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Ato Original
Portaria n.º 1484/2003 (2.ª série). - Ao abrigo do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 464/74, de 18 de Setembro:
Manda o Chefe do Estado-Maior da Armada o seguinte:
1.º De harmonia com o preceituado no artigo 187.º do Regulamento da Escola Naval (Portaria n.º 471/86, de 28 de Agosto), admitir, em 10 de Outubro de 2003, como cadetes do curso Comandante Conceição e Silva os cadetes candidatos a seguir mencionados, os quais foram classificados conforme o estabelecido no artigo 188.º do Regulamento acima referido pela ordem seguinte:
Marinha:
1.º 20803, Teresa Sofia d'Abreu.
2.º 21103, Luís Miguel Simões Soares.
3.º 21503, Bruno Borges Mendes.
4.º 21603, Tiago António Sebastião Domingues.
5.º 21803, Liliana Margarida Moreira dos Santos.
6.º 22003, Pedro Joaquim Ladeiro Marcelino.
7.º 22103, David Manuel Figueira dos Santos.
8.º 22203, André Lopes Silva.
9.º 22303, Marcos André Arrifes Narciso.
10.º 22403, Miguel Pelágio Santos de Almeida.
11.º 22603, Ricardo Santos Nogueira.
12.º 22803, João Filipe Amaral da Costa.
13.º 23403, Maria Esperança Pendão Cachinho.
14.º 23803, Fernando Jorge Adriano Gaspar.
15.º 23903, Pedro Miguel Rosa Melo.
16.º 24103, Bruno Miguel Sardinha Canhão.
17.º 24203, Duarte Nuno Mendes de Queirós.
18.º 24303, Fernando José Vieira Pereira.
19.º 24403, Simão Tiago Loureiro da Paixão.
20.º 24503, Filipe Manuel Soares Pereira.
21.º 24603, Gonçalo Simões de Almeida Santos Pereira.
22.º 24703, José Miguel Neves de Sousa Assis Santa.
23.º 24803, Rogério Gonçalo e Castello-Branco dos Santos.
24.º 24903, Vítor Manuel da Silva Santos.
25.º 25003, Liliana Patrícia Marques Carvalho.
26.º 25103, Tiago Alexandre Pereira Rangel.
27.º 25203, Miguel Ângelo Araújo Ferreira.
28.º 25303, Afonso Batschelet Rosas.
29.º 25403, Ana Rita das Neves Lopes.
30.º 25503, Carla Maria Carvalho Pires.
31.º 25703, Pedro Duarte Dias Vaz Leal Machado.
32.º 25903, Maurílio de Menezes Mendes.
33.º 26003, Rita Martins Garcia.
Administração naval:
1.º 20503, Vanessa Fátima Marques Rodrigues.
2.º 22703, Dinis Augusto Martins Barbosa.
3.º 22903, Rute Fernandes Branco.
4.º 23703, Jorge André Morais Figueiredo.
Engenheiros navais:
1.º 20703, Ivo Rocha de Sousa (EN-AEL).
2.º 21003, José Pedro Estácio Marques Correia (EN-MEC).
3.º 21303, Ricardo Franco Praça Frederique (EN-AEL).
4.º 21403, Carlos Jorge Antunes Seixas (EN-AEL).
5.º 21703, Pedro Fernando Pinóia Garrano (EN-MEC).
6.º 21903, Catarina Neto Ribeiro (EN-AEL).
7.º 23103, José Filipe Vidinha Vieira Silva Dionísio (EN-MEC).
8.º 23303, Rogélio Manuel Nascimento Palma Rodrigues (EN-AEL).
9.º 23503, Hugo Andrade Luz (EN-AEL).
10.º 23603, Jerónimo de Jesus Lopes Castanheira dos Santos (EN-AEL).
11.º 24003, Fernando André Marques Valente Carreto (EN-MEC).
Fuzileiros:
1.º 20903, João Pedro Gomes Goulart.
2.º 21203, Nuno Miguel Arvins Fernandes.
3.º 23203, Pedro Filipe da Fonseca Freire.
Médicos navais:
1.º 20403, André de Medeiros Grenho.
2.º 26103, Sílvia Sofia Rodrigues e Silva.
3.º 26203, Maria Ana Cabral Belard Kopke Túlio.
2.º Adoptar como patrono para os referidos cursos, de acordo com o disposto no artigo 178.º do Regulamento da Escola Naval, o comandante Eugénio Correia da Conceição Silva.
Nascido em 11 de Maio de 1903, e tendo terminado o curso da Escola Naval em 1923, o comandante Conceição Silva distinguiu-se como um dos mais notáveis astrónomos amadores portugueses. Esse gosto pela astronomia vinha desde a sua juventude, pois no ano lectivo de 1919-1920, enquanto frequentava os estudos preparatórios para ingresso na Escola Naval, frequentou também, por sua iniciativa, um curso de astronomia.
