iv-C do PSOEM, secção Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha). Apesar do número comparativamente reduzido de estudos sobre as comunidades da lagoa da Sancha, esta destaca-se como local importante nas migrações outonais de passeriformes trans-saharianos, além de constituir um local de reprodução para algumas espécies que se encontram ameaçadas em grande parte da respetiva área de distribuição europeia. De inverno, espécies de aves marinhas como Phalacrocorax carbo, Larus ridibundus e Larus fuscus utilizam regularmente o espelho da água como local de repouso.
ZPE Costa Sudoeste - PTZPE0015
A ZPE Costa Sudoeste (217), figura 98, contém mais de 530 km2 de área marinha, que correspondem a mais de metade da sua área total e que se sobrepõem em parte à área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e à área do Sítio de Importância Comunitária Costa Sudoeste. Inclui uma extensa área marinha localizada dentro das águas territoriais, com uma distância máxima de afastamento à linha de costa de cerca de 20 km.
Figura 98 ― ZPE Costa Sudoeste.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
As comunidades biológicas que caracterizam esta ZPE estão descritas para o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (ver volume iv-C do PSOEM, secção Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina). É reconhecidamente uma das áreas com maior importância no contexto da conservação das aves a nível nacional e internacional, por constituir um importante corredor migratório para aves marinhas, mas também como área de descanso e alimentação, principalmente durante os períodos de migração e invernada. Esta área adquire particular importância para a pardela-balear Puffinus mauretanicus, uma vez que a quase totalidade da população desta espécie cruza o cabo de São Vicente, nos seus movimentos entre as colónias de reprodução nas ilhas Baleares e as zonas de invernada, de alimentação e de descanso localizadas na costa atlântica, designadamente ao largo do território continental português. Tanto as aves reprodutoras como as não reprodutoras atravessam esta zona em diferentes períodos do ano, pelo que a área marinha em torno do cabo é usada pela espécie durante grande parte do ano.
Áreas protegidas de âmbito local
AMP das Avencas
A AMP das Avencas (218), figura 99, foi criada tendo em atenção a elevada riqueza específica e o interesse geobiológico da orla costeira da região de Cascais e também com o objetivo de garantir a conservação do habitat rochoso entre-marés e dessa forma contribuir para a salvaguarda da rica biodiversidade da área.
Figura 99 ― Área Marinha Protegida das Avencas.
Fonte: Geoportal «Mar Português».
Local privilegiado ao longo dos anos para estudos científicos e académicos, esta é a primeira área marinha protegida com gestão local do país, atribuída ao Município de Cascais. Esta AMP fica situada entre as praias de São Pedro do Estoril e da Parede, delimitada pela distância à costa de um quarto de milha. Esta zona inclui habitats do litoral, sub-litoral e circalitoral em bom estado de conservação e funciona como zona de nursery para diversas espécies costeiras de interesse comercial, como é o caso dos sargos, peixes-rei, linguados e chocos, que ali vão desovar.
A informação ecológica relativa a estas estruturas é escassa, especialmente no que respeita à caracterização das espécies, habitats e substratos. Esta área fica alinhada com o Banco de Galicia, situado mais para norte, na ZEE de Espanha, que, de entre todos os montes submarinos existentes na região, é aquele sobre o qual existem mais dados disponíveis, fruto de várias missões oceanográficas realizadas no local, estando incluído nas propostas de SIC Banco de Galicia [Lugar de Importancia Comunitaria (LIC) Banco de Galicia ESZZ12001] e de ZPE Banco de Galicia [Zona de Especial Protección para las Aves (ZEPA) Banco de Galicia ES0000498] de Espanha. Os dados existentes caracterizam a região como uma zona de elevada biodiversidade dada a existência de montes submarinos que, por afetarem as correntes marinhas em profundidade, causam o afloramento de massas de água profunda ricas em nutrientes e consequentemente um enriquecimento local e um aumento da produtividade em mar aberto.
