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Ato Original
Análise Jurídica
Louvor n.º 106/2000. - Louvo o general Henrique Bernardino Godinho pelos dignificantes serviços que prestou no quadro da Administração Pública, enquanto comandante-geral da Guarda Nacional Republicana.
A sua permanência na instituição, cingida aos dois mais altos cargos da hierarquia da mesma, constituiu caso de longevidade invulgar, 10 anos divididos por igual entre as funções de 2.º comandante-geral, de Junho de 1988 a Abril de 1993, e as de comandante-geral desde então. Tarefa ingente, pontuada pelo inusitado de circunstâncias avulsas que, decorrentes embora do melindre próprio da missão das forças de segurança, se revelaram pertubadoras do equilíbrio institucional e puseram à prova a coesão interna da Guarda e a resistência moral dos seus militares. Há responsáveis a quem o destino, reservando-lhes transes de particular intensidade, confere a oportunidade de mostrarem a têmpera que possuem. Os factos que conturbaram no passado recente a Guarda, de ressonância que o acaso da sua convergência em espaço de tempo relativamente limitado acentuou, sentiu-lhes o impacte, antes de todos, o general Godinho. Avultou então a sua força de carácter, a sua dignidade, o estoicismo e a serenidade que lhe são característicos, a marcarem-se em postura típica de quem se habitou a aceitar e enfrentar com desassombro e denodo as contrariedades e obstáculos da missão que tenha cometida. Devem-se-lhe, em medida determinante, o equilíbrio, a tranquilidade e o empenho que a instituição soube manter, interessada, apenas, na prossecução do interesse público que acima de tudo lhe cabe prezar. A sua presença na Guarda fica marcada fortemente pela excelência das virtudes de que foi exemplo, nas quais se espelha profundo sentido ético, robustecido pela riquíssima experiência que constituiu na multiplicidade de situações por que se caracterizou a sua vivência na instituição castrense. As qualidades que o enobrecem encontram-se sobejamente destacadas na sua brilhante folha de serviços. Três bastarão, porventura, para defini-lo na sua dimensão de homem e militar: probidade, lealdade e abnegação. Viveu 10 anos na Guarda e para a Guarda, dedicando-se-lhe estrenuamente, arcando com a responsabilidade cimeira sobre uma instituição com raízes já seculares, que lhe adregam enorme capital de prestígio. Revelou-se, na circunstância, o mentor azado, apto a preservar, incólume, esse prestígio face às incidências que propuseram acrescidas dificuldades ao seu comando. Ultrapassou-as com senso, pundonor e inquebrantável firmeza, deixando, no momento em que cessou as suas funções, uma Guarda Nacional Republicana dignificada, como resultado da forma como a conduziu nas árduas contingências arrostadas. Ao fazê-lo serviu emeritamente o País. É distinguindo o cidadão e o militar ilustres que se lhe referenciam os serviços prestados, qualificando-os como importantes, extraordinários e distintos.
22 de Outubro de 1999. - O Ministro da Administração Interna, Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho.