A sua carreira naval começou, como a de qualquer jovem oficial da Marinha, por comissões de embarque, a bordo de navios de guerra. As suas maiores comissões de embarque foram passadas a bordo do transporte Pêro de Alenquer e do cruzador República. Desse período inicial da sua vida de marinheiro merece especial destaque a sua acção como oficial de guarnição deste último navio, no combate a um incêndio na ilha da Taipa e nas manobras que realizou para garantir a segurança do navio durante um violento tufão.
Nos anos de 1931 e 1932 frequentou em Itália, juntamente com outros dois oficiais portugueses, um curso de especialização em artilharia. Durante esse curso embarcaram no couraçado Giullio Cesare e em vários contratorpedeiros italianos onde realizaram inúmeros exercícios de tiro. Conceição Silva foi dos primeiros classificados desse curso, frequentado por bastantes oficiais italianos e estrangeiros.
Após regressar a Portugal foi nomeado professor da Escola Naval, tendo-se mantido nesse cargo durante 36 anos, interrompendo essas funções apenas por períodos breves. Na sua actividade lectiva ministrou aulas relacionadas com artilharia e balística, navegação e astronomia e também foi professor de Matemáticas.
Em 1948 foi nomeado director do Laboratório de Explosivos da Marinha. Por inerência deste cargo foi nomeado vogal da Comissão de Explosivos do Ministério da Economia. Nessa função recebia geralmente os assuntos mais complicados, prova evidente da consideração que os seus pares tinham pelo seu elevado espírito científico.
Ainda na área da artilharia, foi por sua iniciativa que se criou a Oficina de Óptica da Armada, na Direcção do Serviço de Material de Guerra e Tiro Naval. O comandante Conceição Silva acompanhou de perto as actividades da Oficina, sendo o principal responsável pela formação, na área da óptica, de todo o seu pessoal.
No entanto, a grande paixão científica do comandante Conceição Silva foi a astronomia. Vivendo no Bairro dos Oficiais, no Alfeite, decidiu criar na sua própria casa um observatório astronómico. As condições do local eram excelentes, uma vez que a mata que circundava o referido bairro garantia o resguardo suficiente para que a luminosidade urbana não afectasse as observações nocturnas.
As suas actividades ao nível da astronomia não se limitavam a especulações teóricas. Ele estava sobretudo interessado em realizações de ordem prática. Possuindo elevados conhecimentos em óptica e sendo dotado de uma habilidade manual fora do comum, concebia e construía muitos dos aparelhos e instrumentos que utilizava para as suas observações.
Dois aspectos merecem especial destaque nesta sua faceta de astrónomo amador. Em primeiro lugar, as inúmeras fotografias de enxames, nebulosas e galáxias por ele obtidas usando os seus telescópios. Muitas destas fotografias foram por ele enviadas para o estrangeiro, nomeadamente para França, tendo recebido um prémio da Sociedade Astronómica de França pela excelência dos seus trabalhos neste campo. Por outro lado, merece também realce o telescópio de 500 mm por ele concebido e construído para instalação no observatório que tinha em sua casa. Este telescópio foi objecto de um artigo publicado na revista Scientific American, no qual são tecidos comentários bastante elogiosos ao referido instrumento.
O comandante Conceição Silva preocupou-se também com a difusão da astronomia em Portugal, publicando artigos sobre as suas actividades em revistas de divulgação científica. Publicou também o livro O Sistema Solar, na colecção Cosmos. Esta colecção, publicada por iniciativa de Bento de Jesus Caraça, tinha como principal intento divulgar conhecimentos científicos junto de vastos sectores da sociedade. A sua acção contribuiu bastante para o aparecimento de diversos astrónomos amadores em Portugal.
Tendo visitado o Planetário de Nova Iorque pensou que era importante para a cidade de Lisboa que nela existisse uma estrutura semelhante. A existência de um planetário permitiria um acesso aos conhecimentos sobre astronomia a praticamente toda a população. Começou então a desenvolver todos os esforços necessários à construção de planetário em Lisboa. Tal veio a acontecer em 1965, tendo o comandante Conceição Silva sido nomeado o primeiro director do Planetário Calouste Gulbenkian.
O seu mérito científico foi reconhecido tanto a nível nacional como internacional, sendo membro da Sociedade Astronómica de França, da Sociedade Astronómica Internacional e da Sociedade de Geografia de Lisboa.
17 de Novembro de 2003. - O Chefe do Estado-Maior da Armada, Francisco António Torres Vidal Abreu, almirante.