A maior disponibilidade de alimento, associada às condições favoráveis para a ocorrência de diferentes comunidades de crinóides e de corais de águas frias, a par de outras espécies sésseis habitualmente englobadas no conceito de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (VME), favorece a agregação de espécies demersais e bentopelágicas e a presença de espécies migradoras de vertebrados marinhos típicas dos ecossistemas oceânicos situados na proximidade de montes submarinos do NE atlântico, como tubarões pelágicos, atuns, cetáceos, tartarugas e aves marinhas. É considerado um hotspot de biodiversidade à escala regional, pela grande diversidade de habitats e de espécies de diferentes afinidades biogeográficas e pelo elevado nível de endemismos. Destacam-se os números significativos de golfinho-riscado Stenella coeruleoalba, roaz Tursiops truncatus e baleia-comum Balaenoptera physalus e a presença da baleia-piloto Globicephala melaena, do golfinho-comum Delphinus delphis e do zífio Ziphius cavirostris, que utiliza a região como zona de alimentação. As águas superficiais da região representam também uma importante zona de alimentação de algumas espécies de aves marinhas, como é o caso do roquinho Oceanodroma castro, do fulmar-glacial Fulmarus glacialis, da pardela-de-barrete Ardenna gravis, do painho-de-cauda-forcada Hydrobates leucorhous, do falaropo-de-bico-grosso Phalaropus fulicarius, do moleiro-rabilongo Stercorarius longicaudus, do moleiro-do-Ártico Stercorarius pomarinus, do garajau-do-Ártico Sterna paradisaea e da cagarra Calonectris diomedea.
Os ductos submarinos são infraestruturas utilizadas para o transporte de matérias, como seja gasodutos e oleodutos e a sua instalação rege-te também pela UNCLOS e pelo Decreto-Lei n.º 38/2015. Atualmente não existem estruturas deste tipo instaladas na subdivisão do continente.
6 - Património cultural subaquático
Caracterização da atividade
Em reconhecimento da importância histórica e cultural do património cultural subaquático e da urgente necessidade de se identificar e proteger este património, foi adotada na 31.ª Conferência Geral da UNESCO, a 2 de novembro de 2001, a Convenção 2001 da UNESCO sobre a Proteção do Património Cultural Subaquático (219), que se consubstancia como o primeiro instrumento internacional exclusivamente dedicado ao património cultural subaquático (UNESCO, 2001). De acordo com o artigo 1.º desta Convenção, o conceito de património cultural subaquático engloba todos os vestígios da existência humana, de caráter cultural, histórico ou arqueológico, que se encontrem parcial ou totalmente, periódica ou continuamente, submersos, há, pelo menos, 100 anos.
A Convenção estabelece como princípio básico para a proteção do património cultural subaquático a preservação in situ como opção prioritária e proíbe a exploração comercial deste tipo de património. Este instrumento estabelece ainda mecanismos de cooperação entre um Estado Costeiro próximo e o Estado que tenha declarado interesse no património cultural subaquático em questão, desde que legitimado por argumentos de natureza cultural, histórica ou arqueológica. Dependendo da localização do património cultural subaquático na subdivisão do continente, aplicar-se-ão regimes específicos de cooperação internacional: nas suas águas interiores e no seu mar territorial (artigo 7.º), Portugal goza do direito exclusivo de regulamentar e autorizar as intervenções sobre este património; na sua zona contígua, Portugal pode regulamentar e autorizar intervenções sobre o património cultural subaquático (artigo 8.º); na ZEE subárea do continente prevê-se um regime específico de cooperação internacional que compreende notificações, consultas e coordenação na aplicação de medidas de proteção (artigos 9.º a 11.º). A ratificação do Estado português em 2006 da Convenção 2001 da UNESCO (220) veio reforçar o regime jurídico nacional existente, na medida em que remete para os Estados-Membros proteger o património cultural subaquático nas zonas sob jurisdição nacional.
