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Ato Original
Louvor n.º 344/2021
A 3 de agosto de 1981, era criado o Instituto Nacional de Emergência Médica, I. P. (INEM), com a missão de instalar e gerir um Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), capaz de prestar de forma estruturada cuidados de emergência médica pré-hospitalar a todas as pessoas vítimas de acidente ou doença súbita.
Uma missão exigente que se foi construindo e concretizando ano após ano, ao longo destas últimas quatro décadas. Desde a implementação dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), até ao estabelecimento de uma rede de meios de emergência nacional e abrangente, com cobertura de todo o território continental, os objetivos a que o INEM se propôs guiaram-se sempre pela mesma premissa: proporcionar a todas as pessoas que dele necessitem, um serviço de emergência médica pré-hospitalar acessível, eficaz e de qualidade. A comprová-lo está um grau de satisfação dos/as utentes dos serviços do Instituto acima dos 96 % e uma taxa reduzida de reclamações face ao volume dos serviços prestados (menos de 0,02 % das chamadas recebidas e tratadas pelos CODU dão origem a reclamações), indicadores que traduzem a profunda confiança que os portugueses e as portuguesas depositam no INEM.
Para garantir um Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) robusto e abrangente, o INEM tem promovido parcerias com diversas instituições, como é o caso dos Corpos de Bombeiros, da Cruz Vermelha Portuguesa, da Polícia de Segurança Pública, da Guarda Nacional Republicana, e dos Hospitais e Centros de Saúde. Todos estes parceiros têm sido fundamentais para a sustentação do SIEM, apoiando e contribuindo para a prossecução do principal desígnio e missão do INEM: Salvar Vidas.
Mais do que meras relações institucionais, estas parcerias têm um impacto direto na saúde dos cidadãos. Por exemplo, os protocolos firmados com Corpos de Bombeiros e CVP com vista à criação de Postos de Emergência Médica ou Postos Reserva, que permitem adicionar à rede de emergência médica pré-hospitalar mais meios de socorro. Ou das parcerias com os Hospitais para a criação e implementação das Vias Verdes, processos que garantem uma abordagem mais célere e adequada a doenças graves muito concretas, como os enfartes agudos do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais, patologias que requerem tratamentos específicos imediatos e uma resposta atempada do sistema de saúde.
Em paralelo, o INEM tem procurado reforçar, inovar e diversificar os serviços que proporciona a todas as pessoas, uma característica marcante desde a sua criação. Por exemplo, com a integração na sua carteira de serviços, em 1982, do Centro de Informação Antivenenos (CIAV) e que, ainda hoje, assegura 24 horas por dia informações na área da toxicologia, dirigidas a profissionais de saúde ou ao público em geral. Ou com a criação, em 2004, do Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC), para atender e intervir às necessidades psicossociais da população e dos profissionais. Ou ainda, através do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa (PNDAE), desenvolvido pelo INEM desde 2009, que tem possibilitado a prática de desfibrilhação automática externa por pessoas leigas em ambiente extra-hospitalar, o que aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência das vítimas de paragem cardiorrespiratória.
O desenvolvimento de novos meios de emergência - além das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) - capazes de responder de forma adequada e sustentada às diversas necessidades da população, é outro dos fatores que têm marcado a história do INEM. É o caso da criação das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), das Ambulâncias do Transporte Inter-hospitalar Pediátrico (TIP), das Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) ou dos Motociclos de Emergência Médica (MEM), para além da constituição dos Helicópteros de Emergência Médica (HEM), das Viaturas de Intervenção em Catástrofe (VIC), ou das Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE).
Internacionalmente, o INEM tem desempenhado também um papel ativo em missões humanitárias de apoio à saúde das populações, ou mesmo em situações de catástrofes internacionais, como foi o caso das cheias na Venezuela, dos sismos que assolaram a cidade de Bam, no Irão, e o Haiti, a doença por vírus ébola na Guiné-Bissau ou o ciclone Idai em Moçambique. Recentemente, em 2019, este esforço foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) através da certificação do Hospital de Campanha do INEM como Emergency Medical Team, capacidade que passou a integrar o Voluntary Pool do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
Em 2020, o mundo como o conhecíamos mudou. Mas os/as trabalhadores/as e colaboradores/as do INEM mantiveram-se, desde o primeiro momento, na linha da frente da resposta à COVID-19, encontrando soluções e desenvolvendo respostas inovadoras para fazer face a uma nova realidade, adaptando-se e reinventando-se para continuar a desempenhar a missão de levar cuidados de emergência médica a quem deles precisa, inclusivamente junto de povos irmãos com quem partilhamos uma história e uma língua comum.
Atualmente, os CODU do INEM garantem o atendimento de todas as chamadas de emergência realizadas em Portugal continental e que à saúde digam respeito, e todos os concelhos contam com meios de emergência médica afetos ao INEM ou aos seus parceiros do SIEM. Além dos meios dos parceiros, nomeadamente Corpos de Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa, Portugal conta com mais de 150 meios operados diretamente pelo INEM: 4 HEM, 44 VMER, 4 TIP, 40 SIV, 56 AEM, 8 MEM e 4 UMIPE, tripulados por uma grande equipa de profissionais, entre Médicos, Enfermeiros, Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Psicólogos e Pilotos. Um trabalho operacional que é acompanhado e suportado por mais de uma centena de profissionais de áreas como Logística, Tecnologias da Informação, Gestão e Planeamento, Gestão Financeira, Gestão de Instalações, Recursos Humanos, Área Jurídica, Qualidade ou Comunicação. É ao trabalho de todos estes profissionais que o Instituto deve o cumprimento da sua Missão.
O trabalho dos seus profissionais também permitiu ao INEM obter a Certificação do seu Sistema Integrado de Qualidade, Ambiente, Segurança e Formação Profissional, incluindo aprendizagem enriquecida pela tecnologia (normas ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001 e NP 4512), tendo sido o primeiro organismo do Ministério da Saúde a obter o reconhecimento externo em todos estes referenciais. Além da certificação naquelas quatro áreas, o INEM também está Certificado pela DGS, no Nível Bom do Manual de Standards de Unidades de Urgência e Emergência, no âmbito do Programa Nacional de Acreditação em Saúde (criado pelo Despacho n.º 69/2009, de 31 de agosto, da Ministra da Saúde), tendo sido a primeira entidade portuguesa a receber aquele reconhecimento externo, que abrange a totalidade da atividade operacional de emergência médica do INEM, designadamente dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e dos meios de emergência operados diretamente pelo Instituto.
O INEM assinala hoje quatro décadas de atividade ao serviço de Portugal, das portuguesas e dos portugueses. Ao iniciar as comemorações deste marco histórico, o Conselho Diretivo torna público o presente louvor coletivo, de profundo reconhecimento a todos os profissionais que trabalham ou trabalharam no INEM, instituição que tem merecido a sua dedicação desde o momento em que foi criada. A história do INEM é, por isso, indissociável desse vasto conjunto de pessoas que têm contribuído para a superação de cada novo desafio e para o êxito de cada um dos objetivos traçados.
Graças ao empenho, dedicação e competência dos profissionais de todas as carreiras e categorias profissionais que têm trabalhado ou colaborado com o Instituto, volvidos 40 anos após a sua criação, o INEM continua a ser uma das instituições públicas com maior credibilidade, confiança e reconhecimento pelos relevantes serviços prestados, diariamente, para dar resposta às necessidades em saúde e cuidados de emergência médica pré-hospitalar a todas as pessoas que deles necessitam.
28 de julho de 2021. - A Diretora do Departamento de Gestão de Recursos Humanos, Teresa de Almeida Augusto.
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