No que se refere ao panorama nacional para o património cultural subaquático, cuja situação atual se encontra ilustrada na figura 100, foi apenas no final dos anos 50 que a arqueologia náutica e subaquática em Portugal deu os primeiros passos, em contexto amador, a par do desenvolvimento da atividade de mergulho subaquático (Alves, 1990). Esta área conheceu especial desenvolvimento a partir da década de 1970 com a publicação do Decreto-Lei n.º 416/70, de 1 de setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 577/76, de 21 de julho, que vieram consagrar um enquadramento específico ao património cultural subaquático no direito interno, passando a distinguir-se os achados de interesse arqueológico enquanto estatuto de património cultural e propriedade de Estado. Acresce referir ainda o Decreto-Lei n.º 289/93, de 21 de agosto, que estabelece o regime jurídico do património cultural subaquático, e a Portaria n.º 568/95, de 16 de junho, que aprova o Regulamento dos Trabalhos Arqueológicos Subaquáticos.
Os primeiros projetos arqueológicos subaquáticos de onde resultou a consolidação da disciplina da arqueologia náutica e subaquática tiveram início apenas nos anos 80, no quadro do Museu Nacional de Arqueologia, onde foram lançadas as bases de uma primeira unidade de pesquisa subaquática em Portugal (MNE). Em 1997, com a criação do Instituto Português de Arqueologia (atual PC, I. P.), que integrou o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS),e na sequência do estabelecimento de um novo quadro legal para o património arqueológico português com a publicação do Decreto-Lei n.º 164/97, de 27 de julho, veio reforçar-se a exclusividade do caráter científico, de investigação, valorização ou salvaguarda da intervenção sobre contextos arqueológicos subaquáticos (Comissão Nacional da UNESCO). Atualmente, compete ao PC, I. P., através do CNANS a gestão da atividade arqueológica subaquática, de processos de achados fortuitos, de projetos de investigação, de situações de emergência, assim como as ações de fiscalização técnica e de peritagem e as intervenções no quadro de grandes obras do litoral (PC, I. P.).
No quadro nacional destaca-se ainda a importância crescente ao nível dos municípios costeiros, pela valorização e proteção deste tipo de património, através do desenvolvimento de cartas arqueológicas subaquáticas regionais, como é o caso do Município de Cascais (CM Cascais, 2012), reconhecida como exemplo de boas práticas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) Figura 100. De referir ainda que alguns naufrágios também se encontram identificados pelo Instituto Hidrográfico enquanto riscos a considerar à navegação e condicionantes de uso.
Figura 100 ― Localização do património cultural subaquático na subdivisão do Continente.
Fonte: Geoportal «Mar Português» dados PC, I. P.
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Legislação
Decreto-Lei n.º 204/2015, de 17 de setembro, procede à alteração dos limites da Zona de Proteção Especial do Cabo Espichel e da Zona de Proteção Especial da Costa Sudoeste, criadas pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/204-2015-70300351. Acedido em 30-01-2023.
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Decreto Regulamentar n.º 6/2005, de 21 de julho, reclassifica a Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende e altera os limites definidos no Decreto-Lei n.º 357/87, de 17 de novembro, passando a ter a denominação de Parque Natural do Litoral Norte. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/6-2005-239049. Acedido em 30-01-2023.
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Decreto Regulamentar n.º 4/2004, de 29 de março, altera o Decreto Regulamentar n.º 10/2000, de 22 de agosto, que cria a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/4-2004-210024. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 11/2003, de 8 de maio, altera os limites do Parque Natural da Arrábida, definidos no Decreto Regulamentar n.º 23/98, de 14 de outubro. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/11-2003-580615. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 10/2000, de 22 de agosto, cria a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/10-2000-324279. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 32/99, de 20 de dezembro, altera o Decreto Regulamentar n.º 30/98, de 23 de dezembro, que estabelece a reclassificação da Reserva Natural das Berlengas. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/32-1999-654500. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 30/98, de 23 de dezembro, estabelece a reclassificação da Reserva Natural das Berlengas. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/30-1998-186280. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 23/98, de 14 de outubro, estabelece a reclassificação do Parque Natural da Arrábida. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/23-1998-234913. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 46/97, de 17 de novembro, estabelece a reclassificação da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/46-1997-685043. Acedido em 30-01-2023.
Decreto Regulamentar n.º 26/95, de 21 de setembro, cria o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-regulamentar/26-1995-566668. Acedido em 30-01-2023.
Aviso n.º 6/2012, de 26 de março, torna pública a republicação da tradução para a língua portuguesa do texto da Convenção para a Proteção do Património Cultural Subaquático, aprovada na XXXI Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris, em 2 de novembro de 2001. Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/aviso/6-2012-553936. Acedido em 30-01-2023.
Websites
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Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em https://geoportal.lneg.pt/. Acedido em 30-01-2023.
Geoportal «Mar Português». DGRM. Disponível em 30-01-2023.
https://webgis.dgrm.mm.gov.pt/portal/apps/webappviewer/index.html?id=df8accb510bc4f33963d9b03bf3674b8. Acedido em 30-01-2023.
OBIS-SEAMAP. Disponível em https://seamap.env.duke.edu. Acedido em 30-01-2023.
(1) Versão consolidada. Disponível em https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-lei/2015-69897360.
(2) Disponível em https://dre.pt/dre/detalhe/despacho/11404-2022-201394418?_ts=1668038400034.
(3) Versão consolidada. Disponível em https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-lei/2007-74098085.
(4) Disponível em https://dre.pt/dre/detalhe/despacho/4760-2023-212075877.
(5) Compete-lhe a seleção e georreferenciação das áreas para exploração de energias renováveis offshore, bem como o acompanhamento da monitorização ambiental destes locais.
(6) Os planos de afetação procedem à afetação de áreas e ou volumes do espaço marítimo nacional a usos e atividades não identificados no plano de situação, estabelecendo, quando aplicável, os respetivos parâmetros de utilização, nos termos previstos no artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 38/2015, de 12 de março, na sua atual redação.
(7) O PAER tem de dar cumprimento ao previsto nos artigos 20.º e 21.º do Decreto-Lei n.º 38/2015, de 12 de março, na sua atual redação.
(8) O PSOEM constituiu um passo determinante na prossecução dos objetivos do ordenamento e gestão do espaço marítimo nacional, previstos na Lei de Bases da Política de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo Nacional, aprovada pela Lei n.º 17/2014, de 10 de abril.
(9) Resolução do Conselho de Ministros n.º 203-A/2019, de 30 de dezembro.
(10) Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2019, de 1 de julho.
(11) Disponível em https://webgis.dgrm.mm.gov.pt/portal/apps/webappviewer/index.html?id=a0d3e2d2230f4384bffae361536826e2.
(12) Resolução do Parlamento Europeu, de 7 de julho de 2021, sobre o impacto no setor das pescas dos parques eólicos marítimos e de outros sistemas de energias renováveis [2019/2158(INI)]. Disponível em https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:52021IP0338.
(13) TRL 9 - Sistema real comprovado em ambiente operacional. Em inglês: TRL 9 - Actual system proven in operational environment. Disponível em https://repositorio.lneg.pt/bitstream/10400.9/2771/1/Os%20TRL%20%28TECHNOLOGY%20READINESS%20LEVELS%29%20COMO%20FERRAMENTA%20NA%20AVALIA%C3%87%C3%83O%20TECNOL%C3%93GICA_LGil.pdf.
(14) Resolução do Conselho de Ministros n.º 174/2017, de 24 de novembro. Este Plano encontra-se em atualização/revisão, estando o draft disponível em https://apambiente.pt/sites/default/files/_Clima/Planeamento/PNEC%20PT_Template%20Final%20-%20vers%C3%A3o%20final_30_06_2023.pdf.
(15) Disponível em https://eur-lex.europa.eu/content/paris-agreement/paris-agreement.html?locale=pt.
(16) Resolução do Conselho de Ministros n.º 53/2020, de 10 de julho.
(17) Resolução do Conselho de Ministros n.º 68/2021, de 4 de junho, aprova a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030.
(18) Resolução do Parlamento Europeu sobre o Pacto Ecológico Europeu [2019/2956(RSP)], 15-01-2020 (2021/C 270/01).
(19) NextGenerationEU. Disponível em https://next-generation-eu.europa.eu/index_pt.
(20) Objetivo 55: alcançar a meta climática da UE para 2030 rumo à neutralidade climática COM (2021) 550 final. 14-07-2021.
(21) Plano REPowerEU. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, de 18.5.2022 [SWD (2022) 230 final].
(22) Proposal for a Directive of the European Parliament and of the Council amending Directive (EU) 2018/2001 of the European Parliament and of the Council as regards the promotion of energy from renewable sources (não traduzida para português), de 18.5.2022 [COM(2022) 222].
(23) Aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 63/2020, de 14 de agosto. Disponível em https://dre.pt/dre/detalhe/resolucao-conselho-ministros/63-2020-140346286.
(24) Por zona «preferencial» entende-se um local específico, terrestre ou marítimo, designado por um Estado-Membro como especialmente adequado para a instalação de centrais de produção de energia de fontes renováveis, com exceção das instalações de combustão de biomassa. In Plano REPowerEU.
(25) Disponível em https://dre.pt/dre/detalhe/despacho/1396-c-2023-206675545.
(26) Disponível em https://www.dgeg.gov.pt/media/zuffmfm4/dgeg-aen-2022e.pdf.
(27) Disponível em https://unfccc.int/process-and-meetings/what-is-the-united-nations-framework-convention-on-climate-change.
(28) Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030. Trazer a natureza de volta às nossas vidas. Bruxelas, 20.5.2020 COM(2020) 380 final. Disponível em https://eur-lex.europa.eu/resource.html?uri=cellar:a3c806a6-9ab3-11ea-9d2d-01aa75ed71a1.0011.02/DOC_1&format=PDF.
(29) Projeto OffshorePlan, designadamente o Atlas do Recurso Eólico (h = 100 m) e o Atlas do Recurso das Ondas (h = 0 m).
(30) Couto A. et al., 2019.
(31) Ibid.
(32) Duque J. et al., 2019.
(33) Atualmente vocacionadas para aerogeradores com fundações flutuantes e para aproveitamento da energia das ondas.
(34) Maxwell et al., 2022.
(35) Atualmente vocacionadas para aerogeradores com fundações fixas e para aproveitamento da energia das ondas.
(36) Maxwell et al., 2022.
(37) Potência calculada para uma densidade de capacidade de 3,5 MW/km2.
(38) Disponível em https://webgis.dgrm.mm.gov.pt/portal/apps/webappviewer/index.html?id=15c32cf0500c43148f97270db0c1f584.
(39) Huang, L. et al., 2023.
(40) Disponível em https://dados.gov.pt/pt/datasets/srup-aeroportos-e-aerodromos/.
(41) Non-binding agreement on goals for offshore renewable generation in 2050 with intermediate steps in 2040 and 2030 for priority offshore grid corridor Atlantic offshore grids pursuant to Article 14(1) of the TEN-E Regulation (EU) 2022/869. Janeiro 2023.
(42) Estratégia da UE para aproveitar o potencial de energia de fontes renováveis ao largo com vista a um futuro climaticamente neutro. COM(2020) 741 final. Disponível em https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:52020DC0741.
(43) Disponível em https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20220210IPR23015/eurodeputados-incentivam-producao-de-energia-eolica-maritima-na-ue.
(44) Disponível em https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-9-2021-0338_PT.html.
(45) Programa de Monitorização da Colonização de Espécies nas Plataformas. Relatório periódico - Ano 2 - dezembro de 2021.
(46) Final Report Summary - MERMAID (Innovative Multi-purpose offshore platforms: planning, Design and operation). Disponível em https://cordis.europa.eu/project/id/288710/reporting.
(47) Disponível em https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32018L2001&from=ES.
(48) Comunicação da Comissão C(2020) 7730 final, Bruxelas, 18.11.2020. Documento de orientação sobre projetos de aproveitamento de energia eólica e legislação da UE no domínio da natureza. Disponível em https://ec.europa.eu/transparency/documents-register/detail?ref=C(2020)7730&lang=en.
(49) Searle et al., 2014.
(50) Warwick-Evans et al., 2017.
(51) Garthe et al., 2015.
(52) Lindeboom et al., 2011.
(53) Harwood et al., 2017.
(54) Marx, 2018.
(55) Thaxter et al., 2017.
(56) Villegas-Patraca et al., 2012.
(57) Hötker, 2017.
(58) Comunicação da Comissão C(2020) 7730 final, Bruxelas, 18.11.2020. Documento de orientação sobre projetos de aproveitamento de energia eólica e legislação da UE no domínio da natureza. Disponível em https://ec.europa.eu/transparency/documents-register/detail?ref=C(2020)7730&lang=en.
(59) Garthe, S. & Huppop, H., 2004.
(60) A pontuação atribuída tem o seguinte significado: 1 ponto - impacte previsivelmente baixo, 5 pontos - impacto previsivelmente alto.
(61) Garthe, S. & Huppop, H., 2004.
(62) Bradbury et al., 2014.
(63) Comunicação da Comissão C(2020) 7730 final, Bruxelas, 18.11.2020. Documento de orientação sobre projetos de aproveitamento de energia eólica e legislação da UE no domínio da natureza. Disponível em https://ec.europa.eu/transparency/documents-register/detail?ref=C(2020)7730&lang=en.
(64) May, 2017.
(65) Loss et al., 2013.
(66) Burton et al., 2011.
(67) Cutts et al., 2009.
(68) Burton et al., 2011.
(69) Disponível em https://www.bfn.de/en/activities/marine-nature-conservation/pressures-on-the-marine-environment/offshore-wind-power/minimising-the-impacts-of-offshore-wind-farms.html.
(70) Tome et al., 2011, 2017.
(71) Collier et al., 2011.
(72) Disponível em https://www.dtbird.com/.
(73) Comunicação da Comissão C(2020) 7730 final, Bruxelas, 18.11.2020. Documento de orientação sobre projetos de aproveitamento de energia eólica e legislação da UE no domínio da natureza. Disponível em https://ec.europa.eu/transparency/documents-register/detail?ref=C(2020)7730&lang=en.
(74) Disponível em https://qsr.waddensea-worldheritage.org/reports/east-atlantic-flyway.
(75) Meirinho et al., 2014.
(76) Cabral et al., 2005.
(77) Maxwell et al., 2022.
(78) Ramachandran et al., 2021.
(79) Ibid.
(80) Nedwell & Howell, 2004.
(81) Armas et al., 2018.
(82) Madsen et al., 2006.
(83) Richardson et al., 1995.
(84) Madsen et al., 2006.
(85) Floating Wind Turbines, 2022.
(86) Amaral et al., 2021.
(87) Rodkin & Reyff, 2004.
(88) Dekeling et al., 2014.
(89) Ibid.
(90) Tougaard et al., 2020.
(91) Pangerc et al., 2016.
(92) Madsen et al., 2006.
(93) Maxwell et al., 2022.
(94) Farr et al., 2021.
(95) Tougaard et al., 2020.
(96) Maxwell et al., 2022.
(97) Dekeling et al., 2014.
(98) Joint Framework for Ocean Noise in the Atlantic Seas.
(99) Andersson et al., 2011.
(100) WavEC 2022(1).
(101) WavEC 2022(2).
(102) Correia et al., 2021.
(103) Vingada & Eira, 2018.
(104) Diretiva Habitats 92/43/EEC, de 21 de maio de 1992.
(105) Maxwell et al., 2022.
(106) Tougaard et al., 2006.
(107) Brandt et al., 2011.
(108) Brandt et al., 2018.
(109) Brandt et al., 2011.
(110) Ibid.
(111) Ibid.
(112) Brandt et al., 2018.
(113) Ibid.
(114) Tougaard et al., 2009.
(115) Ibid.
(116) Southall et al., 2007.
(117) Clapham & Hatch, 2000.
(118) Sanpera & Aguilar, 1992.
(119) Pereira et al., 2020.
(120) Širović et al., 2007.
(121) Hatch & Clark, 2004.
(122) Payne & Webb, 1971.
(123) Pereira et al., 2020.
(124) WavEC, 2022(1).
(125) WavEC, 2022(2).
(126) Disponível em https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-lei/2008-34502775.
(127) Disponível em https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-lei/2008-34501775.
(128) Disponível em https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/lei/2001-72871514.
(129) Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/aviso/6-2012-553936.
(130) Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/164-1997-162668.
(131) Disponível em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/164-2014-58728911.
(132) United Nations, Climate Action, What is renewable energy? Acedido em 05.07.2024 em: https://www.un.org/en/climatechange/what-is-renewable-energy.
(133) National Ocean Economics Program, NOEP, (2020), Electric Power Generation. Acedido em 05.07.2024, em https://www.oceaneconomics.org/elec_power_gen/electric_power.html.
(134) Ellabban et al., 2014.
(135) Bilgili, Yasar & Simsek, 2011.
(136) Maxwell et al., 2022.
(137) Ramachandran et al., 2021.
(138) Leimeister et al., 2018.
(139) Banister, 2017.
(140) Booij et al., 1999.
(141) Amaral et al., 2021.
(142) Maxwell et al., 2022.
(143) Monfort, 2017.
(144) Lin et al., 2019.
(145) James e Costa Ros, 2015.
(146) Lin et al., 2019.
(147) Barter et al., 2020.
(148) Low et al., 2018.
(149) Thethi e Moros, 2001.
(150) Maxwell et al., 2022.
(151) Ibid.
(152) Monfort, 2017.
(153) James e Costa Ros, 2015.
(154) Maxwell et al., 2022.
(155) Ibid.
(156) James e Costa Ros, 2015.
(157) Mast et al., 2015.
(158) Maxwell et al., 2022.
(159) Mast et al., 2015.
(160) Direção-Geral de Energia e Geologia, DGEG (2024). Solar fotovoltaico. Acedido a 05.07.2024, em: https://www.dgeg.gov.pt/pt/areas-setoriais/energia/energias-renovaveis-e-sustentabilidade/energia-solar/solar-fotovoltaico/.
(161) Ocean Energy Europe, Powered by the ocean. Acedido a 05.07.2024, em: https://www.oceanenergy-europe.eu/ocean-energy/.
(162) Direção-Geral de Energia e Geologia, DGEG (2024). Energia dos Oceanos. Acedido a 05.07.2024, em: https://www.dgeg.gov.pt/pt/areas-setoriais/energia/energias-renovaveis-e-sustentabilidade/energia-dos-oceanos/.
(163) Ocean Energy Europe, Powered by the ocean. Acedido a 05.07.2024, em: https://www.oceanenergy-europe.eu/ocean-energy/.
(164) Do inglês Ocean Thermal Energy Conversion.
(165) Do inglês reverse electro-dialysis.
(166) Do inglês pressure retarded osmosis.
(167) Estratégia da UE para aproveitar o potencial de energia de fontes renováveis ao largo com vista a um futuro climaticamente neutro COM(2020) 741 final. 19-11-2020. Acedido a 05.07.2024, em: https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:52020DC0741&from=EN.
(168) Ibid.
(169) Portaria n.º 298/2023, de 4 de outubro - Delimitação da zona livre tecnológica (ZLT) de energias renováveis de origem ou localização oceânica ao largo de Viana do Castelo.
(170) OSPAR Guidance on Environmental Considerations for Offshore Wind Farm Development. Reference number: 2008-3. Disponível em: http://www.ospar.org/documents?d=32631.
(171) Potência calculada para uma densidade de capacidade de 3,5 MW/km2.
(172) Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em: https://geoportal.lneg.pt/.
(173) Ibid.
(174) Ibid.
(175) Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em: https://geoportal.lneg.pt/.
(176) Potência calculada para uma densidade de capacidade de 3,5 MW/km2.
(177) Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em: https://geoportal.lneg.pt/.
(178) Ibid.
(179) Ibid.
(180) Potência calculada para uma densidade de capacidade de 3,5 MW/km2.
(181) Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em: https://geoportal.lneg.pt/.
(182) Ibid.
(183) Ibid.
(184) Potência calculada para uma densidade de capacidade de 3,5 MW/km2.
(185) Geoportal do OffshorePlan. LNEG. Disponível em: https://geoportal.lneg.pt/.
(186) Ibid.
(187) Ibid.
(188) Águas de origem subpolar ou subtropical.
(189) Águas de origem subtropical.
(190) A figura 66 apenas serve para fornecer algum contexto relativamente à distribuição de cetáceos à volta das eólicas potenciais.
(191) Hammond et al., 2021.
(192) Araújo, H. et al., 2016.
(193) Disponível em https://www.icnf.pt/oquefazemos/materiaisinformativoseeducativos/areasprotegidas.
(194) Criado pelo Decreto Regulamentar n.º 6/2005, de 21 de julho. A Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende tinha sido criada pelo Decreto-Lei n.º 357/87, de 17 de novembro.
(195) Criada pelo Decreto-Lei n.º 41/79, de 6 de março, e reclassificação: Decreto Regulamentar n.º 46/97, de 17 de novembro, com alteração dos limites, alterado pelo Decreto Regulamentar n.º 24/2004, de 12 de julho.
(196) Criada pelo Decreto-Lei n.º 264/81, de 3 de setembro, reclassificada pelo Decreto Regulamentar n.º 30/98, de 23 de dezembro, com nova redação pelo Decreto Regulamentar n.º 32/99, de 20 de dezembro.
(197) Criado pelo Decreto-Lei n.º 622/76, de 28 de julho, e reclassificado pelo Decreto Regulamentar n.º 23/98, de 14 de outubro, com as alterações introduzidas pelo Decreto Regulamentar n.º 11/2003, de 8 de maio (Reclassificação do Parque Natural da Arrábida/Criação do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha).
(198) Criada pelo Decreto Regulamentar n.º 10/2000, de 22 de agosto, alterado pelo Decreto Regulamentar n.º 4/2004, de 29 de março, com alteração de limites.
(199) Criado pelo Decreto Regulamentar n.º 26/95, de 21 de setembro (a Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina tinha sido criada pelo Decreto-Lei n.º 241/88, de 7 de junho).
(200) Criado pelo Decreto Regulamentar n.º 82/2007, de 3 de outubro.
(201) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/2000, de 5 de julho.
(202) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2014, de 8 de julho.
(203) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/2000, de 5 de julho.
(204) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de agosto.
(205) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de agosto.
(206) Criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de agosto.
(207) Resolução do Conselho de Ministros n.º 18/2019, de 23 de janeiro.
(208) Resolução do Conselho de Ministros n.º 17/2019, de 23 de janeiro.
(209) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro.
(210) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro.
(211) Decreto Regulamentar n.º 17/2015, de 22 de setembro.
(212) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 105/2012, de 17 de maio.
(213) Criada pelo Decreto Regulamentar n.º 17/2015, de 22 de setembro.
(214) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 204/2015, de 17 de setembro.
(215) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro.
(216) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro.
(217) Criada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de setembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 204/2015, de 17 de setembro.
(218) Criada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 123/98, de 19 de outubro, alterada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 64/2016, de 11 de outubro.
(219) The UNESCO 2001 Convention on the Protection of the Underwater Cultural Heritage, Paris, 2001.
(220) Resolução da Assembleia da República n.º 51/2006; Decreto do Presidente da República n.º 65/2006; republicado através do Aviso n.º 6/2012, de 26 de março.
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